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É isso o que muitos cristãos têm insinuado ao usar tal texto como “prova” de que a pessoa tem um “espírito” que “sai do corpo”. Se esses versos mostram que foi o “espírito” de alguém que saiu do corpo, então não podemos ser contra a prática da meditação transcendental, pois, o apóstolo estava vivo quando afirmou que um homem foi “arrebatado ao terceiro Céu”.
Nos versos 2-5 Paulo escreve na primeira pessoa do singular, indicando que ele se referia a si mesmo. O “terceiro céu” é o paraíso (v. 4); o “primeiro”, a atmosfera (camada gasosa que envolve a Terra) e o “segundo” o dos astros (lua, estrelas, planetas, Sol).
Quando ele menciona que foi “arrebatado”, está falando de visões proféticas. O profeta tinha a sensação de estar em outros lugares quando estava em visão (Apocalipse 1:10). Nada no texto dá a entender que a “alma” ou “espírito” é imortal e capaz de sobreviver fora do corpo. Esse não é o tema do capítulo.
Por meio da visão de Paulo podemos aprender que Deus tem uma morada no Céu para nós – algo muito real. Ele quer nos levar para lá como disse Jesus em João 14:1-3.
Para isto acontecer basta aceitarmos a Cristo como nosso Salvador pessoal, a fim de que na Sua gloriosa volta possamos ouvir lindas palavras registradas em Mateus 25:34:
“Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo.”
Fique com Deus,
Leandro Quadros.
As pessoas não se cansam de colocar Cristo no inferno. Isso mesmo: como se não bastasse distorcerem 1 Pedro 3:19, usam esse texto de Efésios para ensinar que, por ocasião da Sua morte, o Salvador desceu ao inferno para pregar aos “espíritos” que lá estavam. Em seguida, teria levado-os para o Céu…
Isso não tem cabimento, pois, sendo Cristo perfeito, sem pecado (Hebreus 4:15; 7:25), jamais iria para o “inferno” (mesmo porque um lago de fogo para castigar e depois destruir os injustos só existirá após o milênio – ver Apocalipse 20)
O que Efésios 4:8, 9 quer nos ensinar? Vou transcrever o texto na Nova Versão Internacional para facilitar a leitura e chegarmos à conclusão de que tais versos tratam de outro assunto:
“Por isso é que foi dito: ‘Quando ele subiu em triunfo às alturas, levou cativos muitos prisioneiros, e deu dons aos homens’. Que significa ‘ele subiu’, senão que também havia descido às profundezas da terra?”
Vamos analisar por partes:
1) Sendo que a Bíblia nega a possibilidade de salvação depois da morte (2 Coríntios 6:1, 2; Hebreus 3:13), aqueles que Cristo levou do cativeiro não foram “espíritos de pecadores arrependidos”. Os “prisioneiros” eram pessoas justas que foram ressuscitadas (ver Mateus 27:51-53). Elas haviam sido libertas da morte para testemunharem que o Salvador havia ressuscitado e, depois, irem para o Céu como troféus da vitória dEle sobre a morte!
Quando Cristo subiu ao Céu com os justos ressuscitados (não precisaram de uma pregação, pois, morreram na fé em Deus), deu dons espirituais aos homens. A presença de Cristo no Santuário Celestial (Hebreus 8:1, 2) possibilitou a morada do Espírito Santo em nosso Planeta para que a igreja receba dons e prepare as pessoas para a Volta gloriosa de Cristo (João 16:7-11; Mateus 24:42, 44; Apocalipse 1:7).
2) A descida de Cristo “às profundezas da terra” não se refere a uma “viagem” que Ele fez ao inferno, pois, a Bíblia diz que na morte Cristo ficou na sepultura no dia de Sábado (Lucas 23:54-56) e que Ele “não foi para o Céu naquele dia” (João 20:19). Se ele repousou e nem foi para o Céu, a possibilidade de “ir para o inferno” não existe.
A expressão (descer às profundezas da terra) simplesmente se refere à morte e ressurreição de Cristo (Mateus 27:52, 53).
Portanto, Efésios 4:8, 9 não coloca o Salvador num lugar que Ele não merece e muito menos apóia a ideia grega de que “a alma é imortal”.
Um abraço,
Leandro Quadros.
Vou disponibilizar a você um estudo do Prof. Pedro Apolinário a respeito de 1 Pedro 3:19 (e de Hebreus 12:22, 23), texto bíblico usado de forma errada para apoiar a ideia absurda de que “Jesus foi ao inferno pregar aos espíritos que lá estavam”. Essa interpretação do texto tem trazido problemas sérios para a teologia, pois, nega o ensino bíblico de que a oportunidade de salvação só existe nessa vida: 2 Coríntios 6:1, 2; Hebreus 3:13, etc. Os melhores comentaristas jamais aceitaram a interpretação atual de 1 Pedro 3:19.
Se lermos dos versos 18-20 perceberemos que os “espíritos em prisão” eram os antediluvianos (sim: a Bíblia usa o termo “espírito em referência a pessoas vivas) que estavam “presos” pelas cadeias do pecado (Provérbios 5:22).
E, chegaremos à conclusão de que Quem pregou não foi Cristo, mas, o Espírito Santo (não é por acaso que algumas traduções traduzem com letra maiúscula o termo “Espírito”).
Levando-se em conta o contexto bíblico o texto diz o seguinte: “Nos dias de Noé, por meio do Espírito Santo Cristo pregou aos antediluvianos que estavam presos pelas cadeias do pecado”.
Por que distorcer a Bíblia se ela é tão clara? Por que pegar o verso 19 isoladamente e formar uma heresia (mesmo que inconscientemente)?
Bom, deixemos que o estudo do Prof. Apolinário detalhe o assunto. Ótima leitura!
Leandro Quadros.
Pregar aos espíritos em prisão – 1 Pedro 3:19.
Introdução
Os católicos, e até protestantes afirmam que enquanto Cristo esteve morto, passou este tempo pregando aos espíritos em prisão. Justificam esta crença baseados em I Pedro 3:18-20.
Estaria esta crença em harmonia com o ensino geral das Escrituras Sagradas?
De modo nenhum, porque afirmar que entre a crucifixão e a ressurreição, Jesus foi a algum lugar, ou desceu ao Hades, selecionou os espíritos dos antediluvianos, dos dias de Noé, e lhes pregou, concedendo-lhes segunda oportunidade, seria crer que a Bíblia advoga esta segunda oportunidade e também o estado de consciência na morte; da existência de algum lugar, como seja o purgatório, onde estão os espíritos desencarnados, doutrinas estas estranhas ao Livro Sagrado.
A resposta às perguntas que se seguem nos ajudará a equacionar o problema de conformidade com “um assim diz o Senhor”:
1) Quem eram os espíritos que estavam em prisão?
2) Que espécie de espíritos eram? Vivos ou mortos?
3) Quem lhes pregou?
4) Quando lhes foi pregado?
5) Pode a verdade ser ensinada aos mortos?
6) Defende a Bíblia a crença numa segunda oportunidade após a morte?
7) Qual é a prisão mencionada em I Pedro 3:19?
Será que houve algum problema com copistas ou de tradução, tornando a passagem obscura?
Comentários Gerais
1) Quem eram os espíritos que estavam em prisão?
A Bíblia usa espírito como sinônimo de pessoa, o ser humano vivente. Em 1 Cor. 16:18 – “Porque trouxeram refrigério ao meu espírito, isto é, a mim, a minha pessoa” Gál. 6:18 “A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja irmãos, com o vosso espírito” Vosso espírito, quer dizer convosco, a vossa pessoa
A primeira parte do verso 20 de 1 Pedro 3 parece identificá-los com as pessoas que viviam na terra. Eram seres humanos reais, como as “oito almas” que se salvaram na arca
2) Eram estes espíritos vivos ou mortos?
O termo espírito só é usado na Bíblia com referência aos vivos. Paulo em Heb. 12:22 e 23 dá as boas vindas aos novos membros que ingressaram na igreja – “espíritos dos justos aperfeiçoados”. O Apóstolo faz referências a pessoas viventes.
Em Núm. 27:15 –16, relata que Moisés, no término da vida, roga que um líder, dentre os vivos o substitua. O texto fala dos “espíritos de toda a carne”, isto é, seres vivos e não mortos.
Adam Clarke, vol. VI pág. 862, comentando esta passagem conclui pela impossibilidade de se tratar de “espíritos de desencarnados”, pois diz que a frase “os espíritos dos justos aperfeiçoados (Heb. 12:23) certamente se refere a homens justos, e homens que se acham ainda na igreja militante; e o Pai dos Espíritos (Heb. 12:9) tem referência a homens ainda no corpo; e o “Deus dos Espíritos de toda a carne” (Num. 27:16) significa homens, não em estado desencarnado”.
3) Quem lhes pregou?
O Dr. João Pearson, em sua Exposição do Credo, obra clássica da Igreja Anglicana, observa: “É certo, pois, que Cristo pregou àquelas pessoas que nos tempos de Noé foram desobedientes, em todo o tempo em que a longanimidade de Deus esperava e, conseqüentemente, enquanto era oferecido o arrependimento. E é igualmente certo que ele nunca lhes pregou depois de haverem morrido”. Este eminente teólogo, crente na imortalidade da alma, afirma que esta passagem não ensina tal doutrina.
As palavras “no qual” do verso 19 podem tanto referir-se ao Espírito Santo como a Cristo. O Comentário Bíblico Adventista, bem identificado, entre nós, pelas siglas SDABC, apresenta três explicações para a expressão “no qual”.
a) “No qual” refere-se ao termo anterior “Espírito” e o verso 19, significa que Cristo pregou aos antediluvianos, pelo Espírito Santo, através do ministério de Noé.
b) “No qual” refere-se ao termo anterior para a versão preferida, “espírito” que é a referência a Cristo, em seu estado preexistente, um estado que, como a sua glorificada natureza na pós-ressurreição, pode ser descrito como no “espírito”. Compare a expressão: “Deus é Espírito” João 4:24. A pregação de Cristo foi para os antediluvianos, “enquanto se preparava a arca”, portanto durante o Seu estado preexistente.
c) “No qual” refere-se ao verso 18 como um todo, e o verso 19 significa que em virtude da Sua ainda futura morte vicária e ressurreição no “espírito” Cristo foi e pregou aos antediluvianos através do ministério de Noé. Foi em virtude do fato, de que Jesus foi “morto na carne, mas vivificado no espírito” (verso 18), que Ele primitivamente pregou a salvação através de Noé e “foram salvos através da água”, aqueles que a aceitaram. Semelhantemente é “por meio da ressurreição de Jesus Cristo” que o batismo agora também nos salva (verso 21)
“A primeira destas explicações é aceita se a expressão “no qual “se refere ao Espírito. A Segunda e a terceira estão mais de acordo com a construção grega (dos versos 18 e 19), com o contexto imediato e com as passagens paralelas de outras partes do Novo Testamento”
4) Quando lhes foi pregado?
No verso 21 há a expressão “noutro tempo”, que claramente se identifica com o tempo em que “a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé”. O tempo era os dias de Noé, os 120 anos durante os quais Deus procurou libertá-los da prisão do pecado.
5) Pode a verdade ser ensinada aos mortos?
O ensino das Escrituras sobre o estado do homem na morte não admite tergiversações. Elas claramente nos afirmam que não há consciência na morte. Basta ler: Salmo 146:4; Ecles. 9: 5,6,10; Mat. 10:28; João 11:11; I Tes. 4:13.
Isaías 38:18 e 19 nos afiança que não há nenhuma esperança dos mortos aceitarem a salvação.
6) Defende a Bíblia a crença numa segunda oportunidade após a morte?
Os ensinamentos Bíblicos são muito evidentes em nos mostrarem que há apenas uma oportunidade para a salvação, isto é, nesta vida.
A leitura de apenas algumas passagens, como 2 Cor. 6:1-2; Heb. 3:7-8; 6:4-6; 9:27; Rom. 2:6 elucida bem o assunto.
A doutrina da Segunda oportunidade é antibíblica. Portanto, não deve ser aceita.
7) Qual é a prisão mencionada em I Ped. 3:18-20 ?
No Salmo 142:7 Davi suplicou que Deus tirasse a sua alma da prisão.
Prov. 5:22 nos afirma que a prisão que traz a alma prisioneira é a prisão do pecado.
Isaías 42: 6-7 nos informa que o trabalho de Cristo, quando viesse à Terra seria “tirar da prisão os presos”. O mesmo profeta messiânico no capítulo 61:1 profetizou a libertação dos cativos do pecado, por Cristo. Lucas (4:18) afirma que Cristo em sua cidade natal, aplicou as palavras de Isaías ao Seu ministério. O Espírito do Senhor me ungiu para proclamar libertação às almas presas pelo pecado.
Os seres a quem Jesus pregou “espíritos em prisão” eram pessoas presentes e bem vivas.
Que os antediluvianos estiveram bem presos na prisão do pecado é facilmente deduzível da leitura de Gên. 6:5-13
Seria possível um erro de tradução ou omissão de alguma palavra por copistas?
A tradução de Moffatt para o inglês é diferente, pois reza assim: “Cristo foi morto na carne, porém volveu à vida no Espírito. Também no Espírito Enoque foi e pregou aos espíritos em prisão, que haviam desobedecido no tempo quando a paciência de Deus aguardou, enquanto era construída a arca, nos dias de Noé”.
Por que Moffatt introduz na sua tradução a palavra Enoque, que não aparece em nenhum manuscrito grego?
Ao considerar qualquer trecho em grego, os eruditos, freqüentemente, utilizam um processo, que se chama “emenda”. Este processo consiste no seguinte, às vezes, os estudiosos crêem haver encontrado algo incorreto no texto como se encontra, porque algum escriba, parece haver copiado erroneamente, tornando o texto sem sentido. Portanto sugerem que determinada palavra deveria ser trocada, ou agregada alguma outra, mesmo que essa palavra não apareça em nenhum manuscrito grego.
