As fases do desenvolvimento da criança e sua importância

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A doutora Rosana Alves é psicóloga e neurocientista, e dá algumas dicas e conselhos importantes aos pais a respeito das características de cada fase do desenvolvimento infantil, e como lidar melhor com os comportamentos das crianças em cada fase da vida. Antes das dicas, um conselho especial a todos que estão lendo e assistindo a este material:

“Aquelas, a quem é confiado o cuidado das crianças são, muitas vezes, ignorantes em relação às necessidades físicas destas; pouco sabem das leis de saúde ou dos princípios do desenvolvimento. Tampouco estão melhor aparelhadas para cuidar do crescimento mental e espiritual das crianças. Podem ter habilitações para dirigir negócios ou brilhar na sociedade; podem ter adquirido louváveis conhecimentos na literatura e ciências; mas do ensino de uma criança pouco conhecimento possuem. Sobre os pais, bem como as mães, recai a responsabilidade do primeiro ensino à criança, tanto como do ensino posterior; e a ambos os pais é urgentíssima a necessidade de preparo cuidadoso e completo. Antes de tomar sobre si as responsabilidades da paternidade ou maternidade, homens e mulheres devem familiarizar-se com as leis do desenvolvimento físico; com a fisiologia e higiene no que dizem respeito às influências pré-natais; com as leis da hereditariedade, sanidade, vestuário, exercício e tratamento de moléstias; devem também compreender as leis do desenvolvimento mental e do ensino moral.”Orientação da Criança, p.63.

Segundo a doutora Rosana, as fases do desenvolvimento podem ser divididas e resumidas assim:

  • Pré-natal: a criança ainda está no útero, e as principais funções e órgãos estão sendo formados.
  • Até os 4 a 5 meses: quando a criança está aprendendo sobre o seu corpo e o meio externo.
  • Até os 2 anos: já começa a aprender a falar, e desenvolve sua capacidade de comunicação verbal.
  • Até os 4 anos: a criança começa a perceber a diferença entre os sexos femininos e masculino.
  • Aos 8 anos: quando a criança inicia um processo de internalização da moral. Ela já sabe o que é certo e errado, independente do que os pais ensinam, ou seja, ela começa a perceber isso por si mesma e tomar decisões a partir dessas descobertas.
  •  12 anos: início da adolescência, que dura até os 19 anos. Em alguns casos pode durar até os 21 anos, e em outros, como nas pessoas afetadas pela síndrome de Peter Pan, pode durar a vida toda. Depois disso, em geral, entramos na fase adulta.

Alimentação da mãe:

Na fase pré-natal, enquanto a criança ainda está no útero da mãe, ela sofre a influência daquilo que a mãe come, ouve ou sofre. A alimentação da mãe e seu estilo de vida vão influenciar no processo de formação desse bebê e desenvolvimento mental, por isso, é necessário que as mães se alimentem saudavelmente e procurem se afastar de atividades e situações estressantes. Esses estímulos e substâncias que são liberadas durante episódios de stress podem afetar o bebê e sua capacidade mental.

Amamentação

A amamentação também é extremamente importante para o desenvolvimento infantil. Além de servir como nutrição, o contato com a mãe e a troca de olhares neste momento dá ao bebê a sensação de proteção e amor, contribuindo muito para a saúde emocional dele. Segundo a doutora, “o bebê não pode ficar no colo somente quanto o comportamento pede isso, quando está sendo alimentado, por exemplo. A mãe deve pegá-lo no colo sem essa necessidade, para que ele perceba que ela não existe só para alimentá-lo”.

No entanto, a falta da amamentação por si só não ocasiona os problemas emocionais futuros, mas outros fatores associados com ela. Se a criança não foi amamentada adequadamente por razões que fugiram ao controle da mãe, uma boa educação, amor, boa alimentação e um ambiente saudável fazem diferença e previnem problemas futuros.

