Área destinada à agricultura cresce 19,1% em Cachoeira do Sul

Foto: Reprodução / TV Novo Tempo

O IBGE divulgou quinta-feira (26), uma radiografia do campo no Brasil. O Censo Agropecuário revela que a área de produção rural aumentou nos últimos anos e o número de trabalhadores na lavoura diminuiu. A produção agropecuária de Cachoeira do Sul cresceu bem acima da média do Rio Grande do Sul. O Censo Agropecuário mostra que, de 2006 a 2017, o número de tratores cresceu quase 50% em todo o Brasil.

O mapeamento evidencia avanços tecnológicos e de produtividade, mas também sinaliza riscos, como o envelhecimento dos produtores. Tem cada vez menos jovens na lida e o uso de agrotóxicos aumentou, realidade em 70,3% dos estabelecimentos rurais do RS. Entre outubro de 2017 e fevereiro deste ano, os pesquisadores percorreram todos os rincões do país para coletar dados. Foram visitadas cerca de 5 milhões de unidades de produção dedicadas às atividades agropecuárias. Cerca de 365 mil só no RS.

Cachoeira do Sul

Município tem a oitava maior extensão de terra do estado usada para lavoura e pastagem. São 320.464 hectares. A área usada pela agropecuária cresceu 19,1% nos últimos 10 anos. O crescimento está bem acima da média do RS, que aumentou a área de lavoura em 6%.

Terras destinadas à agropecuária em Cachoeira

2007 – 269.074 hectares

2017 – 320.464 hectares

Cachoeira do Sul também confirmou a segunda maior lavoura de soja do estado, com mais de 143 mil hectares, perdendo apenas para Tupanciretã, que somou 146 mil hectares de área plantada. Preocupante para Cachoeira foi a produtividade da soja, que ficou apenas na oitava posição no ranking estadual, prejudicada principalmente pela falta de chuva.

Saiba mais sobre o censo agropecuário de 2017

Foto: Fly Movies

De todas as regiões brasileiras, somente o Nordeste apresentou redução do número e da área dos estabelecimentos agropecuários, com perda de 131.565 estabelecimentos e de 9.901.808 hectares. Em contrapartida, o Rio Grande do Sul, apesar de ter queda de 151.971 estabelecimentos, viu a área crescer em 1.082.517 hectares.

Pessoal ocupado

O pessoal ocupado também sofreu redução em comparação ao censo anterior, passando de 16,56 milhões em 31 de dezembro de 2006 para 15 milhões, em 30 de setembro de 2017. A queda em 11 anos foi de 1,5 milhão de pessoas.

Em contrapartida, cresceu 49,7% a compra de tratores, atingindo 1,22 milhão de unidades em 30 de setembro de 2017, contra 820,7 mil no censo de 2006. Segundo o IBGE, 733,9 mil estabelecimentos usavam tratores no ano passado. “Isso já vem sendo mostrado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Aumenta trator, diminui pessoas”, observou o coordenador.

A média de ocupados por estabelecimento também experimentou retração, passando de 3,2 pessoas para 3 pessoas no novo censo. O total de produtores e trabalhadores com laços de parentesco com eles também se reduziu de 12.801.179 pessoas, em 2006 para 10.958.787, em 2017. A queda percentual no período foi de 77% para 73%.

Utilização da terra

A área de pastagens naturais  caiu 18,7%, entre 2006 e 2017, enquanto as pastagens plantadas subiram 9,1%. O documento mostra que as pastagens naturais vêm caindo direto desde 1975, disse o coordenador. “A pastagem que tem menos produtividade vem sendo substituída por pastagem plantada, que tem mais produtividade. Você consegue ter mais cabeça de animais por hectare de área de pastagem. Só que uma não substitui a outra no mesmo lugar. O gado, na realidade, está sendo movido para outras áreas”, informou Florido.

A pesquisa do IBGE revela aumento de estabelecimentos em terras próprias (de 76,2% para 82,26%), entre 2006 e 2017. Em contrapartida, a participação desses estabelecimentos na área total diminuiu de 90,5% para 85,4%.