No que se refere a esta mensagem, Rendel Harris sugeriu, que ao copiar o manuscrito de Pedro se omitiu a palavra Enoque e que deveria ser reincorporada. Ele diz que entre as palavras “kai” e “toi” se havia omitido a palavra Enoque.
A razão que ele apresenta para isto é a seguinte:
Como a cópia do manuscrito se fazia por ditado, os escribas estavam expostos a omitir palavras que aparecendo em sucessão tivessem um som semelhante – en ho kai Enoque
É uma sugestão interessante e engenhosa, mas que não devemos aceitar por falta de evidências comprovatórias.
Segue-se uma explicação para esta passagem dada por Artur S. Maxwell, aparecida na Revista Adventista, setembro de 1962, pág. 8:
“Na primeira epístola de S. Pedro ocorre esta estranha afirmativa: 1 Ped 3:18-20.
“Naturalmente, somos levados a indagar: Quem eram os espíritos em prisão? Como podia Cristo lhes pregar e quando? Não haverá aqui algum erro? Não. Se compararmos esta passagem com a história do dilúvio, em Gênesis 6, tudo se torna claro.
“As palavras “no qual” referem-se ao Espírito Santo, e foi por esse Espírito que Cristo pregou aos “espíritos em prisão” que no versículo 20 são definidos como pessoas que ‘noutro tempo foram desobedientes’. Esse ‘noutro tempo’ é claramente identificado como o tempo em que a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé.
“Assim, o tempo eram os dias de Noé, o lugar era o mundo antediluviano, e o meio pelo qual Cristo contendia com o homem era Seu Santo Espírito – fato claramente expresso em Gênesis 6:3. O ministério de Nóe, ministério presidido e motivado pelo Espírito, durou 120 anos – tempo durante o qual Deus procurou libertar o povo da prisão do pecado e salvá-lo na arca. A maior parte recusou o convite, salvando-se ‘através da água, apenas ‘oito’ pessoas’”.
Conclusões
Sintetizando as idéias aqui apresentadas concluímos com o sumário feito por Mary E. Walsh, em seu estudo bíblico sobre esta problemática passagem:
1. “Espírito”- verificamos referir-se a seres vivos e não a pessoas mortas
2. “Prisioneiro” – pessoa presa aos seus maus hábitos. Está na prisão do pecado
3. Cristo, enquanto esteve na Terra pregou, na sinagoga de Nazaré a almas aprisionadas. Sua mensagem visava libertá-los do pecado. Tanto Cristo quanto as pessoas a quem Ele pregava, estavam vivos.
4. Ao ler com atenção 1 Pedro 3:18, verificamos que o Espírito Santo que ressuscitou dos mortos a Cristo, foi o meio usado por Cristo para advertir o povo do tempo de Noé, de que estava iminente o dilúvio e se preparassem para entrar na arca. Não obstante, eles rejeitaram a mensagem, e somente Noé e sua família foram salvos.
Não há, pois, nestes passos, insinuação alguma de que enquanto esteve na sepultura, Cristo haja pregado. Essa doutrina é ensinada pela Igreja Católica, sem apoio nas Escrituras. – O Ministério Adventista, Março-Abril, 1963, pág. 23.
[FONTE: APOLINÁRIO, Pedro. Explicação de Textos Difíceis da Bíblia. 4a Edição Corrigida, p. 227- 234]
Veja uma das perguntas que recebi por e-mail e que tive a oportunidade de responder também no Programa:
“Sou evangélica, mas não acredito que o que mais importe para Deus seja a roupa… O que você diz sobre isto? Meu pastor afirmou que não devo vestir-me como homem e também pintar meus cabelos brancos, que tanto me incomodam… Será que ao fazê-lo estarei pecando contra Deus?” R.B., por e-mail.
Vamos à resposta bíblica, levando-se em conta o contexto cultural de Deuteronômio 22:5 e 1 Coríntios 11 – capítulos que geram (não por culpa da Bíblia, mas, do ser humano) controvérsias desnecessárias:
As normas existentes em muitas igrejas quanto ao uso da calça para mulheres e do corte de cabelo originaram-se devido às equivocadas interpretações de Deuteronômio 22:5 e 1 Coríntios 11:3-15. Tais textos, quando estudados à luz do contexto histórico, de modo algum apóiam a ideia de que o tipo de roupa usado pelas mulheres cristãs não possa variar com o passar dos anos; ou, que o cabelo delas não possa ser cortado. Farei uma breve análise com você a respeito do assunto para que tire suas próprias conclusões:
Deuteronômio 22:5 foi escrito numa época em que não existiam calças compridas, muito menos para mulheres. Naquele tempo, nem se cogitava a fabricação de tal produto. Portanto, Moisés não está tratando da calça comprida.
Moisés está orientando as mulheres para que não se vistam como homens. Lembremos que naquela época (e também nos tempos de Jesus), os homens usavam uma vestimenta que mais se assemelhava a uma saia…. O que diferenciava a vestimenta da mulher era uma espécie de cinto para prender a roupa na cintura (o homem usava um cinto de cor mais neutra. A mulher, algo mais colorido). É bem provável que o assunto tratado aqui seja o do travesti.
Na escócia, por exemplo, é costume os homens usarem saia. Será que Deus deixará de amar e salvar os escoceses por isto? De modo algum. Tal vestimenta faz parte da cultura deles (assim como nos tempos bíblicos). Assim, se algum pastor quiser fundamentar uma doutrina a respeito do vestuário na Bíblia, sem levar em conta o contexto histórico, terá também que ensinar aos irmãos da própria igreja a voltar a usar túnicas, parecidas com saias… O problema todo seria resolvido se levassem em conta que a roupa e o corte do cabelo são questões que variam de um tempo para outro.
Esses conceitos iniciais nos ajudam a entendermos o próximo texto bíblico.
1 Coríntios 11:3-15 foi escrito noutro contexto social. Na cidade de Corinto, uma mulher que cortasse o cabelo ou deixasse de usar o véu estava dizendo perante a sociedade que não mais estava sob a responsabilidade do marido, pai ou irmão mais velho e que, dali em diante, se tornara uma prostituta. Assim, para que as irmãs não fossem confundidas com as prostitutas e o testemunho delas se tornasse uma pedra de tropeço para a pregação do evangelho, Paulo pediu a elas que acatassem àquele costume da cidade de Corinto. Seria horrível para a igreja cristã se as irmãs fossem rotuladas por aquela cultura como sendo prostitutas. Já nos dias do Antigo Testamento, uma mulher prostitua foi identificada por encobrir o rosto com um véu (Gênesis 38:15). Percebeu o fator cultural?
O mesmo se dava em relação aos homens: em Corinto, todo aquele que deixasse o cabelo crescer era considerado homossexual. Já na época de Jesus (e do Antigo Testamento), o homem usava cabelo comprido normalmente. Era em Corinto que havia tal preconceito.
Assim, podemos ver que o assunto da calça comprida e do corte de cabelo não são princípios, mas questões culturais. Há na Bíblia costumes, que podem variar com o tempo por que foram dados apenas para um povo, de forma local. Existem também princípios, que são eternos, por terem sido transmitidos a todos e não a um povo específico. Nisto se enquadra o Sábado como dia de adoração e culto. Sendo que esse mandamento consta no Decálogo e que foi ordenado a todas as pessoas, não apenas para os judeus (ver Gênesis 2:1-3, Isaías 56:1-7, Marcos 2:28, etc.), deve ser observado para sempre em memorial ao Deus Criador. É importante diferenciarmos na Bíblia um PRINCÍPIO de um COSTUME.
Infelizmente, muitos se apegam a um costume cultural e deixam de lado um princípio universal e moral como o Sábado do Criador.
É lícito e correto o cristão se vestir decentemente e com modéstia (1 Timóteo 2:9), pois inclusive em nosso modo de vestir podemos refletir o caráter de Jesus. Porém, isto não significa que devamos ser desleixados com nossa aparência ou com o corpo, pois isso desagrada a Deus. Aqui podemos tratar do pintar o cabelo. Se a pessoa o faz por uma necessidade, para corrigir um problema ocasionado pelo pecado (Deus não criou o ser humano para envelhecer) qual o problema nisto? O errado seria pintar o cabelo com cores chamativas, que não levam a atenção dos outros para Deus.
Sendo que o corpo é o “templo do Espírito Santo” (1 Coríntios 3:16-17, 6:19-20) e o cabelo faz parte dele, também deve ser cuidado. Entretanto, tal questão (de cortar ou não o cabelo) deve ser analisada por cada um, individualmente, respeitando a opinião daqueles que pensam diferente. Também nesse tipo de atitude nosso cristianismo é manifesto.
Espero que essas reflexões lhe ajudem.
Um abraço,
Leandro Quadros.
Quando estudamos Apocalipse 13 podemos ver que, no fim dos tempos, dois poderes representados por bestas se unirão para obrigar as pessoas a aceitarem o domingo como dia santificado no lugar do Sábado bíblico* (Êxodo 20:8-11). Neste momento, ao analisar o capítulo 14, veremos que Deus tem Três Últimos Recados Para a Humanidade antes da gloriosa volta de Jesus. Esses Três Últimos Recados são a forma de um Deus de amor clamar para que os Seus filhos não escolham o sinal da besta. No terreno religioso não podemos ficar neutros: aceitamos a Deus ou não. Não há meio termo (conferir Apocalipse 3:15 e 16).
O capítulo 14 de Apocalipse pode ser divido em pelo menos três partes:
A primeira parte menciona a vitória dos que foram salvos por Cristo e perseveram em segui-Lo até o fim (versos 1-5);
A segunda parte apresenta os Três Últimos Recados de Deus à Humanidade (versos 6-12);
A terceira parte trata da volta de Jesus, para recompensar os fiéis e punir os infiéis (versos 13-20).
A seguir, estudaremos de maneira breve as principais divisões do capítulo 14:
Versos 1-5
Aqui, vemos o “cordeiro”, Jesus Cristo (João 1:29) em pé diante do monte Sião juntamente com os salvos. Em gratidão ao que o Salvador fez por eles, os salvos de todos os cantos da Terra e de todas as épocas cantarão louvores ao Criador.
O verso 4 afirma que eles “não se contaminaram com mulheres”. “Mulher” em profecia significa igreja (2ª Coríntios 11:2 – compare com Apocalipse capítulos 12 e 17). Sendo assim, os salvos decidiram não se contaminar com as crenças erradas das igrejas que não seguem totalmente a Palavra de Deus. Estes fiéis não dividiram o seu amor com Deus e com suas denominações religiosas que não aceitaram o selo de Deus nos últimos dias (o Sábado – Ezequiel 20:12; 20 – Compare com Apocalipse 7:1-4). Eles dedicaram todo ao Eterno e, assim, não se contaminaram. Por isto, “não se achou mentira na sua boca”.
Versos 6-12
Nesta parte chegamos ao tema central do capítulo 14. É muito importante que você estude com carinho e atenção as mensagens que Deus tem aqui. Que o Espírito Santo lhe guie na compreensão deste capítulo!
O apóstolo João disse que viu um “anjo voando pelo meio do Céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que se assentam sobre a terra, e a cada nação, e tribo, e língua, e povo”. O termo “anjo” significa “mensageiro” e, em Apocalipse 14, representa aquelas pessoas que serão “mensageiras” de Deus para anunciar as três últimas mensagens divinas ao mundo.
PRIMEIRO GRANDE RECADO DE DEUS À HUMANIDADE
“… teimei a Deus e dai-lhe glória, pois é chegada a hora do seu juízo; e adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas” Apocalipse 14:7.
Deus nos avisa que “é chegada a hora do seu juízo”. Isto se refere à primeira fase do juízo que já começou, no Céu. Este juízo é conhecido como juízo investigativo e serve para: (1) mostrar ao universo que os filhos de Deus realmente O aceitaram como Salvador e, portanto, são dignos da salvação [os anjos não são Oniscientes com Deus] e (2) condenar o poder representado pelo “chifre pequeno” de Daniel 7, que corresponde ao poder representado pela besta em Apocalipse 13:1-10. (Sobre o porquê de um juízo de investigação, leia todo o capítulo 7 do livro de Daniel. Outro texto que fala de modo claro deste juízo é 1ª Pedro 4:17, entre outros).
Em seguida, os seres humanos são convidados a ADORAREM “aquele que fez o Céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas”. Veja que o desfecho final entre o bem e o mal envolve a ADORAÇÃO (isto pode ser visto claramente em Apocalipse 13).
Não é por acaso que as últimas palavras de Apocalipse 14:7 são as mesmas de Êxodo 20:11. Veja:
“… fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas”. Apocalipse 14:7
“porque em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há, e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou” Êxodo 20:11.
Ao dar a razão pela qual devemos guardar o Sábado, deixando de lado as atividades cotidianas, os dois textos, juntos, estão dizendo: porque Deus criou todas as coisas em seis dias, vocês devem guardar o Sábado. Portanto, ADOREM a Deus no Sábado, dando sinal de que lembram dEle como Criador!
Ligando os dois textos podemos ver que a primeira mensagem de Apocalipse 14 é para que guardemos o Sábado em atitude de ADORAÇÃO.
SEGUNDO GRANDE RECADO DE DEUS À HUMANIDADE
“Seguiu-se outro anjo, o segundo, dizendo: caiu, caiu a grande Babilônia que tem dado a beber a todas as nações do vinho da fúria da sua prostituição” Apocalipse 14:8.
O termo “Babilônia” significa “confusão” e está relacionado com o momento em que Deus confundiu a linguagem humana, quando pessoas rebeldes queriam construir a torre de Babel em uma atitude de desafio ao Criador (ver Gênesis 11:1-9).
No Apocalipse, “babilônia” se refere a toda confusão religiosa que há no mundo. Hoje, existem milhares de religiões e seitas diferentes – o que tem confundido muitos, que se perguntam: “no meio de todas essas doutrinas, onde está a verdade?”
O “vinho” de babilônia são suas doutrinas falsas: observância do domingo, crença na existência de um espírito ou alma que sai do corpo por ocasião da morte, tormento eterno dos ímpios, adoração e veneração de imagens, etc.
