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Há pessoas que fazem uma "tempestade em copo d´água" por causa de alimentos vendidos em festas juninas... Existe algum princípio bíblico que nos ajude a termos uma opinião equilibrada sobre o assunto? Confira no presente artigo.
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Alguém fez um comentário interessante sobre o sábado: afirmou que todos – morais e cerimoniais – vieram de Deus. E essa pessoa tem razão. Discordei da opinião dela de que Isaías 66:23 não pode ser usado a favor da observância do dia do Senhor na Terra restaurada. Se o planeta será restaurado, como temos absoluta certeza (Isaías 65:17), o dia de guarda estabelecido em um mundo perfeito (Gênesis 2:1-3; compare com Êxodo 20:8-11) também será restaurado definitivamente, como um memorial do Deus Criador.
Se iremos guardar o Sábado na Nova Terra não seria melhor nos acostumarmos a fazê-lo aqui? É algo para refletirmos.
A seguir, a resposta dada à internauta:
Achei correta a sua exposição a respeito do dia de guarda. Entretanto, a forma como expôs Isaías 66:23 precisa ser analisada com mais detalhes.
Realmente, a separação entre “sábados do Senhor” e sábados “do ser humano” é equivocada, pois, todos os tipos de sábados – morais ou cerimoniais – foram dados por Deus (A Lei de Moisés é a Lei de Deus). Boa parte de nossos estudiosos não usa mais esse recurso por terem chegado a um melhor entendimento do texto bíblico. Alguns ainda fazem a distinção entre “seus sábados” (Oséias 2:11) e “meus sábados” (Ezequiel 20:12) por que precisam de maior luz sobre o assunto. Porém, não são mal-intencionados. Não podemos julgar nossos irmãos na fé.
A respeito de Isaías 66:23, os estudiosos têm notado que ali há referência a um período mensal (lua nova) e a um semanal (sábado) em que iremos adorar a Deus na Nova Terra. O período mensal é relacionado com Apocalipse 22:2 e 14 para ensinar que a festa de lua nova que iremos comemorar é o período mensal em que comeremos da árvore da vida. “A ‘lua nova’ entre os judeus nem sempre significava a festa mensal, mas simplesmente uma referência para indicar o início de cada mês entre eles” – Sutilezas do Erro (1981), p. 285.
O Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia afirma sobre o verso: “Todos guardarão o sábado em sinal de eterno reconhecimento de que Cristo criou o paraíso do Éden, e recriou os novos céus e a nova terra de justiça e santidade.”
Por isso, não vemos problema algum com o referido texto de Isaías e cremos que, hermeneuticamente, ele pode sim ser usado para provar a observância do sétimo dia na Nova Terra, por se tratar de um texto escatológico (que alude a acontecimentos futuros).
Parabéns por sua disposição em estudar o assunto e por aceitar o quarto mandamento. Deus tem bênçãos para sua vida (Isaías 56:2).
Deus lhe abençoe,
Leandro Quadros.
Precisamos ler com mais atenção Mateus 5:17-19.
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Estou muito irritado ultimamente. Como controlar a raiva?
A ira em si não é um pecado. O que a torna pecaminosa é o uso errado dela, ou seja, direcioná-la às pessoas ao invés de concentrá-la nos problemas: “Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira” Efésios 4:26.
Este texto também ensina que alimentar a ira é pecado. Deste modo, além de não alimentar a raiva nos momentos de crise, para se sair bem de um momento de estresse terá que orar a Deus e exercitar o domínio sobre seu temperamento (Provérbios 29:11; Eclesiastes 7:9). Poderá fazer isso por que Deus coloca a sua disposição todo o poder dEle (ver Filipenses 4:13).
Quando vier a vontade de xingar, ore a Deus em pensamento, lembre de algum verso bíblico, de algum momento feliz que passou com alguém ou conte até dez (ou mesmo até cinqüenta),… Faça de tudo para não dar rédeas a seu impulso. No momento em que estiver mais “treinado” fará isto com facilidade.