Negligência

Obesidade

As crianças de 4 a 6 anos de idade não têm a percepção de que estão obesas, mas quando fazem um desenho podem manifestar uma insatisfação, e podem desevolver ansiedade ou depressão. A obesidade também pode influenciar a intelectualidade da criança, pois causa uma inflamação no cérebro que pode afetar a capacidade cognitiva e mental da criança em desenvolvimento. Por isso, é preciso cuidar da alimentação infantil. As comidas de fast food ou alimentos industrializados e ultra-processados não influenciam somente no sobre-peso, mas na saúde mental da criança. A doutora acrescenta ainda que, “às vezes, o bebê chora e as mães associam esse choro à falta de alimento. Elas oferecem o peito novamente, e eles param de chorar. Mas eles não estavam com fome, somente pararam de chorar porque queriam colo e atenção”. Com isso, a criança associa prazer e conforto com comida, e por isso, quando adultos, alguns só se acalmam depois de comer algo, porque associam desde pequenos o alimento com esse tipo de sensação.

Depressão, hiperatividade e ansiedade

Acredita-se que hoje, no Brasil, 20% das crianças têm depressão, e apenas 2% são hiperativas. Muitas crianças estão depressivas e os pais acham que elas são hiperativas, pois muitos sintomas da depressão em crianças são diferentes da depressão em adultos. A criança que não consegue ficar quieta na aula, não respeita professores, não se concentra, vai mal na escola, pode estar com depressão ao invés de ser hiperativa. Por isso, é preciso ir em busca de profissionais capacitados para avaliar cada situação, pois algumas crianças podem ser tratadas para hiperatividade e na verdade têm quadro depressivo. Por isso, a doutora aconselha aos pais: “tenham calma. O diagnóstico é complexo, e o profissional pode levar algum tempo para identificar corretamente se há ou não o transtorno. É melhor esperar do que diagnosticar errado. A criança é resultado de um contexto familiar, então a terapia é para a família. Se a família não tem condições de fazer um acompanhamento, precisa mudar a rotina familiar”. 

Pais que não se controlam financeiramente tornam os filhos inseguros, que podem desenvolver ansiedade. Pais que são muito pão-duros e que não gastam com nada podem fazer com que as crianças sejam mais propensas a depressão. Por isso, deve-se buscar o equilíbrio sempre. Aprender a lidar com as finanças familiares tem muito a ver com educação dos filhos.

“Poucos pais começam suficientemente cedo a ensinar os filhos a obedecer. Geralmente se permite à criança estar dois ou três anos à dianteira dos pais, que se abstêm de discipliná-la, pensando que é nova demais para aprender a obedecer. Mas em todo esse tempo o eu se está tornando cada vez mais forte no pequeno, e cada dia se torna, para os pais, tarefa mais difícil conseguir o controle da criança. Muito cedo podem as crianças compreender o que com clareza e simplicidade lhes é dito, e por uma orientação bondosa e judiciosa pode ser ensinada a obedecer. … Não deve a mãe permitir ao filho ganhar vantagem sobre ela num único caso; e, para manter essa autoridade, não é necessário recorrer a medidas severas; a mão firme, segura, e uma bondade que convence a criança de que a amais, alcançarão o propósito. Mas deixai o egoísmo, a ira e a vontade própria terem seu curso durante os três primeiros anos da vida de uma criança e será difícil fazê-la submeter-se a uma disciplina saudável. Sua disposição se tornou azeda; deleita-se em fazer sua própria vontade. O controle paterno é mal recebido. As tendências más se desenvolvem até que na varonilidade o supremo egoísmo e a falta de domínio próprio a colocam na dependência dos males que correm desenfreadamente em nossa Terra” – Orientação da Criança, p. 82.

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2 respostas para “As fases do desenvolvimento da criança e sua importância”

  1. santos disse:

    Quero receber em casa revista da novo tempo pois gosto muito tenho uma nenem de nove meses e quero aprender a lidar com ela

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