A mensagem de Deus é: “um dia esta confusão religiosa (Babilônia) irá terminar”. Logo, “haverá um rebanho e um pastor” (João 10:16, última parte).
TERCEIRO GRANDE RECADO DE DEUS À HUMANIDADE
“Segui-se a estes outro anjo, o terceiro, dizendo, em grande voz: se alguém adora a besta e a sua imagem e recebe a sua marca na fronte ou sobre a mão, também esse beberá do vinho do vinho da cólera de Deus, preparado, sem mistura, do cálice de sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre, diante dos santos anjos e na presença do cordeiro. A fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos, e não têm descanso algum, nem de dia nem de noite, os adoradores da besta e da sua imagem e quem quer que receba a marca do seu nome. Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus” Apocalipse 12:9-12.
Na terceira e última mensagem angélica Deus adverte: se alguém adorar a besta e receber a sua imagem, ou seja, se aceitar o falso sábado, será castigado no lago de fogo e enxofre. Deus está dando um sério aviso para que não deixemos de lado a observância do Sábado da criação para seguir mandamentos de homens (Ver Mateus 15:3, 9).
E o lago de fogo?
Convém destacar que o lago de fogo não existe hoje. Este texto nos mostra que os injustos serão lançados no lago depois que Jesus voltar para dar a recompensa àqueles que aceitaram o sinal da besta. **
A crença de que os maus “estão num lugar de tormento” hoje não é bíblica. Veio do paganismo e é baseada em equivocadas interpretações dos textos bíblicos em que aparecem as expressões “inferno” e “tormento eterno”. ***
A expressão “fumaça do seu tormento que sobe pelos séculos dos séculos…” (verso 11) deve ser entendida à luz do contexto bíblico. Além disso, devemos lembrar que a forma de a Bíblia se expressar não é a mesma da nossa cultura portuguesa. Assim, precisamos entender o significado de certas expressões com base na cultura bíblica.
Lendo Isaías 34:9 e 10 podemos descobrir o que significa a “fumaça que sobe pelos séculos dos séculos”: “os ribeiros de Edom se transformarão em piche, e o seu pó, em enxofre; a sua terra se tornará em piche ardente. Nem de dia nem de noite se apagará; subirá para sempre a sua fumaça…”.
Notas:
Veja que os ribeiros de Edom não estão queimando até os nossos dias para que a sua fumaça suba “eternamente”. Portanto, a conclusão a que podemos chegar é que a expressão “fumaça que sobe pelos séculos dos séculos” simboliza, na linguagem bíblica, a completa e definitiva destruição dos ímpios. Além disso, não devemos esquecer que, o fato de a Bíblia apresentar a morte como sendo um sono sem sonhos, indica que os mortos estão inconscientes até o dia da ressurreição (ver o Salmo 6:5, 13:3, 115:17, Eclesiastes 9:5, 6 e 10, João 11:11-14, 1ª Tessalonicenses 4:13, etc.).
Já a expressão “fogo eterno” se refere ao um fogo eterno em suas conseqüências, ou seja: a pessoa será destruída e nunca mais ressuscitará. Ver Mateus 25:46. “Fogo eterno” não se refere a duração do castigo (Leia Mateus 11:21, 22 e perceba que há graus de castigo). Um exemplo bíblico de que a palavra “eterno” nem sempre significa um “período sem fim” encontramos em 1 Crônicas 28:4 e 29:27. O verso 4 afirma que Davi seria rei em Israel eternamente e, o verso 27 do capítulo 29, diz que a expressão eternamente equivalia 40 anos!
Em resumo, isso é o que dizem os Três Últimos Recados de Deus para a Humanidade:
• Adore a Deus também no Sábado;
• Não faça parte da confusão religiosa que existe no mundo;
• Não guarde o domingo como dia santo.
Qual será a sua resposta a Deus? Nós do programa “Na Mira da Verdade” queremos ser instrumentos nas mãos do Criador para ajudar você e sua família a estudar cada vez mais esse assunto tão importante (e que não é ensinado!)
Se precisar de auxílio, se sinta à vontade para manter contato. E, quando estiver no vale da decisão, considere as palavras dos apóstolos: “antes, importa obedecer a Deus do que aos homens” Atos 5:29.
Versos 13-20
No verso 13 lemos o conforto que Deus dá àqueles que morreram ou que terão de morrer por causa do evangelho. Em seguida, são apresentadas cenas que acompanharão o maior evento da história terrestre: a volta de Jesus, “sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória” Mateus 24:30 (última parte).
A “foice” na mão de Jesus simboliza a colheita que Ele fará no fim dos tempos: Cristo recolherá em seu “celeiro” os bons frutos, símbolo apropriado para os filhos fiéis (Mateus 13:30).
Em contraste, aqueles que não aceitarem o dom gratuito de Deus que é a salvação por meio de Cristo; que não decidiram ser fiéis às 3 mensagens angélicas, terão de ser destruídos, pois assim o escolheram. Essa destruição em massa é representada pelo lagar pisado fora da cidade com extensão de mil e seiscentos estádios ****
Ao final do terceiro e último recado de Deus é dito que os que decidirem seguir toda a Bíblia terão pelo menos três características. Vamos ler Apocalipse 14:12 e João 13:35:
“Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.”
“Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.”
Eis as características da igreja (composta de todos os filhos de Deus):
1) Guarda os mandamentos de Deus, inclusive o 4º que ordena a observância religiosa do Sábado;
2) Tem a a fé em Jesus;
3) Ama os irmãos na fé como resultado do amor de Deus no coração.
Amigo(a) internauta: Quer você fazer parte desse povo? Aceite o convite de Deus e guarde em seu coração os três avisos que Ele deixou em Apocalipse 14. Jesus está voltando. Nosso Pai Celestial quer o seu bem e deseja muito que você aceite o Seu amoroso convite para habitar no lar eterno. E, lembre-se: A escolha é sua!
“Aquele que dá testemunho destas coisas diz: “Sim, venho em breve!” Amém. Vem, Senhor Jesus!” Apocalipse 22:20 (Nova Versão Internacional).
Um abraço do amigo e irmão,
Leandro Quadros.
Notas:
* Para um estudo mais aprofundado, recomendo os seguintes livros: “O Grande Conflito”, de Ellen G. White; “Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse”, de C. Mervyn Maxwell; “Apocalipse Verso por Verso”, de Henry Feyerabend. Ambos podem ser adquiridos diretamente com a editora Casa Publicadora Brasileira pelo telefone 0800-979-0606 ou pelo site www.cpb.com.br
** Isto acontecerá depois do milênio. Ver Apocalipse 20.
*** Se quiser analisar o tema com vários textos bíblicos, poderá solicitar o material intitulado “O Inferno de Fogo”. Escreva para namiradaverdade@novotempo.org.br
**** Estádio é uma medida de distância que equivale a aproximadamente 185 m.
Como afirmei no programa (09/09/2009), biblicamente todos são predestinados para a salvação (Efésios 1:5) e só se perderá quem assim o escolher (na cruz, Cristo devolveu o livre-arbítrio do ser humano para poder decidir a quem irá seguir – 1 Pedro 1:2).
Os textos a seguir são muito claros em afirmar que Deus não predestina para a perdição eterna: Jeremias 21:8, Ezequiel 18:23 e 32; Mateus 7:21, Atos 10:34, 35, 17:30, 2 Pedro 3:9, Apocalipse 2:10, 22:17, etc. (Você lerá outros versos no presente estudo).
Para entender Romanos 9:13-18 – texto usado pelos Calvinistas “a favor” da predestinação (a não- bíblica), é importante seguir alguns passos (aprendi a fazer tal análise com o Dr. Reinaldo Siqueira, professor de Teologia no Centro Universitário Adventista em Artur Nogueira, SP):
1) Analisar a perícope (bloco de um texto que trata do mesmo assunto), que vai do capítulo 9 ao 11. É importante ler os três capítulos que tratam do mesmo tema, pois, é ao considerar o todo que podemos entender o específico (nesse caso, a mensagem que a Bíblia quer transmitir sobre a predestinação).
2) Ficar atento(a) às seguintes palavras-chave: “eleição” e “coração endurecido”.
Isso ajudará sua mente a entender o uso de tais termos no contexto bíblico.
3) Relacionar as seguintes informações e ideias contidas nos capítulos:
(1) Paulo está falando do povo de Israel;
(2) Deus e Sua Palavra não falharam em relação às promessas ao povo;
(3) Israel errou;
(4) A justiça vem de Deus, nas das obras;
(5) Não há diferença entre judeus e gentios (10:12). Deus abençoa a todos;
(6) Israel era rebelde e desobediente (10:21).
Perceba que o assunto já se torna mais fácil de entender: o endurecimento do coração veio da parte deles. Todo estudioso sabe que Deus é apresentado na Bíblia fazendo coisas que Ele não impede de acontecerem. Portanto, o Senhor não pode ser acusado pelo “endurecimento” do coração do povo (e muito menos de faraó – ver Êxodo 7, 8).
(7) Deus não rejeitou Israel (11:1);
(8) Deus conheceu o Seu povo de antemão (11:2);
(9) Alguns “ramos” (Israelitas) foram cortados por causa da incredulidade deles! (11:20).
Depois dessas informações, podemos concluir que:
(1) O “fazer vasos para a ira” da parte Divina depende da resposta negativa do pecador ao plano de Salvação. A pessoa se torna “vaso de ira” se rebelar-se e se desviar dos caminhos do Criador (11:22 e 23).
(2) Deus não faz ninguém ser um “vaso para ira” (1 Tessalonicenses 5:9), a não ser que a pessoa queira se perder (ver 1ª Timóteo 2:4; Apocalipse 22:17).
(3) O Senhor permitiu que todos, Israelitas e gentios, fossem pecadores (Romanos 3:23) para que todos recebessem a misericórdia (11:32).
Não é por acaso que Paulo finaliza do assunto com um hino de louvor a Deus por Sua Salvação disponibilizada a todas as raças! (compare com Mateus 24:14):
“Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” Romanos 11:36.
E, para finalizar: o texto que “resume a Bíblia” é suficiente (existem muitos outros, como demonstrei no programa) para derrubar a tese de que Deus predestina algumas pessoas “para a perdição”:
“Porque Deus amou ao mundo >[todos] de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê [não somente os “predestinados” no conceito de João Calvino] não pereça, mas tenha a vida eterna.” João 3:16.
Um grande abraço,
Leandro Quadros.
A seguir, a resposta que dei a uma internauta que acreditava ser Ellen White “contra” o ensino bíblico a respeito da Suprema Divindade de Cristo:
O texto do livro “Mensagens Escolhidas”, vol. 1, págs. 226, 227, é mais bem compreendido quando o lemos juntamente com algumas citações de Ellen White no livro “O Desejado de Todas as Nações”. Antes de passar-lhe tais textos, quero fazer um comentário sobre a citação que extraiu dos Testemunhos:
Ele não está escrito no original da forma como você apresentou. Diz Ellen White:
“Antes que fossem postos os fundamentos do mundo, Cristo, o Unigênito de Deus, comprometeu-Se a tornar-Se o Redentor da raça humana, caso Adão pecasse. Adão caiu, e Aquele que era participante da glória do Pai antes de existir o mundo, pôs de lado Suas vestes reais e Sua real coroa, e desceu de Sua alta autoridade para tornar-Se um Bebê em Belém, a fim de que, palmilhando o caminho onde Adão tropeçara e caíra, redimisse a humanidade caída. Sujeitou-Se a todas as tentações que o inimigo apresenta aos homens e mulheres; e todos os assaltos de Satanás não conseguiram fazê-Lo desviar-Se de Sua lealdade ao Pai. Vivendo uma vida sem pecado, testificou Ele de que todo filho e filha de Adão pode resistir às tentações daquele que primeiro trouxe o pecado ao mundo. Cristo trouxe aos homens e mulheres o poder de vencer. Veio ao mundo em forma humana, a fim de viver como homem entre os homens. Assumiu os riscos da natureza humana, para ser provado e tentado. Em Sua humanidade, era participante da natureza divina. Em Sua encarnação obteve nova intuição do título de Filho de Deus. Disse o anjo a Maria: “A virtude do Altíssimo te cobrirá com a Sua sombra; pelo que também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus.” Luc. 1:35. Ao mesmo tempo que era Filho de um ser humano, tornou-Se o Filho de Deus num novo sentido. Assim Se achou Ele em nosso mundo – o Filho de Deus, mas ligado, pelo nascimento, à raça humana.”em>
Vamos analisar as expressões em negrito:
“Unigênito de Deus” – No grego bíblico, o termo (monogenes) significa “o único da mesma espécie”. Aqui é dito que Cristo é o único “Filho” (no sentido hebraico do termo – igualdade, segundo João 5:18), entre os humanos (lembre-se: Cristo encarnou e se tornou parte da família humana) que é Divino como o Pai. Nós não o somos.
“Aquele que era participante da glória do Pai antes de existir o mundo”- Nessa frase, a autora está confirmando Miquéias 5:2 e Isaías 9:6, onde Jesus é chamado de “Pai da Eternidade”. Um Ser que é chamado de “Pai da Eternidade” não pode ser uma criatura.
“Suas vestes reais e Sua real coroa”- Só um ser Divino pode ser o Rei do Universo.
“Sua alta autoridade” – ou seja: mesma autoridade do Pai – leia João 5:21.
“Veio ao mundo em forma humana” – se ele veio em forma humana, isso significa que antes Ele tinha uma forma Divina. O trecho está de acordo com Filipenses 2:5-8.
“Em Sua humanidade, era participante da natureza divina” – Mesmo tendo encarnado, Jesus não deixou de ter a natureza divina. Não há na Bíblia a ideia de “um deus mais poderoso que outro”. Isso é pagão. Portanto, Cristo é Deus como é o Pai (e o Espírito Santo – ver Atos 5:3, 4).
“Ao mesmo tempo que era Filho de um ser humano, tornou-Se o Filho de Deus num novo sentido” - Em qual sentido? o restante da frase esclarece: “Assim Se achou Ele em nosso mundo – o Filho de Deus, mas ligado, pelo nascimento, à raça humana.”