Reavaliar sua ira também ajuda muito. Pergunte a si mesmo: “quais são as coisas que me deixam zangado? Por que estou assim?” Avaliando a origem do problema e refletindo para encontrar soluções terá calma diante das circunstâncias negativas. Veja que importante conselho Deus dá a respeito disto: “Irai-vos e não pequeis; consultai no travesseiro o coração e sossegai.” Salmo 4:4.
Separe um tempo para conversar com as pessoas sobre os seus problemas. Fazendo isto, a ira não acumulará e poderá desabafar acerca do que está acontecendo. Para isto, é preciso que ambos (você e o cônjuge, por exemplo) adquiram o hábito de falarem francamente um com o outro e informar o momento em que a raiva está aquecida. Tal advertência feita no início pode ajudar a evitar que surja a discussão.
É possível controlar a ira; prova disto é o fato de que, quando estamos na frente de nosso chefe ou na companhia de alguém perante o qual não queremos ser envergonhados, “aprendemos” e “conseguimos” controlar nossas emoções. Irá depender de nosso desejo de fazê-lo. É nossa responsabilidade adquirir o domínio sobre nossas ações com o poder e ajuda do Espírito Santo (Gálatas 5:22, 23).
A. HOPKINS STRONG (teólogo batista): “Nem tudo na lei mosaica está abolido na cruz. Cristo não cravou em Sua cruz nenhum mandamento do Decálogo.” “A graça deve ser entendida, contudo, não como abolindo a lei, mas como estabelecendo-a e reforçando-a (Rom. 3:31 ‘estabelecemos a lei’) – Systematic Theology, vol. 2, p.p. 408 e 548.
MOODY, outra grande autoridade em Novo Testamento:
“O contraste entre a letra mata e o espírito vivifica não é um contraste entre o extremo literalismo e o livre manejo das Escrituras (como no método alegórico de interpretação); antes, o contraste é entre a Lei e um sistema de salvação que exige obediência perfeita (cons. Rm. 3:19,20; 7:1-14; 8:1-11; Gl. 3:1-14) e o Evangelho como o dom da graça de Deus em Cristo. Mesmo a Lei, entretanto, pode levar uma alma a Cristo (cons. Gl. 3:15-29; mas o judaísmo degenerado transformou-a em uma massa de formas sem vida (cons. Is. 1:10-20; Jr. 7:21-26)…” – Comentário Bíblico Moody sobre 2 Coríntios 3, p. 16.
Nem mesmo observadores do domingo concordam com doutrina da abolição da Lei.
“JESUS É O ÚNICO DESCANSO ESPIRITUAL INDEPENDENTE DE DIA – MATEUS 11:28-30
Até que ponto chegou o ser humano: o de invocar o nome de Jesus para “justificar” um comportamento desobediente… O mais saudável é reconhecer que o problema está em nós. Que não conseguimos guardar a Lei sozinhos e, por isso, a graça de Deus precisa atuar em nosso ser. Se agirmos assim, seguiremos pelo caminho da vida cristã rumo à santificação pelo Espírito Santo. Ao invés de acharmos o problema na Lei de Deus precisamos reconhecer que o problema está em nós. Se justificarmos nossa desobediência com a ideia de que “a Lei foi abolida”, não daremos ao Senhor a oportunidade de mudar nosso interior por que não estaremos sendo sinceros com Ele.
Realmente, o descanso espiritual precisa ser diário. Esse é o tema de Hebreus 4, que nos convida a entrarmos no repouso da graça. O repouso na graça – pela fé em Jesus – precisa ser desfrutado 24h durante toda a nossa vida. Todavia, no Sábado podemos repousar espiritualmente em Cristo por mais tempo que nos outros dias da semana. Uma pessoa que ama a Jesus irá descansar nEle também no Sábado por que:
1) Ele [Deus] criou esse “santuário no tempo” para desfrutarmos da companhia dEle – Gênesis 2:1-3; Êxodo 20:8-11 (o fato de no Sábado Deus ter dado mais tempo para ficarmos com Ele já bastaria para derrubar o argumento de que o descanso espiritual anula o descanso semanal);
2) Ela [a pessoa] terá consciência de que durante a semana, em meio às atividades de rotina, não há como separar um tempo de 24h para descansar espiritualmente em Cristo;
3) Ela não irá questionar a Deus ou se justificar dizendo que “o mais importante é guardar um dia em sete” pelo fato de ela aceitar o Senhorio de Deus na vida dela. Se Deus falou que é azul, não vou argumentar que pode ser vermelho. Se Ele disse para descansar no Sábado, por que farei birra com meu Pai Celeste e dizer que “eu quero” observar o domingo como dia santo?