O total de estabelecimentos com terras arrendadas caiu de 6,5%, em 2006, para 6,3%, em 2017. Os estabelecimentos entre 100 e 1 mil hectares tiveram redução na participação na área total de 33,8% para 32%, enquanto os estabelecimentos com 1 mil hectares ou mais ampliaram a participação na área total de 45% para 47,5% no período pesquisado.

Em 2017, 502,4 mil estabelecimentos informaram usar algum tipo de irrigação. A área irrigada total no país foi de 6,9 milhões de hectares. O aumento em ambos os casos foi de 52% entre os dois censos. O documento mostra que 1,68 milhões de produtores utilizaram agrotóxicos no ano passado, um aumento de 21,2% em comparação a 2006.

Pecuária

De acordo com o IBGE, 2,52 milhões de estabelecimentos tinham 171,8 milhões de cabeças de gado bovino no ano passado, com destaque para os estados de Mato Grosso (24,1 milhões), Minas Gerais (19,4 milhões) e Mato Grosso do Sul (18,1 milhões).

A produção de galináceos (galinhas, galos, frangas, frangos e pintos), chegou a 1,453 bilhão de cabeças, com o Paraná à frente, com um total de 347,7 milhões de cabeças.

Os suínos totalizaram 39,1 milhões de cabeças, com destaque para Santa Catarina (8,4 milhões de cabeças). O censo também mostrou a existência, em 2017, de 13,7 milhões de cabeças de ovinos, também sob a liderança baiana (2,8 milhões), seguida de perto pelo Rio Grande do Sul, com 2,6 milhões de cabeças.

A liderança na produção de caprinos fica com a Bahia (2,3 milhões de cabeças). O total de caprinos em território brasileiro chega a 8,25 milhões de cabeças. Pará e Amapá lideram a produção de gado bubalino (búfalos), com 320,7 mil e 223,8 mil cabeças, respectivamente, para um total no país de 948,1 mil cabeças.

Participação de mulheres no campo aumentou nos últimos anos

Foto: Eduardo Aigner/MDA

Números do Censo Agropecuário 2017 mostram que o total de estabelecimentos agrícolas nos quais o produtor é do sexo feminino subiu de 12,7% para 18,6% entre 2006 e o ano passado. O número de homens no campo ficou em 4,1 milhões, enquanto as mulheres permanecem 945,4 mil. O número de mulheres declaradas codiretoras do estabelecimento agropecuário atinge 816.926 pessoas, em 2017.

Idosos

O censo também revela tendência de envelhecimento do produtor, ocasionando, em alguns estados, agregação de estabelecimentos para arrendamento a terceiros. O censo agropecuário de 2017 mostra aumento da participação de idosos de 65 anos de idade ou mais na direção do estabelecimento, atingindo 21,41%.

Antonio Carlos Florido disse que “está havendo um envelhecimento gradativo dos produtores, sem uma sucessão de filhos”. Em 2006, os idosos correspondiam a 17,52% dos produtores.

Raça

Pela primeira vez, o censo investigou a cor ou raça dos produtores e apurou que em números isolados, predomina a população parda e negra, com 52% (2,66 milhões de pessoas, seguida pelos brancos, com 45% (2,29 milhões). O resultado acompanha a distribuição da população, segundo a PNAD Contínua de 2017.

Educação

Cerca de 3,8 milhões de produtores disseram saber ler e escrever no censo de 2017, contra 1,16 milhões que não tinham alfabetização. Do total de produtores, 79,1% não foram além do ensino fundamental e 15,5% nunca frequentaram escola. Por outro lado, apenas 5,58% cursaram ensino superior.

O acesso dos produtores à internet aumentou mais de 1.790,1% entre 2006 e 2017. No censo de 2006, 75 mil estabelecimentos agropecuários tinham acesso à internet. Em 2017, esse número subiu para 1,42 milhão de produtores.

O Censo Agro 2017, com informações mais detalhadas será divulgado em julho de 2019.

*Com informações da Agência Brasil.


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