Quando encarnado, Cristo tornou-se o Filho de Deus “num novo sentido” por que “Ele se achou em nosso mundo” e porque foi “ligado, pelo nascimento, à natureza humana”. A partir desse momento, o Salvador se torna “filho” também no sentido de depender do Pai para realizar Suas obras na Terra, pois, o Senhor não poderia usar o poder Divino dEle em seu próprio favor!
Percebeu? A citação está é confirmando a Divindade do Salvador e Sua igualdade com o Pai na Divindade.
Vamos a alguns textos do livro “O Desejado de Todas as Nações:
O Desejado de Todas as Nações, pág. 530:
“EM CRISTO HÁ VIDA ORIGINAL, NÃO EMPRESTADA, NÃO DERIVADA”.
Vamos reler, juntos: Em Cristo há vida original [Ele não se originou do Pai], não emprestada [o Pai não emprestou a vida a Ele], não DERIVADA [a vida de Cristo não derivou do Pai].
Como provar o contrário?
O Desejado de Todas as Nações, pág. 20:
“No princípio, Deus Se manifestava em todas as obras da criação. Foi Cristo que estendeu os céus, e lançou os fundamentos da Terra. Foi Sua mão que suspendeu os mundos no espaço e deu forma às flores do campo. “Ele converteu o mar em terra firme.” Sal. 66:6. “Seu é o mar, pois Ele o fez.” Sal. 95:5. Foi Ele quem encheu a Terra de beleza, e de cânticos o ar. E sobre todas as coisas na terra, no ar e no firmamento, escreveu a mensagem do amor do Pai”.
Perceba que Ellen White aplicou A JESUS o Salmo 66:6 e o 95:5 – que fala de Javé! Como duvidar que ela era Trinitariana?
O Desejado de Todas as Nações, pág. 24:
“Foi Cristo que, do monte Horebe, falou a Moisés, dizendo: “EU SOU O QUE SOU…. Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós.” Êxo. 3:14. Foi esse o penhor da libertação de Israel. Assim, quando Ele veio “semelhante aos homens”, declarou ser o EU SOU. O Infante de Belém, o manso e humilde Salvador, é Deus manifestado “em carne”. I Tim. 3:16. ”
Ellen White AFIRMA que Jesus é o Deus “Eu Sou” que falou com Moisés – o Eterno – e que Ele é “Deus manifesto em carne”, como afirma 1 Timóteo 3:16!
Portanto, é impossível dizer que Ellen White não cria na Trindade e na Divindade de Cristo!
Precisamos analisar todos os textos dela sobre o mesmo assunto para não corrermos o risco de o interpretarmos de forma errada, suscitar heresias e trazer para si a perdição eterna.
Estou a sua disposição para maiores esclarecimentos.
Fique com Deus!
Leandro Quadros.
Mais um amigo internauta questionou a validade do mandamento do Sábado, tão claro na Bíblia (Êxodo 20:8-11; Apocalipse 14:7). A seguir, veremos que (1) Jesus não era contra a Lei, mas sim contra a forma como era ensinada pelos líderes da época e que (2) Cristo e Paulo não observaram o sétimo dia “porque eram judeus” (como as pessoas tentam justificar o pecado usando 1 Coríntios 9:20-22 de forma ilícita!).
Ótimo estudo!
O Senhor não guardou o Sábado “porque era judeu” ou para “agradar judeus”. Ao estudarmos detidamente sobre o tema, veremos que o objetivo de Cristo ao guardar esse dia era o fato deste “ser um mandamento de Deus”, dado no princípio, antes de haver o pecado (ver João 15:10; Gênesis 2:1-3). Ele O fazia motivado pelo amor a Deus. O mesmo devemos fazer: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos.” João 14:15.
Outro fator que leva-nos a crer que Jesus não guardou o Sábado para agradar aos judeus é o fato do mandamento existir antes dos judeus. Quando Deus estabeleceu o dia de repouso (Jesus esteva presente na criação – ver João 1:1-3), não havia judeus na face da terra, mas apenas Adão e Eva (ver Gênesis 2:1-3. Não podemos supor de forma alguma que enquanto Deus “descansava”, ou seja, “cessava suas atividades” no Sábado, Adão e Eva trabalhavam…). Isto indica que o sábado é “do Senhor” (Êxodo 20:10) e não “dos judeus”.
Jesus guardou o Sábado a fim de obedecer ao mandamento divino; o fez para celebrar a criação de Deus, pois, sabia que o Sábado é um memorial do Criador. Ele ensinou enquanto esteve na terra a forma correta de guardá-lo (é dessa maneira que se devem entender textos como Mateus 12:1-14; Marcos 2:23-28; Lucas 6:1-11. O próprio fato de Jesus ser contra a maneira como o Sábado era guardado e intitular-se como Senhor do Sábado prova que Ele jamais teve a intenção de abolir a Lei. Basta analisar Mateus 5:17-19) e não da maneira fanática e extremista dos fariseus.
Com isto, não podemos dizer que Jesus guardava o mandamento para agradar judeus (Seus embates com os fariseus mostram o contrário…), sendo que muitas de suas discussões com os fariseus giravam em torno da forma como este dia deveria ser santificado.
Se Cristo tivesse o intuito de agradar os líderes da época, teria cedido às pressões farisaicas para que observasse o Sábado a seu modo. Como escreveu Christianini:
“Não foi com objetivo de agradar judeus, porque os desagradou bastante, a ponto de ser expulso da sinagoga e da cidade. Queriam atirá-lo ao precipício” – A.B. Christianini, Sutilezas do Erro (2º Edição Revista e Ampliada), p. 187.
Outra forte evidência a favor do mandamento encontra-se em Lucas 4:16 (confira o verso 31): “Indo para Nazaré, onde fora criado, entrou, num sábado, na sinagoga, segundo o seu costume, e levantou-se para ler.” Lucas 4:16. Ele ensinava neste dia “no poder do Espírito” (verso 14).
Evidências que não deixam dúvidas…
Quero analisar com você três palavras no texto, levando-se em conta a língua original em que foram escritas (grego): “segundo”, “seu” e “costume”. As informações a seguir extraí do Léxico Grego de Strong (Sociedade Bíblica do Brasil. CD ROM Bíblia Online. Versão 3.0):
“Segundo” – grego “kata”. Significados: 1) abaixo de, por toda parte; 2) de acordo com, com respeito a, ao longo de.
“Seu” – grego “autos”. Significados: 1) ele próprio, ela mesma, eles mesmos, de si mesmo. 2) ele, ela, isto; 3) o mesmo.
“Costume” – grego “etho”. Significados: 1) estar acostumado, habituado; 2) aquilo que é hábito; 3) uso, costume.
Veja que é impossível, de acordo com o original, apoiarmos a ideia de que Cristo “guardava o Sábado por ser judeu” ou por querer “agradar” tal povo. O termo “seu” no grego indica que tal “costume” (hábito) era de si mesmo. Lucas 4:16 poderia perfeitamente ser traduzido da seguinte forma: “… Jesus, de acordo com o seu próprio hábito, entrou num Sábado na sinagoga…”.
O apóstolo Paulo também guardou o Sábado. E você?
Interessante é que as mesmas expressões aparecem também em Atos 17:2. Isto indica, sem margem para dúvidas, que também o apóstolo Paulo guardava o sábado por sua própria convicção! Para comprovar isso, em Atos 16:13 temos um episódio em que Paulo guardou o sábado ao ar livre, em um lugar tranqüilo, longe das sinagogas e em um país estranho. Ora, se ele quisesse santificar o Sábado apenas para agradar os judeus, então por que o fez em uma província Romana? Isso se constitui numa prova fortíssima de que Paulo não guardou o sábado nesta cidade só porque ali havia mulheres judias; o fez também porque é um dos mandamentos de Deus.
Destaco também o fato de grandes comentaristas afirmarem que o mais provável era que Lídia não era de origem judaica, mas uma gentia convertida ao judaísmo (o termo “temia a Deus” [original] em Atos é usado para referir-se aos gentios que, como Cornélio, haviam aceito o judaísmo e adoravam a Deus [prosélitos]). Billy Graham, grande pregador, é sincero em afirmar que este texto (Atos 16:13) é um dos “pontos fortes dos Adventistas em favor do sábado”.
O evento registrado em Atos 13:42-44, ocorrido (aproximadamente) 45 anos após a cruz, indica que, mesmo após a morte o Salvador, o Sábado vigorou. Lembremos que naquela reunião “não estavam apenas judeus”, mas também gentios e prosélitos. Seria uma “ótima oportunidade para ensinar” (ou pelo menos introduzir o assunto) que o dia de repouso não mais vigorava… Mas, isso não aconteceu.
Atos 18:3-4 e 11 também é muito esclarecedor. Paulo, “segundo seu costume” (Atos 17:2 – já vimos o significado do termo “seu”, no grego), após uma semana de trabalho, discorria com seus ouvintes, judeus e gregos, acerca das Escrituras. Ele ficou nesta cidade (Corinto) um ano e seis meses, o que indica que ele teve tempo suficiente para ensinar ao povo que o dia de repouso “havia mudado”. Entretanto, ele não fez isto. Muito pelo contrário: durante este período, guardou nada menos que 78 Sábados. Isso não lhe diz algo?
Após essas evidências, a única conclusão a que podemos chegar é a de que, muito mais do que apenas manter contato com os judeus na sinagoga, o apóstolo Paulo observava o preceito porque “tinha prazer na lei de Deus” (Romanos 7:22) por considerá-la “santa, justa e boa” (Romanos 7:12) e porque amava seguir o exemplo de seu salvador (1 João 2:6; Gálatas 2:20; Lucas 4:16, etc.).
O apóstolo guardou o Sábado por toda a sua vida (Atos 25:8). Nunca foi contra a lei de Deus, mas sim oponente a um sistema religioso que considerava a lei um meio de salvação ([Ler 1 Timóteo 1:8.] Vemos isso especialmente em Gálatas e Romanos. Lendo os capítulos 7 e 8 deste último livro podemos ver que nós estamos livres é do pecado e não da lei. Quando o apóstolo afirma que “morremos para a lei” [Romanos 7:4] o faz no sentido de que não dependemos dela para ser salvos, pois, não somos mais condenados por ela. Compare com Romanos 6:14, 7:25, 3:31, 6:15).
E, para finalizar: o apóstolo não considerou a lei de Deus como sendo “ministério da morte…” (2 Coríntios 3:7) e muito menos “transitória” (2 Coríntios 3:13), pois lei não é sinônimo de ministério. “Ministério da morte” refere-se à antiga ministração da lei, ou seja, aos meios como era ensinada e aplicada. O que foi “abolido” no verso 14 é o “antigo concerto”. A forma como era ensinado o evangelho (por meio de sacrifícios de cordeiros que simbolizavam a Cristo – João 1:29) não era mais necessária.
A palavra grega que aparece no verso é diatheke (concerto, acordo) e não nomos (lei). Conquanto o decálogo fizesse parte do antigo concerto [em algumas ocasiões a Bíblia chama a lei de Aliança (ver, por exemplo, Deuteronômio 4:13). Isso ocorre não porque a lei em si seja o antigo concerto, mas porque ela possuía uma íntima relação com ele. [A fim de entender melhor esta forma bíblica de expressão, compare Deuteronômio 4:13 com o cap. 9:21]. A lei possuía existência independente e, portanto, não cessou juntamente com a antiga aliança (mesmo sendo salvos pela graça não deixamos de guardar os mandamentos, entre eles: “não roubarás’, “não dirás falso testemunho”… ). Prova disto encontramos no fato de, sob o Novo Concerto, a lei ser “escrita no coração” daquele que segue a Cristo (Leia Jeremias 31:33, Hebreus 8:10).
O Sábado é uma das únicas instituições (a outra é o casamento) que ainda possuímos de um mundo sem pecado. Não o tiremos de nossa experiência cristã.
Deus lhe ilumine,
Leandro Quadros.
[Noutra ocasião, lhe darei dicas de como guardar o Sábado de maneira agradável!]
Os que os médicos dizem sobre o “beber socialmente”?
O Dr. César Vasconcellos de Souza (médico psiquiatra) no seu artigo “Vinho faz bem ao coração?” [Para maiores detalhes, acesse o site www.portalnatural.com.br] fornece outras informações sobre os malefícios do álcool: “O fígado é o principal órgão responsável pela metabolização do álcool. Em média se gasta uma hora para o fígado processar um drinque. Se uma pessoa permanece bebendo 3 drinques por dia o corpo mostra sinais de estresse pela sobrecarga do trabalho de eliminação do álcool. Após poucas semanas ingerindo 4 ou 5 drinques por dia as células do fígado começam a acumular gordura, e se a pessoa insiste em beber pode surgir hepatite alcoólica, com inflamação e destruição das células do fígado. Isto conduz à cirrose, que é uma doença irreversível e progressiva que leva à morte. Cerca de 15% das pessoas que insistem em beber após a hepatite alcoólica, desenvolve cirrose hepática”. Sobre os “benefícios” que o vinho traz para o coração, segundo alguns estudos, o médico explica: “Quanto ao fato de o vinho ser ou não benéfico, um estudo feito no Segundo Departamento de Cardiologia do Hospital Geral da Universidade de Attikon, na Grécia, (publicado em Dez 2005 pela revista científica Euro Journal Cardiovascular Prev. Rehabil., 2005 Dec; 12(6):596-600, com o título “Componentes polifenólicos de uvas vermelhas melhoram a função endotelial em pacientes com doença cardíaca coronária”), mostrou que tomar vinho tinto melhora a dilatação dos vasos sanguíneos atuando no endotélio (tecido da parede dos vasos). No estudo foi dado a um grupo de homens que tinham doença cardíaca coronariana um extrato de polifenol extraído de uvas vermelhas (600mg) dissolvido em 20ml de água e também deram os 20ml de água com um placebo (substância sem efeito nenhum) como se fosse o extrato da uva, assim que todos os homens pensavam que estavam tomando o extrato da uva e eles foram escolhidos ao acaso pelos pesquisadores. Usaram ultra-sonografia de alta resolução para avaliar a dilatação da artéria braquial após uma hiperemia provocada pela obstrução com um garrote no braço. Mediram a dilatação em jejum, e 30, 60 e 120 minutos após terem tomado o extrato ou placebo. O resultado encontrado foi que os que tomaram o extrato da uva tiveram realmente uma dilatação da artéria atingida após 60 minutos a qual foi muito maior do que o que ocorreria normalmente naquelas circunstâncias. Não ocorreu nenhuma mudança na dilatação da artéria dos homens que tomaram o placebo. Os pesquisadores concluíram que os componentes polifenóis de uvas vermelhas melhoram a função endotelial nos pacientes com doença cardíaca coronária. Estes resultados, segundo eles, poderiam provavelmente explicar, pelo menos em parte, os efeitos favoráveis do vinho tinto para o sistema cardiovascular. O álcool (etanol) é tóxico para o organismo humano, mas componentes da uva são saudáveis”.