O fato de em Hebreus 4 o autor usar o Sábado do sétimo dia como um símbolo do descanso em Cristo é uma prova irrefutável a favor do quarto mandamento. Se o sábado foi “cravado na cruz”; se “o dia de guarda foi mudado para domingo” por que o sábado – e não o domingo ou a sexta-feira – é usado como base do argumento do autor de Hebreus 4?
Espero que esse estudo ajude ao irmão Jean Patrick em seu estudo da Bíblia e a todo leitor que busca de coração fazer a vontade do seu Deus, pela graça que vem dEle (Romanos 11:5, 6).
Um abraço a todos!
“SÓ TEMOS RELATADO [os Dez Mandamentos] NO VELHO TESTAMENTO”
Os oponentes à Lei de Deus apresentam um “quadro comparativo” entre o Antigo e o Novo Testamento para “provar” que “o mandamento do Sábado não foi repetido nos escritos dos apóstolos”.
Essa ideia não pode ser chamada de argumento, tamanho o absurdo que o cristão é levado a aceitar se ela for verdadeira:
1) Que o Novo Testamento difere do Antigo. Então a Bíblia não é uma só – seria uma heresia afirmar uma coisa dessas, de acordo com 2 Timóteo 3:16;
2) Que o Deus do Antigo Testamento, manifesto também na Segunda Pessoa da Divindade (Isaías 44:6; compare com Apocalipse 1:17) erra, no seguinte sentido: “bom: pedi para os Israelitas guardarem o Sábado. Como não deu certo, chamarei a Lei de ministério da morte e tirarei das pessoas a obrigação de me adorarem no meu santo dia (Isaías 58:13, 14; Marcos 2:27, 28).”
3) Que o Espírito Santo, a Terceira Pessoa da Trindade, se contradiz. “Eu disse em Hebreus 8:10 que, o resultado da santificação efetuada por mim é a inscrição e impressão dos mandamentos no íntimo do ser humano. Já em 2 Coríntios 3:7 digo que a Lei que manda não matar, não roubar, não adulterar, é ministério de morte. Por isso, quem quiser aceite Hebreus 8:10 e, os que preferirem fiquem somente com 2 Coríntios 3:7.”
4) Que Jesus em João 5:39, ao nos orientar a examinarmos as Escrituras, estaria insinuando: “Leiam todo o Antigo Testamento mas não aceitam os Dez Mandamentos, mesmo que eu tenha guardado o Sábado, como afirma Lucas 4:16” [só faltava alguém dizer que “Jesus guardava o Sábado por que era judeu...” sendo que o texto afirma claramente que o Salvador separava o sétimo dia SEGUNDO O COSTUME DELE. Ele não veio agradar os judeus; pelo contrário, os desagradou bastante naquela época...]
5) Que os LINDOS princípios morais dos Dez Mandamentos – que nos ajudam a nos relacionarmos com Deus, com o próximo e que dão qualidade de vida – não são mais necessários em nosso mundo que quer viver sem princípios! Veja o que está por trás de cada um dos Dez Mandamentos encontrados em Êxodo 20:1-17 e em Deuteronômio 5:6-21:
Primeiro mandamento: Lealdade a Deus
Segundo mandamento: Adorar a Deus
Terceiro mandamento: Respeitar a Deus
Quarto mandamento [que a grande maioria não gosta]: Santidade e adoração ao Criador (Êxodo 20:11) e Salvador (Deuteronômio 5:15)
Quinto mandamento: Respeito pela autoridade
Sexto mandamento: Amor ao próximo
Sétimo mandamento: Pureza
Oitavo mandamento: Honestidade
Nono mandamento: Verdade, autenticidade
Décimo mandamento: Contentamento
Já imaginou tais princípios de vida sendo chamados de “ministério da morte”? Até que ponto um ser humano pode chegar…
[E ainda tem a questão do dízimo, querido leitor. Gostaria de saber de Jean Patrik se o mandamento do dízimo, pelo fato de “não ser repetido no Novo Testamento” também foi abolido...]