O álcool arruína o fígado e o corpo, considerado o templo, santuário do Espírito Santo (1Cor. 3:16-17; 6:19-20). Portanto, o corpo é algo sagrado, do qual Deus pedirá contas no dia do juízo (2Cor. 5:10).
É por isso que o apóstolo Paulo disse que uma pessoa não pode ser cheia de vinho alcoólico e do Espírito Santo, ao mesmo tempo. Terá que escolher entre o vinho e o Espírito de Deus:
“Não se embriaguem com vinho, que leva à libertinagem, mas deixem-se encher pelo Espírito” Efé. 5:18.
Podemos concluir que a Palavra de Deus condena o vinho alcoólico. E, não poderia ser diferente, pois o álcool contribui (só para enumerar algumas coisas) para o aumento de mortes em acidentes de trânsito, acaba com as famílias, marca negativamente as pessoas que tiveram um parente alcoólatra, vicia, tirando a liberdade dada por Deus, impulsiona homicídios e destrói as células nervosas que são tão importantes para a nossa comunicação com o Espírito Santo. Antes de bebermos algo ou usarmos qualquer tipo de alimento, devemos considerar com reverência as palavras de 1Cor. 10:31: “Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus”.
Acho muito estranha a ideia de que “beber socialmente não faz mal à saúde.” Além disso não ser verdade (como verá a seguir), o fato de existirem muitos alcoólatras já é prova suficiente de que o melhor é não beber. Afinal, ninguém bebe para ser alcoólatra… Começa-se aos poucos.
A seguir quero repartir com você um estudo sobre o termo “vinho”, como é usado na Bíblia. Verá também que os benefícios para o coração não se encontram no álcool e sim nos “flavonóides” – que estão presentes na casca da uva. Para reforçar: o Dr. Helevom Rosa, grande amigo meu, me disse que há um estudo no RS onde a pesquisadora comprovou que o puro suco da uva tem 30% mais flavonóides que o vinho com álcool! Fica aí um alerta também aos médicos que costumam “orientar” os pacientes a tomarem um pequeno cálice de vinho logo após as refeições. Por que não indicar o puro suco da uva, que tem mais flavonóides?
Bom, espero que o estudo lhe seja útil. Um internauta o solicitou e espero que você também sugira novos temas a serem abordados aqui no blog do programa.
Ótima leitura!
Leandro Quadros.
Há diferentes palavras hebraicas e gregas para o termo “vinho”. Antes de explicar-lhe algo sobre isso, vou transcrever dois textos bíblicos que mostram claramente a diferença entre o vinho fermentado (alcoólico) e o não fermentado (não alcoólico):
“Para quem são os ais? Para quem, os pesares? Para quem, as rixas? Para quem, as queixas? Para quem, as feridas sem causa? E para quem, os olhos vermelhos? Para os que se demoram em beber vinho, para os que andam buscando bebida misturada. Não olhes para o vinho, quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente. Pois ao cabo morderá como a cobra e picará como o basilisco. Os teus olhos verão coisas esquisitas, e o teu coração falará perversidades. Serás como o que se deita no meio do mar e como o que se deita no alto do mastro e dirás: Espancaram-me, e não me doeu; bateram-me, e não o senti; quando despertarei? Então, tornarei a beber. Prov. 23:29-35.
“Assim diz o SENHOR: Como quando se acha vinho num cacho de uvas, dizem: Não o desperdices, pois há bênção nele, assim farei por amor de meus servos e não os destruirei a todos”. Isa. 65:8.
Aqui, podemos ver claramente dois tipos de vinho. Se fosse o mesmo, seria uma contradição. O primeiro texto trata do vinho com álcool. Seria impossível Jesus usar na santa ceia o tipo de vinho mencionado aí. Estaria indo contra a Bíblia. O segundo texto (Isa. 65:8), aborda o vinho sem álcool, do puro suco natural da uva.
Vamos ao estudo das palavras para se referir ao vinho, nas línguas originais da Bíblia [Os dados a seguir, quanto ao significado de tais palavras no original, foram extraídos do livro "Consultoria Doutrinária". Casa Publicadora Brasileira, 1979]:
No Antigo Testamento:
1) Tirôsh – essa palavra é usada para se referir ao vinho que não é alcoólico. Aparece 38 vezes no AT e está relacionada com coisas boas: Gên. 27:37; Sal. 104:15; Prov. 3:10; Oséias 2:22, etc.
2) Shekar – sempre usada para se referir ao vinho alcoólico: Prov. 20:1; Prov. 23:29 e 30; Isa. 28:7; Isa. 5:11, etc.
3) Yayin – palavra usada para se referir ao vinho em geral, tanto alcoólico quanto não-alcoólico. Ocorre 140 vezes no AT. 1Sam. 1:14; Isa. 55:1.
No Novo Testamento:
Também há 3 palavras para se referir ao vinho, só que palavras gregas (no Antigo Testamento, hebraicas)
(1) Sikera e (2) gleukos – usadas apenas 1 vez cada uma, fazendo alusão ao vinho fermentado e alcoólico: Luc. 1:15; Atos 2:13;
3) Oinos – é a mais empregada no Novo Testamento e é usada em referência tanto ao vinho fermentado quanto ao não fermentado. A Septuaginta (versão grega do Antigo Testamento hebraico que foi traduzida por 70 eruditos judeus – por isso, o nome “Septuaginta”) utilizou a palavra “oinos” para traduzir as palavras Yayin (vinho em geral) e tirôsh (vinho não fermentado): Luc. 7:33; João 4:46.
Podemos perceber que alguns termos hebraicos e gregos são usados tanto para o vinho alcoólico quanto para o vinho não alcoólico. Neste caso, devemos fazer uso do contexto bíblico - todos os versos sobre o assunto – para sabermos a que tipo de vinho o versículo bíblico está se referindo.
Entendendo alguns textos difíceis
Há versos sobre o vinho que não podem ser explicados apenas levando-se em conta o significado das palavras no original. Eis alguns exemplos: Deut. 14:26, Prov. 31:6 e 1Tim. 5:23. Tais versos devem ser entendidos em seu contexto, nas circunstâncias em que foram escritos.
(A) Deut. 14:26 – Deus tolerou nos dias do Antigo Testamento algumas práticas que Ele nunca aprovou. A tolerância foi por causa da ignorância e dureza de coração do povo. Pelo fato de o povo de Israel ter vivido no Egito, convivido com pagãos, alguns costumes perniciosos ficaram muito arraigados na vida deles: o uso de álcool, a prática da bigamia e poligamia, e o uso de jóias. Sendo Deus paciente e “grande na força da Sua compreensão” (Jó 36:5), suportou por um tempo tais costumes e, na medida em que o tempo passava, foi reeducando-os (Deut. 14:26) para que se parecessem cada vez mais com Ele. No Novo Testamento há mais luz sobre o assunto e hoje temos muitas informações sobre os malefícios do álcool. Veio o tempo quando Deus ordenou que todos os homens se arrependessem (Atos 17:30). E, aqueles que persistirem em suas práticas erradas mesmo tendo sido aconselhados e informados por Deus, não teriam mais desculpa para o seu pecado (João 15:22).
(B) Prov. 31:6 – o comentarista Metodista Adão Clarke assim explica esse texto em seu comentário bíblico: “Dai bebida forte para aquele que está morrendo. Já temos visto que bebidas embriagantes eram misericordiosamente dadas aos criminosos condenados, para torná-los menos sensíveis às torturas que enfrentariam na morte. Isto é o que foi oferecido a nosso Senhor, mas ele recusou” [Citado por Pedro Apolinário em "Explicação de Textos Difíceis da Bíblia" - 4ª edição, pág. 102.]. Essas bebidas eram feitas misturando ervas narcóticas. Nos dias de Jesus, oferecia-se ao indivíduo uma mistura de vinagre e fel (mesmo em momentos de dor, Cristo rejeitou tal substância, pois não queria perder a Sua consciência com os efeitos do álcool. Ver João 19:28 e 29 – compare com o Sal. 69:21, que profetizou esse evento. Que exemplo para o ser humano, que muitas vezes quer mergulhar-se no álcool para fugir dos seus problemas, sendo que a solução e cura vêm pelo “bater de frente” com a situação. Diante das situações desesperadoras Jesus nos orienta a irmos a Ele [Mat. 11:28-30] e não até a garrafa).
(C) 1Tim. 5:23 – para entendermos esse verso bíblico, precisamos saber o motivo que levou Paulo a dar esse conselho e também comparar o texto com outro escrito pelo mesmo autor, Efé. 5:18. Paulo orientou Timóteo a usar “um pouco de vinho” como remédio por causa de uma enfermidade, provavelmente no estômago. Alguns médicos hoje em dia também recomendam o uso de suco de uva devido à sua rápida absorção pelo sistema orgânico. E, Efésios 5:18 nos esclarece que esse “pouco de vinho” recomendado pelo apóstolo não poderia ser o alcoólico.
A Bíblia diz que há maldição para aqueles que bebem e/ou induzem outros a usarem bebidas alcoólicas: “Ai dos que se levantam cedo para embebedar-se, e se esquentam com o vinho até a noite!” “Ai daquele que dá bebida ao seu próximo, misturando-a com o seu furor, até que ele fique bêbado, para lhe contemplar a nudez”.
“Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida.”
A doutrina do juízo é uma das mais importantes da Bíblia, pois, nos conclama ao preparo para a volta de Jesus Cristo (Apocalipse 14:6, 7; 2 Pedro 3). Vemos em diversos textos que um dia Deus pedirá contas aos seres humanos de tudo aquilo que fizeram com a vida e com o corpo que Ele lhes deu (Eclesiastes 12:13 e 14; Mateus 16:27; Romanos 14:12; 2 Coríntios 5:10, etc.).
A Palavra de Deus também ensina que os filhos de Deus, antes da volta de Jesus, serão julgados (este é o chamado Juízo de Investigação ou Juízo Investigativo) a fim de que o universo possa comprovar que eles e Deus são justos (Deus será justificado ao mostrar que lidou corretamente com o pecado – ver Romanos 3:4). Tal juízo não é uma condenação, mas sim uma vindicação do caráter de Deus (das acusações de satanás) e de Seus filhos (ver Daniel 7:9 e 10; 2 Coríntios 5:10; 1 Pedro 4:17; Apocalipse 3:14-22; 1 Coríntios 15:51 e 52 (se essas pessoas foram consideradas dignas de receber a vida eterna, um julgamento tem de ter sido feito antes da volta de Jesus); Apocalipse 14:7, etc.) Antes de Jesus vir para “retribuir a cada um segundo as suas obras” (Apocalipse 22:12) Ele terá de fazer uma avaliação prévia na presença dos anjos (Daniel 7:9, 10) para mostrar-lhes quem permaneceu fiel a Ele até o fim. (no íntimo, que só Deus pode ver).
Como podemos harmonizar este ensino com João 5:24? Estudando a palavra grega para “juízo” neste texto, tudo ficará esclarecido. O termo usado é krisis e se refere ao Juízo Condenatório, aquele no qual os ímpios serão condenados, separados de Deus para todo o sempre. A versão bíblica Almeida Revista e Corrigida traduz corretamente este verso: “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou não entra em condenação…”. (Grifo acrescentado).
Deste modo, podemos concluir que o texto de João 5:24 não contradiz o ensino bíblico do Juízo Investigativo que ocorre antes da volta de Jesus, pois o tipo de juízo mencionado por Jesus neste verso é o Juízo Condenatório, do qual o crente não faz parte.
Um abraço,
Leandro Quadros.
“Pois, para este fim, foi o evangelho pregado também a mortos, para que, mesmo julgados na carne segundo os homens, vivam no espírito segundo Deus”.
A Bíblia é muito clara em afirmar que “os mortos não sabem coisa nenhuma” (Eclesiastes 9:5, 6, 19) e que eles estão dormindo (João 11:11-14; 1 Coríntios 15:18, etc). Também nos ensina que, para poderem ter vida novamente e irem para o céu, as pessoas que morreram têm de ser ressuscitadas primeiro (Lucas 14:14; 1 Coríntios 15:16-19,51-54; 1 Tessalonicenses 4:14-16, etc.).
A Palavra de Deus afirma que a ressurreição só ocorrerá na Segunda vinda de Jesus (1 Coríntios 15:23), “no último dia” (João 6:40).
Por que, então, o texto de 1 Pedro 4:6 “diz” que o evangelho “foi pregado a mortos”?
Utilizando-se do princípio exegético de que textos acerca de um mesmo assunto devem ser analisados em conjunto a fim de compreendermos uma doutrina; e que o contexto em que o mesmo foi escrito deve ser levado com conta, tudo ficará claro.
Pedro aqui não estava querendo dizer que o evangelho estava sendo pregado às “almas” dos mortos, como alguns ensinam. Ele disse (segundo o contexto) que o evangelho foi pregado para aqueles que agora estão mortos. A pregação foi feita quando eles ainda estavam vivos, e eles serão julgados com base nas obras deles feitas em vida. O verso 5 do mesmo capítulo comprova:
“os quais hão de prestar contas àquele que é competente para julgar vivos e mortos”. Os mortos (mencionados neste texto) serão julgados por que um dia (quando estavam vivos) o evangelho foi pregado a eles.
Sem dúvida, Pedro está falando sobre os mortos cristãos, por que ele refere-se a eles ressuscitando novamente “de acordo com Deus, no espírito”. Em outras palavras, eles irão receber a imortalidade na ressurreição.
Assim podemos entender este verso: O evangelho foi pregado àqueles que agora estão mortos para que eles possam ser julgados de acordo com os homens na carne, ou seja, pelo que viveram na carne; mas, viverão de acordo com Deus no espírito, ou seja, terão uma vida semelhante à vida de Deus.
Esta é a nossa esperança: se viermos a morrer, tendo vivido uma vida de comunhão com Jesus, no julgamento seremos aprovados e vamos ressuscitar com um corpo glorioso, como Jesus Cristo (Filipenses 3:20, 21). Não teremos um espírito sem corpo, mas, um corpo espiritual (Mesmo texto citado anteriormente).
A Bíblia nega o ensino de uma “segunda oportunidade de salvação após a morte” (Leia Romanos 14:12; 2 Co 6:1-2; Hebreus 3:7-8; 6:4-6; 9:27; Romanos 2:6).
Nenhum cristão ortodoxo aceitaria uma barbaridade dessas – de que após a morte é possível ter chance de arrependimento.
Portanto, Pedro não está ensinando que os mortos podem ouvir o evangelho.
Na Verdade de Cristo,
Leandro Quadros.
Uma pessoa escreveu-me dizendo ser a parábola do rico e Lázaro uma narrativa literal e também afirmou: “Os Adventistas estão mal assessorados na compreensão de Lucas 16:19-31″.
A seguir, a resposta:
Em uma parábola, pode-se dar nomes aos personagens. Não há uma regra literária que proíba ou mesmo condene o uso de nomes próprios em uma parábola, sendo que o objetivo desta é apenas ensinar uma lição moral e não servir de doutrina.
O fato de Jesus ter dado nome aos personagens não indica que ambos existiram e que o relato seja literal. “Sendo uma alegoria, os personagens não podem ser reais, por isso cremos, que nem o rico nem lázaro existiram. Se a declaração fosse real, nela haveria idéias pagãs, conceitos de tradição talmúdica e metáforas judaicas” . – Pedro Apolinário, Leia e Compreenda Melhor a Bíblia, [Instituto Adventista de Ensino, agosto de 1985. 2a Edição Ampliada], pág. 219.
Jesus contou esta história após uma seqüência de parábolas; por que este único relato não o seria? Com base nas melhores regras de interpretação do texto, se no mesmo bloco de assunto ( – Lucas 15 a 17:10 – perícope) há uma séria de parábolas, é claro que a do rico e Lázaro também o é!
O prezado amigo disse que “neste aspecto os Adventistas, ao contrário do que foi dito, não estão bem assessorados… quem compartilha com esta idéia são as Testemunhas de Jeová que nem na divindade de Cristo acreditam”. Com todo o respeito, está equivocado.
Comentaristas não adventistas (conquanto sejam imortalistas) crêem que este relato de Lucas 16:19-31 é uma parábola, entre eles: Hastings, Rand, Smith, Davis, Angus, entre muitos. Vamos a algumas citações:
“A narrativa por certo não foi engendrada por Jesus para a circunstância que a motivou. Isto porque há casos análogas e paralelos na literatura rabínica, e o Prof. Gressman os identifica como de origem egípcia, representados principalmente pelo conto SI-USIRE, o qual relata, com o realismo de quem conhece os segredos do além, como um mendigo de Mênfis, queimado sem honras, foi visto vestido de linho real no reino de Osíris, enquanto um homem rico que recebera suntuoso sepultamento na terra fora conduzido ao Hades.” – William Manson, The Gospel of Luke, The Moffatt New Testament Commentary (Harper and Brothers), pág. 190.
“Não há, na parábola, o propósito de dar informações acerca do mundo invisível. Nela é mantida a idéia geral de que a glória e a miséria depois da morte são determinadas pela conduta do homem antes da morte; mas os pormenores da história são extraídos das crenças judaicas relacionadas com a situação de almas no Sheol, e devem ser entendidas de conformidade com essas crenças. As condições dos corpos dos personagens são atribuídas a almas a fim de nos permitir compreender o enredo da narrativa.” – Rev. Alfred Plummer, Critical and Exegetical Commentary on the Gospel According St. Luke – New York – Scribners – 1920, pág. 393.
“Não há evidência clara de que os judeus nos dias de Jesus cressem num estado intermediário, e é inseguro ver nesta expressão [seio de Abraão] uma referência a tal crença.” – Sailer Mathews, art. “Seio de Abraão”, Dictionary of the Bible, James Hastings, pág. 6.
Smith, em seu conhecido dicionário bíblico, conclui: “É impossível firmar a prova de uma importante doutrina teológica numa passagem que reconhecidamente é abundante em metáforas judaicas.” – Dr. William Smith, Dictionary of the Bible, vol. 2, pág. 1038.
Edershein, em seu livro Life and Times of Jesus the Messiah, afirma categoricamente que a doutrina da vida além da morte não pode ser extraída desta parábola.
Diz um outro autor evangélico:
“Coisas omitidas da narrativa: o sangue que faz remissão, a graça que perdoa os arrependidos e a fé que descansa numa obra expiatória.” – S. E. Mc Nair. Guia do Pregador, vol. 1, pág. 36
O estudioso Charles L. Lewis, (evangélico) pondera:
“Não se admite, como pretendem muitos, que o seio de Abraão seja uma expressão figurativa da mais elevada felicidade celestial, pois o próprio Abraão em pessoa aparece na cena. Se, pois, ele próprio se acha presente numa cena literal, é incorreto usar seu seio, ao mesmo tempo, em sentido figurativo. Se seu seio é figurado, então o próprio Abraão também o é, e também a narrativa inteira” – Charles B. Ives, The Bible Doctrine of the Soul, 1877, págs. 54 e 55.
“Jesus serve-Se da concepção e crença comuns de Seu povo, a respeito de um estado intermediário entre a morte e a ressurreição final, para, num diálogo sublime e simbólico mantido no mundo invisível entre Abraão e o rico…” – Sátilas Amaral Camargo, Ensinos de Jesus Através de Suas Parábolas, pág. 165.
Conforme exposto pelo Professor Pedro Apolinário, “Bloomfield declarou com segurança: ‘Os melhores co¬mentadores, tanto antigos, como modernos, com razão consideram-na uma parábola’”.
Como pôde ver, não estamos mal assessorados… O relato de Lucas 16, quando examinado pormenorizadamente, evidencia claramente que o mesmo deve se tratar de uma parábola; caso fosse literal, muitos absurdos (um “espírito” sente sede, proximidade entre o Céu e o inferno a ponto de os mortos poderem conversar, Abraão seria o intercessor ao invés de Jesus, Deus não está presente no Céu, etc) teriam de ser aceitos como doutrina.
Analisando a parábola
É oportuno deter-nos em alguns aspectos da narração de Jesus a fim de que compreendamos se a mesma era literal ou seria apenas uma ilustração. O objetivo de Cristo certamente não era dar um estudo sobre a morte, pois Ele acreditava ser esta um “sono” (cf. João 11:11-14). Se o Senhor tivesse o propósito de falar acerca do mundo dos mortos teríamos de aceitar que:
Verso 23: o inferno está tão próximo do paraíso que de lá os ímpios podem enxergar os justos, inclusive conversar com eles;
Verso 24: um espírito bebe água, possui dentes e língua. Na verdade, isto mais parece um corpo humano do que um “espírito” (não poderia ser um corpo espiritual, pois a ressurreição ainda não ocorreu – cf. Verso 31);
Versos 24 e 27: Abraão é o intercessor entre Deus e os homens, ao invés do Senhor Jesus (ler 1 Timóteo 2:5);
Verso 25: Lázaro foi salvo por ser pobre, ou seja, pelas suas obras (ver Efésios 2:8 e 9);
Há na história contada por Jesus outros aspectos que nos levam a crer que a mesma não era literal: (1) por que a presença de Deus não foi notada no Céu, sendo que Ele está lá? (2) Se o “seio de Abraão” é o lugar para onde vão os salvos por ocasião da morte, para onde foram aqueles que morreram antes de Abraão sendo que ele morreu uns dois mil anos antes de Jesus ter vindo? (antes de Abraão morrer, muitos já não existiam…).
Sendo assim, é impossível crer na existência de um inferno com base na parábola do Rico e Lázaro.
Cristo apenas usou uma crença popular da época a fim de ensinar aos seus ouvintes que uma pessoa não irá para o Céu por ser rica, pois os fariseus achavam que aqueles que eram prósperos eram abençoados por Deus e os pobres, amaldiçoados (leia João 9:1-3).
Jesus inverteu os papeís para mostrar que a riqueza não é uma prova de que Deus está no comando da vida de alguém ou indicação de que esta pessoa será salva. E que a pobreza não determina a perdição.
E, a principal lição do Senhor está no final da parábola: “Abraão, porém, lhe respondeu: Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos.” Lucas 16:31. Se a pessoa não ouvir e crer na mensagem de Moisés e dos profetas (em todo o Antigo Testamento), não será convencida de que precisa ser salva mesmo que ressuscite uma pessoa dos mortos.
Extrair da parábola algo além do que ela quer ensinar é desconsiderar o contexto bíblico e a opinião majoritária (não que isso seja fundamento para uma verdade) de que Lucas 16:19-31 não é uma prova de que existe um “inferno”. É apenas um relato parabólico.
Um abraço carinhoso, na graça,
Leandro Quadros.
Gostei tanto da resposta do Pr. Francis D. Nichol (um dos melhores apologistas adventistas que já pisaram nesse mundo) sobre Mateus 10:28 que resolvi transcrevê-la para você. Se quiser estudar sobre outros textos, recomendo a leitura do livro de onde extraí a explicação a seguir. O título é “Respostas a Objeções”, publicado pela editora Casa Publicadora Brasileira. Ligue para 0800 -979 0606 ou acesse o site: www.cpb.com.br
Ótima leitura – e, sempre firme nas Verdades de Cristo!
Leandro Quadros.
Cristo disse: “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo”. Mateus 10:28. Isso prova que a alma e o corpo são duas coisas distintamente diferentes. O corpo pode ser destruído e a alma permanece. Portanto, a alma é uma entidade separada, que vive para sempre depois da morte do corpo.
Aqueles que ensinam a doutrina da imortalidade da alma ensinam não somente que as almas dos justos vivem. Ensinam que, embora o corpo seja destruído, a alma não é. Mas este texto explicitamente diz que é possível “fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo”. Em outras palavras, é possível “matar a alma”. Certamente, este é o último texto no mundo que o defensor da alma imortal deveria apresentar para apoiar sua crença.
Mas o crente na imortalidade da alma nos lembrará que o texto no mínimo deixa claro que o corpo é uma coisa e a alma outra; e, portanto, a alma deve ser considerada uma entidade separada. A palavra grega aqui traduzida por “alma” é psiquê. Isso ocorre em cada exemplo onde a palavra “alma” é encontrada no Novo Testamento na Versão King James. Mas, há muitos exemplos onde psique é traduzida por “vida”. Os tradutores, que não eram inspirados, mas eram crentes em uma alma imortal, variaram a tradução de psiquê de acordo com sua melhor compreensão, e inevitavelmente através dos olhos de sua teologia. Não questionamos sua honestidade; somente sua exatidão.
Note as seguintes palavras de Cristo conforme traduzidas na Versão Almeida Revista e Atualizada: “Porquanto, quem quiser salvar a sua vida [psiquê] perdê-la-á; e quem perder a vida [psiquê] por minha causa achá-la-á. Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma [psiquê]? Ou que dará o homem em troca da sua alma [psiquê]?” Mateus 16:25, 26.
Obviamente, os tradutores não podiam traduzir psiquê no verso 25 como “alma” sem criar um dilema teológico de primeira ordem.
No verso 26, “perder a psiquê” significa perdê-la no fogo do juízo que devorará os condenados. Mas, no verso 25, Cristo diz que é possível um homem “perder a psiquê” por Sua causa! Os tradutores resolveram um dilema e salvaram sua doutrina da imortalidade da alma traduzindo psiquê como “vida” no verso 25 e como “alma” no verso 26. Poderíamos acrescentar que os tradutores da American Standard Version e os tradutores da Revised Standard Version traduzem psiquê como “vida” em ambos os versos.
Voltemos agora a Mateus 10:28: “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma [psiquê]; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma [psiquê] como o corpo”.
Quando a palavra “alma” é substituída por “vida”, como pode adequadamente ser, qualquer aparência de um argumento para a doutrina da imortalidade da alma desaparece. De fato, o texto torna-se um dos mais fortes em apoio da doutrina de que virá o dia em que os ímpios terão sua própria vida destruída. E, se isso não significa aniquilamento final, não sabemos como este significado poderia ser transmitido em palavras.
Darei uma breve resposta a esta questão muito importante:
As Três Pessoas da Trindade exercem funções diferentes no plano de Salvação. O Filho glorifica o Pai e o Espírito Santo glorifica o Filho (e, por que não, o Pai também). Deste modo, não é de admirar o fato de o Espírito Santo não ser mencionado “diretamente” como estando assentado em um trono, pois este não é o Seu propósito. Ele quer exaltar o Pai e o Filho. (ver João 16:14).
Mas, há um detalhe para o qual devemos atentar (esse argumento aprendi ao estudar o livro “A Trindade” – Casa Publicadora Brasileira): a Bíblia dá sim a entender a presença do Espírito Santo no trono Divino. É isto mesmo. A presença do Espírito Santo está subentendida em Apocalipse 22:1 na expressão “rio da (água da) vida” que sai do trono. isso porque a água é um dos símbolismos do Espírito – especialmente no evangelho de João: “No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado.” João 7:37-39.
Além desta evidência bíblica, há referências literárias, inclusive na tradição judaica, que identificam o “rio da vida” com o Espírito Santo.