Isso já seria suficiente para concluirmos e encerrarmos a discussão, pois, se toda a Bíblia é da autoria do Espírito Santo, não há como separá-la em Antigo e Novo Testamento, a não ser com fins didáticos. Porém, como escreveu A. B. Christianini sobre um “quadro” que “mostra os outros nove mandamentos sendo repetidos “menos o quarto preceito”: “…aquele gráfico [é] omisso…” (CHRISTIANINI. Subtilezas do Erro, 1981, p. 187)e, por tal motivo, preciso continuar.
Na Bíblia há textos que mostram cerca de 90 reuniões religiosas no dia de Sábado, nos dias do Novo Testamento (Conferir A. B. Christianini em Subtilezas do Erro. Santo André, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1981, p. 186-189).
Lembremos de que o exemplo fala MUITO MAIS que as palavras… Se Cristo, os apóstolos e os demais judeus cristãos se reuniram no Sábado para adoração, será que eles guardavam o domingo ou acreditavam na abolição da Lei? Pense nisso com carinho.
O que outros autores cristãos dizem sobre a Lei e 2 Coríntios 3:7
Para finalizar, é importante expor para os sinceros a opinião de eminentes teólogos sobre o assunto:
SALOMÃO L. GINSBURG, pastor batista: “As idéias que alguns fazem da Lei de Deus, são errôneas e muitas vezes perniciosas. O arrojo ou a ousadia dos tais, chega a ponta de ensinar ou fazer sentir que a Lei já foi abolida… Os que ensinam a mentira de que a lei não possui mais valor … ainda não leram com certeza os versículos que nos servem de texto (S. Mat. 5:17-19). Deus não muda, nem o Seu poder, nem a Sua glória; os Seus preceitos são eternos.
“Vamos mais longe: essa Lei é a base da moralidade social, e será crível que tal base seja abolida, isto é, que se mate, adultere, furte, calunie? Não! Essa Lei é toda digna de nossa admiração, respeito e acatamento.
“Jesus veio pôr em prática a Lei e não abolir.” – O Decálogo ou os Dez Mandamentos, p.p. 4 e 7
WILLIAM BRACLAY, uma das maiores autoridades em Novo Testamento para os protestantes:
“A velha aliança era mortífera. Por quê? Produzia uma relação legal entre o homem e Deus. Com efeito, dizia: “Se você deseja manter sua relação com Deus, deve guardar estas leis, e se as transgride, perderá sua relação.”
“Portanto estabelecia uma situação em que Deus era essencialmente o juiz e o homem um delinqüente perpetuamente em falta perante o estrado do juízo de Deus. Era mortífera porque matava certas coisas… Os judeus preferiam a velha aliança, a lei. Rechaçavam a nova, a nova relação em Cristo. Não se trata de que a velha aliança fosse má; mas sim estava situada num lugar de segunda importância, era um degrau no caminho…” – The Second Letter to the Corinthians, p.p. 37, 38.
Fui desafiado por um internauta a "traduzir" 2 Coríntios 3:7. Veja a relação desse texto a Lei e tire suas conclusões...
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PERGUNTA 17: “Escrituras” se referem ao Antigo ou ao Novo Testamento?
RESPOSTA: o termo “Escrituras” se refere tanto ao Antigo quanto ao Novo Testamento (2 Timóteo 3:16; 2 Pedro 3:16). Ler João 5:39.
PERGUNTA 18: É dito pelos religiosos que toda a humanidade descendeu dos filhos de Noé. De qual deles os brasileiros descendem?