Fique com Deus,
Leandro Quadros.
Os textos de Paulo referentes à participação da mulher no culto público (1 Timóteo 2:8-15; 1 Coríntios 14:34) devem ser entendidos à luz do contexto histórico e cultural dos dias dele.
A Bíblia não considera a mulher inferior ao homem, pois, ambos foram criados à imagem de Deus (Gênesis 1:26 e 27). Eva inclusive foi tirada de uma costela de Adão, DO SEU LADO, o que indica que ela era IGUAL a ele em importância. Deus não a fez do “osso do pé” de Adão, para não ser inferior e nem do “osso da cabeça”, para não ser superior. A palavra de Deus exalta a mulher. Apenas difere a mulher do homem em sua função depois da entrada do pecado. O homem agora é o cabeça do lar e ela, o coração do lar. Deus achou melhor que o homem fosse o chefe da família no contexto de pecado em que vivemos.
Se 1 Timóteo 2:8-15 fosse interpretado sem levar em conta o porquê de Paulo ter dato tal orientação, até Ellen White, a profetisa chamada por Deus, estaria errada em pregar. Ela era uma grande pregadora e muitas pessoas se converteram com seus sermões. E mais: se devemos entender tal declaração de Paulo como sendo um princípio (ao invés de uma norma cultural) para todas as culturas, de todas as épocas, então as mulheres nos dias de hoje devem usar o véu e o cabelo comprido (1 Coríntios 11:2-16). E, não poderíamos nem mesmo apreciar as lindas vozes de nossas cantoras nos dias de culto, já que elas não podem se expressar diante do público.
Paulo falou para culturas em que era “vergonhoso” (conferir 1 Coríntios 14:35) as mulheres falarem em público (em Corinto, era indecente aparecer sem o véu ou com o cabelo cortado). O Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia afirma sobre 1 Coríntios 14:35: “… os costumes dos gregos e dos judeus ordenavam que as mulheres se retirassem quando se discutiam os assuntos públicos. A violação desse costume seria considerada como uma desonra e teria sido uma vergonha para a igreja”.
Que isso era apenas uma questão cultural podemos ver no fato de que a Bíblia mencionar mulheres chamadas por Deus para serem profetisas e até mesmo ocupar cargos de liderança: Débora (juíza e profetisa – Juízes 4: 4 e 5), e as 4 filhas de Felipe (profetisas – Atos 21:9), por exemplo. O próprio Paulo contava com a cooperação das mulheres na pregação do evangelho (Filipenses 4:2, 3; Romanos 16:3, 6, 12, 15).
Hoje, em nossa cultura, não é vergonhoso uma mulher falar publicamente. Pelo contrário: a mulher está cada vez mais ocupando o seu espaço, inclusive no comando de grandes empresas. Claro que não devemos aceitar que a mulher perca o seu papel destinado por Deus. Ela é insubstituível em sua função de professora dos filhos, no preparo deles para a vida eterna.
Assim, não há nada na Bíblia que proíba e mulher, em nossa cultura, de ensinar e pregar.
Um abraço a todos os amigos do blog,
Leandro Quadros.
Veja o relato a seguir:
“Meu marido toma algumas decisões e não considera os meus sentimentos e opiniões. Constantemente cita os textos bíblicos em que a mulher deve ser submissa ao homem. Devo me submeter até que ponto?” I. Q., por e-mail.
A seguir, as orientações bíblicas dadas a ela:
O seu esposo está com uma compreensão equivocada do que significa a submissão da mulher ao marido. E, se ele não mudar os conceitos, o casamento de vocês estará em sério risco. Levando-se em conta também o verso 21 do capítulo 5 (que muitos não fazem questão de ler…), o assunto ficará mais bem esclarecido: “sujeitando-VOS UNS AOS OUTROS no temor de Cristo.”
Veja que o marido também deve SE SUJEITAR a sua esposa, “no temor de Cristo”. Sujeitar a ela as suas afeições, seu amor e torná-la parte importante de sua vida.
Alguns se apóiam apenas nos versos 22 e 23 de Efésios 5 para defender a ideia antibíblica de que a mulher, por ser submissa, “não precisa tomar parte nas decisões do lar”. É necessário ler TODO O CONTEXTO DOS VERSOS e, ao mesmo tempo, lembrar que, para, Deus marido e mulher formam “uma só carne” (Gênesis 2:24; Mateus 19:5). Isto envolve uma união íntima, sexual, e também união em outros aspectos da vida conjugal, inclusive no tomar decisões. Isto é uma demonstração de amor, interesse e respeito.
Quando levamos também em conta os versos 25-33 de Efésios 5, vemos que A SUBMISSÃO A QUE A BÍBLIA SE REFERE É AQUELA BASEADA NO AMOR DO MARIDO. E esta submissão é do mesmo tipo de submissão que a igreja tem para com Cristo. A submissão é um respeito pelo marido, um reconhecimento de que ele é o CABEÇA do lar. Ao mesmo tempo, o esposo não deve se esquecer que a esposa é o CORAÇÃO do lar.
Pergunto: Cristo é um carrasco para a igreja? Não a deixa tomar as decisões com Ele? De modo algum! Jesus AMA A IGREJA COMO A SI MESMO! DO MESMO MODO, OS MARIDOS DEVEM AMAR AS SUAS EPOSAS. DA MESMA MANEIRA QUE CRISTO CUIDA DE SUA IGREJA O MARIDO DEVE CUIDAR DA SUA MULHER.
O matrimônio simboliza a união entre Cristo e a igreja, é algo sagrado. Peça ao seu marido para ler estes textos, refletir e pedir a Deus ajuda para que possa a tratar DO MESMO MODO QUE CRISTO TRATA A SUA ESPOSA, A IGREJA.
JUNTOS, vocês podem vencer na vida conjugal.
Despeço-me com alguns versos para reflexão:
“Assim também os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo. Quem ama a esposa a si mesmo se ama”. Efésios 5:28
“Não obstante, vós, cada um de per si também ame a própria esposa como a si mesmo, e a esposa respeite ao marido”. Efésios 5:33.
Deus lhe abençoe,
Leandro Quadros.
A resposta a seguir foi dada a um irmão que negou a importância do Sábado. Dei-lhe algumas explicações sobre o que escreveu (estão num dos posts), mas, creio ser importante colocar na primeira página do blog para que você tenha acesso mais fácil.
Ótima leitura!
Resposta:
Bom: já que você pretende me mostrar “de um jeito simples que eu estou errado”, pretendo lhe mostrar de modo simples – e de maneira cristã – que você não compreendeu plenamente a mensagem bíblica. Vamos lá:
Realmente, as citações que usei são tanto do Novo (onde Jesus e os apóstolos guardaram o Sábado – e não o domingo) quanto do Velho Testamento. Não sei se o irmão sabe, mas, para Deus não há divisão (me refiro aos livros) entre Velho e Novo Testamento. A BÍBLIA É UMA SÓ. Veja os textos a seguir:
“Porque, se, de fato, crêsseis em Moisés, também creríeis em mim; porquanto ele escreveu a meu respeito. Se, porém, não credes nos seus escritos, como crereis nas minhas palavras?” João 5:46-47.
Jesus diz que quem crê nos Escritos de Moisés, crê nEle. E mais: o método de ensino bíblico utilizado por Jesus é o uso de Antigo Testamento (pois, nos dias dEle o Novo não existia. Quando Cristo pede para examinarmos a Bíblia, em João 5:39, a Bíblia dEle era o Antigo Testamento!):
“E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras.” Lucas 24:27.
Veja agora esse texto de Paulo:
“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” 2 Timóteo 3:16.
O termo “toda” vem do grego “paza” e significa “cada escrito”. Cada escrito da Bíblia – seja do AT ou no NT – é inspirado por Deus Espírito Santo.
E o que diz Pedro? “E tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor, como igualmente o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada, ao falar acerca destes assuntos, como, de fato, costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles.” 2 Pedro 3:15-16.
Se Jesus, Paulo e Pedro (entre outros) usavam o Antigo Testamento e o tinham como regra de fé – também o faço. Quem nega parte da Bíblia não segue plenamente a vontade de Deus.
Portanto, o Espírito Santo me autoriza a usar toda a Palavra de Deus para ensinar um assunto.
Os dois mandamentos
Os mandamentos de Mateus 22:34-40 são o resumo do Decálogo. Quando você observa os quatro primeiros mandamentos está demonstrando seu amor a Deus; ao colocar em prática os últimos seis, está amando o próximo. O resumo da Lei é uma evidência de que ela não foi abolida (por que resumir algo que não está mais em vigor?) Prova disso está na declaração de Cristo em Mateus 5:17 de que Ele veio “cumprir” a lei. O termo grego para “cumprir” é “pleroo” e significa “completar”, “encher”. Ou seja: Jesus não veio tirar um til da Lei (veja Mateus 5:18) e sim dar a ela o verdadeiro e amplo significado.
Não é só pelo fato de Jesus e Paulo lerem a Bíblia no Sábado que usei Lucas 4:16 e Atos 17:2 como argumento. O termo grego para “seu” (“segundo o seu costume”) no original nos transmite a ideia de que, mesmo Jesus e Paulo lendo a Bíblia (lembre-se: o Antigo Testamento) todos os dias, eles guardavam o Sábado de livre e espontânea vontade. Não o faziam isso “porque eram judeus”. Não há como dizer o contrário com base no peso das evidências bíblicas, especialmente quem conhece pelo menos o mínimo do grego bíblico.
Gênesis 2:2
Sinceramente, não sei que problema o irmão vê neste texto. Será que ele contradiz todo o contexto (verso 1-3) que firma que Deus abençoou e santificou o dia de Sábado? Essa atitude de Deus em relação ao Sétimo Dia deveria ser importante para você, um seguir dEle.
A seguir, transcreverei um breve estudo do Prof. de grego (hoje falecido – o Prof. Pedro Apolinário) a respeito do texto:
É um fato aceito por todos nós, deduzível da leitura de Gênesis 1:31 e 2:1, que Deus acabou a sua obra criativa no sexto dia: “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. Houve tarde e manhã, o sexto dia”. Gênesis 1:31. “Assim, pois, foram acabados os céus e a terra e todo o seu exército”. Gênesis 2:1.
Veja também Êxodo 20:11: “porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o SENHOR abençoou o dia de sábado e o santificou”.
O verso 2 do segundo capítulo parece contradizer esta crença ao declarar: “E havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra…”
Creem alguns comentaristas que há aqui uma deficiência de linguagem, pois a leitura dos dois versos anteriores de Gênesis 2:2 nos evidencia que a obra já estava concluída no sexto dia. A pobreza dos tempos verbais em hebraico talvez seja responsável por esta aparente divergência. O sentido do original devia ser este: “estando já acabada a obra no sétimo dia”.
O mui conhecido e digno de crédito comentarista Adão Clarke (é Metodista) assim se expressou sobre este verso:
“É voz geral da Escritura que Deus terminou toda a criação em seis dias e repousou no sétimo, dando-nos um exemplo de que trabalhemos seis dias e no sétimo descansemos de toda atividade manual. É digno de nota que a Septuaginta, a Siríaca e a Samaritana dizem sexto dia, em vez de sétimo; e isto deve ser considerado certo”. Ele conclui suas explicações aventando a hipótese de ter havido uma confusão no hebraico entre os números 6 e 7 por serem muito parecidos.
O Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia afirma sobre Gênesis 2:2:
“Têm sido feitas várias tentativas para resolver a aparente dificuldade entre os versos 1 e 2; um declara que a obra de Deus foi terminada no sexto dia e o outro no sétimo. A Septuaginta e a versão samaritana têm escolhido o caminho mais fácil para resolver o problema, substituindo com a palavra ‘sexto’, a palavra ‘sétimo’ do texto hebraico… ‘Acabou’ Yekal (hebraico). Alguns eruditos, começando por Calvino têm traduzido Yekal como ‘havia acabado’, o que é gramaticalmente possível…”
Fonte: Pedro Apolinário. Leia e Compreenda Melhor a Bíblia, págs. 126 e 127.
Acréscimo meu:
A Bíblia Nova Versão Internacional tem uma ótima tradução para esse verso: “No sétimo dia Deus já havia concluído a obra que realizara, e nesse dia descansou.”
No início do quarto mandamento, a Palavra de Deus continua com o imperativo: “Lembra-te…”. Não ignore a voz de Deus, irmão. Não se esqueça do único mandamento dEle que serve como uma bandeira no tempo para reafirmar que Ele é o Criador e que o evolucionismo não tem a verdade.
A graça de Jesus e a lei
Não me veja como um “legalista” irmão, pois, não acredito (e nenhum adventista informado) em salvação pelas obras. Creio que o Sábado é um memorial do Criador (Êxodo 20:8-11) e procuro exaltar a Deus em todos os dias da semana, mas, de forma especial no dia que Ele abençoou e santificou (pois é separando 24h que temos mais tempo para isso). Aceito o Senhorio dEle em minha vida mesmo que guardar o Sábado num mundo pós-moderno seja “nadar contra a correnteza”.
Pela graça de Cristo sigo confiante na Salvação e, quando tenho meus tropeços, vou a Ele (Hebreus 4:14-16) e conto com o perdão gratuito do Salvador (1 João 1:9). Todavia, não posso me esquecer de que, mesmo não sendo salvo PELAS obras (Efésios 2:8, 9), sou salvo e transformado pelo Espírito Santo PARA praticar boas obras (Efésios 2:10). Não como maneira de ser salvo, mas, por estar salvo.
Esse é o processo de santificação, “sem o qual ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12:14).
Lembre-se irmão que, mesmo sendo salvos pela fé em Jesus, somos julgados pelas obras (Mateus 16:27; Apocalipse 22:12). Isso é uma contradição bíblica? De modo algum. As obras demonstram o tipo de fé que temos: se ela é operante ou não. Por isso, o apóstolo nos orienta a obedecermos a Deus (lembrando que é Ele quem efetua em nós o querer e o realizar – Filipenses 2:13) pela fé:
“E que, agora, se tornou manifesto e foi dado a conhecer por meio das Escrituras proféticas, segundo o mandamento do Deus eterno, para a obediência por fé, entre todas as nações” Romanos 16:26.
Vamos continuar em nossas considerações, pois, podemos aprender muito um com o outro. O Espírito Santo nos guiará nesse amistoso diálogo.
Um abraço,
Leandro Quadros.
Nichol argumenta:
“Nenhuma dessas referências (59 encontradas) sugere que o Sábado havia perdido, estava em processo de perder, ou deveria perder algo da santidade que o havia distinguido até ali. Portanto, se o Novo Testamento ensina a abolição do Sábado, este ensino deve ser encontrado nessa única sexagésima referência” (NICHOL, Francis de. “Respostas a Objeções – Uma defesa bíblica da doutrina adventista”, pág. 148).
O mesmo escritor tem um comentário importante sobre a abolição da lei:
“… a alegação de que o Decálogo (Dez Mandamentos) foi abolido na cruz assume um caráter monstruoso e sacrílego. Quando Cristo morreu na cruz, foi mudada a natureza moral de Deus? É um sacrilégio fazer essa pergunta. Enquanto Deus for de natureza imutável, os princípios morais que irradiam de Sua natureza permanecem imutáveis. Enquanto a natureza de Deus abominar a mentira, o furto, o homicídio, o adultério, a cobiça e os falsos deuses, o Universo, até às suas extremidades mais remotas, será controlado por leis morais contra esses maus atos”. (Ibidem, pág. 141.)
Outros estudiosos também afirmam que os Sábados mencionados são os cerimoniais, e isso com base em Levítico 23:3, 27 e 38, que fazem distinção entre os aspectos moral e o cerimonial do Sábado:
“Em seis dias realizem os seus trabalhos, mas o sétimo dia é sábado [não o domingo!], dia de descanso e de reunião sagrada. Não realizem trabalho algum; onde quer que morarem, será sábado dedicado ao SENHOR.” Levítico 23:3 – Sábado semanal.
“O décimo dia deste sétimo mês é o Dia da Expiação. Façam uma reunião sagrada e humilhem-se, e apresentem ao SENHOR uma oferta preparada no fogo. É um sábado de descanso para vocês, e vocês se humilharão. Desde o entardecer do nono dia do mês até o entardecer do dia seguinte vocês guardarão esse sábado”. Levítico 23:27 e 32 – Sábado anual.
“Além dos sábados do Senhor…” Levítico 23:38 – segundo essa linha de estudiosos, aqui é feita uma separação entre os Sábados cerimoniais e morais.
Vejamos a opinião de alguns eruditos evangélicos a respeito de Colossenses 2:16:
Albert Barnes, presbiteriano:
“Não há nenhuma evidência nessa passagem de que Paulo ensinasse que não havia mais obrigação de observar qualquer tempo sagrado, pois não há a mais leve razão para crer que ele quisesse ensinar que um dos Dez Mandamentos havia cessado de ser obrigatório á humanidade. Se ele tivesse escrito a palavra ‘o sábado’, no singular, então, certamente estaria claro que ele quisesse ensinar que aquele mandamento (o quarto) cessou de ser obrigatório, e que o sábado não mais deveria ser observado. Mas o uso do termo no plural, e a sua conexão, mostram que o apóstolo tinha em vista o grande número de dias que eram observados pelos hebreus como festivais, como uma parte de sua lei cerimonial e típica, e não a lei moral, ou os Dez Mandamentos. Nenhuma parte da lei moral – nenhum dos Dez Mandamentos – poderia ser referido como ‘sombra das coisas futuras’. Estes mandamentos são, pela natureza da lei moral, de obrigação perpétua e universal”. (“Notes on the Testament”. Citado por Arnaldo B. Christianini em Sutilezas do Erro, pág. 125).
Adam Clarke, metodista:
“… O sábado semanal se apóia numa base mais permanente, tendo sido instituído no Éden, para comemorar o término da criação em seis dias. Levítico 23:38 expressamente distingue ‘o sábado do Senhor’ dos outros sábados. Um preceito positivo é bom porque é ordenado e deixa de ser obrigatório quando ab-rogado; um preceito moral é mandato eterno, por ser eternamente justo”. (CLARKE (Comentário Bíblico), Adam. Vol. 6, pág. 524. Ibidem, pág. 70.)
“O que foi dito anteriormente é suficiente para esclarecer que Paulo jamais pretendeu abolir, em Colossenses 2:16 e 17, a obrigatoriedade moral do quarto mandamento, que por ter sido instituído na criação (Gênesis 2:1-3) e fazer parte da lei moral (Êxodo 20:8-11), também é um mandamento ‘santo justo e bom’(Romanos 7:12)”. (TIM, Alberto Ronald. “O Sábado nas Escrituras”, págs. 70, 71).
Jamieson, Fausset e Brown (comentaristas evangélicos muito reconhecidos) dizem que os Sábados anuais “tiveram um fim com os serviços judaicos aos quais pertenciam”. E continuam: “O sábado semanal repousa sobre um fundamento mais permanente, tendo sido instituído no Paraíso para comemorar o término da criação em seis dias” . (Citado por Francis D. Nichol em “Resposta a Objeções – Uma defesa bíblica da doutrina adventista”, pág. 146. Casa Publicadora Brasileira, 2005.)
Conclusão:
1) O primeiro posicionamento dos teólogos a respeito de Colossenses 2:16 (de que o mandamento foi abolido) precisa ser totalmente descartado pelos cristãos, pois o tema em questão na carta de Paulo (entre os outros já mencionados) não é a observância ou não de um dia, mas a forma herética como os dias eram observados e heresias que se infiltravam na igreja. Isso fica claro no contexto (capítulo 2) onde o apóstolo combate vários ensinamentos errados;
2) A guarda do Sábado nunca foi considerada uma heresia. Mesmo porque (a) Deus a instituiu – Gênesis 2:1-3 e (b) o próprio Paulo guardava o Sábado;
3) O segundo posicionamento a respeito de Colossenses (de que Paulo fala de um sábado semanal que estava carregado dos exageros e heresias dos ascetas de Colossos) pode ser aceito levando-se em conta o contexto e outros versos bíblicos em que a expressão “dias de festa, lua nova ou sábados” indica uma seqüência anual, mensal e semanal;
4) O terceiro posicionamento sobre Colossenses 2:16 (de que os sábados são os cerimoniais) também é apoiado por alguns textos bíblicos (como, por exemplo, Levítico 23:3 e 27, 28 que distinguem o Sábado semanal do Sábado anual) e pode ser aceito.
Repetindo: a primeira tese que diz ter sido o Sábado abolido não tem base bíblica. As outras duas podem ser aceitas, pois, apesar de usarem “caminhos” diferentes, chegam ao mesmo destino: o Sábado foi e sempre será um memorial da criação e um dia separado para a comunhão com o Criador. É um Sinal de fidelidade entre Deus e os Seus filhos (Ezequiel 20:12, 20 – o contexto do verso 20 deixa claro que o Sábado não é um sinal apenas entre Deus e os povo judeu. É entre o Criador e TODOS os que foram criados por Ele!).
Deixo-lhe alguns textos bíblicos para reflexão:
“Feliz aquele que age assim, o homem que nisso permanece firme, observando o sábado para não profaná-lo, e vigiando sua mão para não cometer nenhum mal”. Isaías 56:2.
“Os que amam a tua lei desfrutam paz, e nada há que os faça tropeçar”. Salmo 119:165.
NOTA: Espero que os amigos que não observam o sétimo dia escolham um dos dois últimos posicionamentos e jamais o primeiro, por ser uma heresia.
Segundo posicionamento: O Sábado mencionado em Colossenses 2:16 é o semanal. Paulo não está combatendo o mandamento, mas sim uma maneira errada de guardar o dia, ensinada pelos hereges em Colossos.
Essa é a posição de alguns teólogos, inclusive adventistas. Entre eles, se destaca o Dr. Samuelle Bacchiocchi, que foi o único não católico a defender uma tese doutoral na Universidade do Vaticano. Ele diz que o termo “Sábado” não poderia ser um sábado cerimonial por várias razões, entre elas: “Uma outra indicação significativa insurgindo contra os sábados cerimoniais, é o fato de que estes já estão incluídos nas palavras ‘dias de festa’ e se ‘sábado’ (grego sabbaton) significasse a mesma coisa, haveria uma repetição desnecessária”. (BACCHIOCCHI, Samuelle. Do Sábado para o Domingo, pág. 317. Tradução de Azenilto Brito.)
A série de dias mencionados em Colossenses 2:16: “dias de festa (festividades anuais), lua nova (período mensal) e sábados” (período semanal), quando comparada com outros textos bíblicos, dá a entender que Colossenses trata do sábado semanal. Entretanto, no Antigo Testamento, nem sempre esta ordem de “festividades anuais”, “festa mensal” e “festa semanal” aparece. Leia em oração os textos a seguir e veja as diferenças e semelhanças com a construção frasal de Colossenses 2:16:
• 2 Reis 4:23 – Um período mensal (sábado) e outro semanal (Lua Nova);
• Isaías 66:23 – Um período mensal e outro semanal;
• Ezequiel 46:1 – Período semanal e mensal;
• Amós 8:5 – Período mensal e semanal;
• 1 Crônicas 23:31 – Período semanal, mensal e festas fixas anuais (dificilmente ocorreria aqui uma repetição desnecessária, como diz do Dr. Bacchiocchi);
• 2 Crônicas 2:4 – Período semanal, mensal e outro de festividades anuais;
• 2 Crônicas 8:13 – Período semanal, mensal e de festas anuais;
• 2 Crônicas 31:3 – Período semanal, mensal e outro de festividades;
• Neemias 10:33 – Um período Semanal, um mensal e outro de festividades anuais;
• Isaías 1:13 – Período mensal, semanal e de festas anuais.
• Ezequiel 45:17 – Período mensal, semanal e outro de festividades anuais.
• Ezequiel 46:3 Período semanal e outro mensal.
• Oséias 2:11 Período mensal, semanal e festividades anuais.
Perceba que a semelhança das construções das frases dá a entender que Colossenses 2:16 segue a mesma ordem de eventos, culminando com um período semanal.
Ao explicar o porquê de o Sábado estar sendo mencionado na carta aos Colossenses, Bacchiocchi diz: “… podemos estabelecer que o sábado é mencionado na passagem não no contexto de uma discussão direta a respeito da obrigação da lei, mas sim no contexto de crenças e práticas sincretistas (que incorporava elementos do Velho Testamento, indubitavelmente para prover justificativas para seus princípios ascéticos) advogados pelos “filósofos” colossenses. Não somos informados de que tipo de observância de sábado esses mestres promoviam, todavia, na base da ênfase que davam à escrupulosa adesão a “regulamentos”, aparentemente o dia devia ser observado de um modo rigoroso e supersticioso”. (Ibidem, pág. 307).
Ele continua:
“O fato então que no contexto de Colossenses 2 o “termo “lei” (grego nomos) se encontra ausente . . . da controvérsia” corrobora o que dissemos anteriormente, a saber, que a heresia colossense não se baseava no costumeiro legalismo judaico, mas sim nos incomuns (sincretísticos) tipos de regulamentos ascéticos e cúlticos, que minavam toda a suficiência da redenção de Cristo.
Significado do termo “escrito de dívida” que foi “pregado na cruz”
Aqui voltamos ao argumento dos pastores João Flávio Martinez e Natanael Rinaldi (citei apenas alguns) de que “o que foi cravado na cruz, de acordo com Colossenses 2:14, foi a Lei”. Na interpretação de Bacchiocchi e de outros estudiosos, o que foi encravado na cruz não foi a Lei. Isso porque o termo grego para a expressão “escrito de dívida” (cheirographon) não se refere à Lei, mas sim a um “certificado de dívida” (de pecado), resultante de nossas transgressões. Deus removeu na cruz não a Lei, mas a possibilidade de cobrança contra os que foram perdoados por Cristo. Cristo removeu na cruz a possibilidade de condenação do ser humano! Ver Romanos 8:1.
Em sua tese, Bacchiocchi sugere que o Sábado semanal está sendo abordado no texto, só que não a validade do mandamento em si, mas a forma errada como estava sendo guardado e ensinado pelos hereges de Colossos. Logo no início desta carta mencionei as heresias que estavam surgindo na igreja (Cristo é inferior, adoração a anjos, etc.) e que o Sábado jamais poderia fazer parte delas, sendo que o próprio Paulo o respeitava!
Portanto, os teólogos que usam Colossenses 2:14-16 para dizer que a Lei de Deus e o Sábado foram “cravados na cruz”, não têm base bíblica e muito menos lingüística para tal afirmação.
Terceiro posicionamento: O texto de Colossenses 2:16 está fazendo menção aos sábados “cerimoniais” ou festas anuais (Levítico 23), que apontavam para Cristo.
Assim como o Dr. Bacchiocchi, o grande apologista e pastor Francis D. Nichol também admite que a palavra Sábado aparece 60 vezes no Novo Testamento. Mas, para ele, as 59 vezes em que aparece se tratam do Sábado semanal e na sexagésima (Colossenses 2:16), é um Sábado cerimonial que está em questão. Esta festa cerimonial estaria apontando para Cristo (Colossenses 2:17) e, na compreensão dele (e de outros estudiosos) é sobre este tipo de “dia de descanso” cerimonial que Paulo está discutindo. A argumentação é que “o sábado jamais poderia ser uma sombra, como afirma Colossenses 2:17, de um evento futuro – a salvação em Cristo – sendo que foi criado no passado, no Édem”. Também, que o termo “ordenanças”, usado em Colossenses 2:14, se refere às ordenanças e leis cerimoniais do Antigo Testamento e, a expressão “escrito de dívida”, poderia ser “uma referência à lei mosaica, especialmente tal como a interpretavam os judeus. A semelhança da linguagem com Efé. 2: 15 e a proximidade entre as duas epístolas, fez pensar que o “escrito de dívida” e a “lei dos mandamentos em forma de ordenanças” são uma mesma coisa…”. (Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia).
[Finalizo no próximo artigo]