RESPOSTA: Não há uma pessoa hoje que seja “puro sangue” dos descendentes de Sem, Cam e Jafé. Todavia, espiritualmente somos descendentes de Sem por ele ser o ancestral de Abraão (Gênesis 11:26), o pai da fé (Gálatas 3:7).
Sem originou os povos semitas. Cam, os africanos. E Jafé os Europeus e Asiáticos. Sendo que o brasileiro é o resultado da miscigenação racial, fica difícil precisarmos de qual filho de Noé descendemos.
PERGUNTA 19: O ser humano é dividido em corpo e alma ou corpo, alma e espírito?
RESPOSTA: Nós Adventistas não somos dicotomistas (que creem que o ser humano é separado em dois: corpo e alma) e nem tricotomistas (que acreditam que o ser humano é separado em três: corpo, alma e espírito). Somos holísticos. A Bíblia e a ciência estão em plena harmonia com esse conceito. Cremos que a natureza humana (físico, mental e espiritual) é um todo inseparável e, por isso, para que seja tenha uma vida espiritual saudável, deve haver um cuidado com o corpo e com a mente. Esse conceito é baseado em 1 Timóteo 5:23, 24 – onde Paulo afirma que os três aspectos do ser humano precisam ser trabalhados para que cada um se prepare para a volta de Cristo; e em muitos outros textos, como, por exemplo, o Salmo 6:5, onde é dito que, após a morte, o ser humano não possui consciência alguma. Só há consciência, portanto, quando os três elementos – espírito (espiritualidade, desejo de adorar algo), a alma (mente, nesse texto) e corpo – permanecem unidos. Quando se separam, a pessoa (ou alma vivente, segundo Gênesis 2:7) deixará de existir e voltará a uma existência depois da ressurreição dos mortos, como afirma 1 Tessalonicenses 4:13-18. Nesse momento Deus recriará e reunirá novamente os “três lados do triângulo”.
O dicotomismo (ou dualismo) é um conceito platônico que entrou na igreja cristã por influência de Agostinho. Por causa disso, grande parte das igrejas cristãs acredita numa existência após a morte, negando assim o holismo bíblico e diminuindo a importância da doutrina da ressurreição. Por causa de Platão o espiritismo também deixa de lado o ensino bíblico ao afirmar que “o mais importante é o espírito”. Isso que nega o ensino claro da Bíblia de que o corpo é sagrado para Deus (1 Coríntios 6:19, 20).
Sobre a entrada da doutrina da “imortalidade da alma” no cristianismo, disse o Prof. Presbiteriano Otoniel Mota:
“A doutrina da imperecibilidade da alma não é bíblica, mas pagã. Nasceu na Grécia e propagou-se na Igreja, através de Platão, do século V em diante, graças à influência de Agostinho. A doutrina de sua natureza simples, uma, indivisível etc., não se mantém diante das concepções psicológicas modernas e da teoria mais racional acerca da propagação do ser humana, corpo e alma.” Meu Credo Escatológico (opúsculo). 1938, p. 3.
Então, como podemos explicar Hebreus 4:12? Realmente, alguns cristãos usam o texto para afirmar que a natureza humana é dicotomista. O detalhe é que Hebreus 4:12 não é um estudo sobre a natureza humana, mas, se constitui na base do argumento do autor para mostrar o poder da Bíblia (que ele chama de Palavra de Deus) na vida de uma pessoa. Ele afirma que a Bíblia é tão eficaz e cortante “como uma espada” ao ponto de “penetrar” e “dividir alma e espírito”. Essa expressão está relacionada à outra que vem a seguir: “juntas e medulas”. Portanto, vê-se no contexto que ambas são usados em sentido figurado, pois, as juntas e as medulas são inseparáveis para que o ser humano viva bem. O Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia informa muito bem sobre o objetivo do autor da carta aos Hebreus no uso de tais termos:
“A divisão entre ‘o alma e o espírito” e “as conjunturas e os tutanos” descreve até onde penetra a “palavra” de Deus. O valor desta figura de linguagem radica em que “vida” e “alento” [espírito] são, pelo menos para os propósitos práticos, inseparáveis.”
Quando entendemos que as palavras “alma” e “espírito” no original bíblico possuem várias traduções (princípio ativo que Deus nos dá para ficarmos vivos; vida, espiritualidade, pessoa viva, pensamentos, emoções, etc); e que nenhuma delas apresenta tais aspectos de nossa natureza como sendo “entidades imateriais”, podemos chegar à correta compreensão dos textos bíblicos que aparentemente dividem o ser humano em “dois” ou “três”. O estudo da Antropologia bíblica é fundamental para que conceitos gregos sobre o ser humano não influenciem nossas crenças e estilo de vida.
Recomendo a você a leitura de um dos melhores estudos já feitos sobre o assunto. O livro Imortalidade ou Ressurreição?, da autoria do Dr. Samuel Bacchiocchi, contém um estudo exaustivo dos textos bíblicos que tratam do assunto e opiniões de cerca de 300 eruditos não adventistas. Poderá adquiri-lo com a Imprensa Universitária Adventista pelo telefone (19) 3858-9055 ou pelo site http://www.unaspress.unasp.edu.br
Estarei à disposição sempre que precisar de ajuda.
PERGUNTA 16: Sendo que há várias traduções da Bíblia, como termos certeza de que tudo o que ela afirma não foi adulterado?
RESPOSTA: Não existe uma tradução bíblica 100%. O que temos é 100% de certeza de que o que está na Bíblia apresenta uma coerência tal que nem mesmo os pequenos erros de tradução afetam o todo harmônico das Escrituras e a ideia principal: a de que Deus amou tanto o mundo que veio até aqui para salvá-lo da morte eterna (João 3:16; Atos 20:28).
Como podemos saber que a Bíblia é precisa se “o papel aceita tudo”? Possuímos provas científicas fortíssimas. A principal delas é a transformação que tal livro faz na vida de uma pessoa. Mas, apresentarei a você algo mais palpável.
(1) A forma como o texto foi transmitido. Os Massoretas (escribas judeus) ao fazerem cópias dos livros originais da Bíblia, usavam uma técnica que impressiona. Eles contavam palavra por palavra do manuscrito original e começavam o trabalho à mão. Após o término da cópia de um livro, contavam todas as palavras copiadas. E… se desse margem de erro de uma que fosse (para mais ou para menos), jogavam todo o trabalho fora e começavam novamente. Uma prova arqueológica interessante que mostra a veracidade da transmissão do texto bíblico é vista no Papiro de NASH, escrito há aproximadamente 150 anos a.C. Ele contém os Dez Mandamentos (Êxodo 20:1-17), o Shemá (Deuteronômio 6:4-9. Shemá é a confissão de fé tradicional de Israel. A palavra significa “ouve”, e é a palavra inicial, em hebraico, daquela confissão.) e parte de Deuteronômio 5:6. Quando se compara o fragmento com outros manuscritos (os manuscritos bíblicos estão espalhados por vários museus ao redor do mundo. Destaco o Museu Britânico de Londres e o Museu do Vaticano.) como o Britânico 4445 datado do IX século d.C., vemos que o conteúdo é o mesmo!
Portanto, a margem de erro que existe nas cópias é quase zero.
(2) O cumprimento das profecias (predições) referentes a Jesus Cristo. Sabe-se que Ele foi um personagem que fez parte da história ao ponto de dividi-la em Antes e Depois dEle. As profecias a seguir foram escritas aproximadamente 950 antes. Algumas delas:
SALMO DESCRIÇÃO DO EVENTO CUMPRIMENTO
8:2 Seria louvado pelas crianças Mateus 21:15, 16.
16:10 Seria ressuscitado Mateus 28:7
22:1 Sentir-se-ia desamparado por Deus Mateus 27:46
22:7,8 Seria zombado pelos inimigos Lucas 23:35
22:16 Teria as mãos e pés perfurados na cruz João 20:27
22:18 Tirariam sortes para repartir as roupas dEle Mateus 27:35, 36
34:20 Não teria um osso sequer quebrado João 19:32;22-36
35:11 Seria acusado por falsas testemunhas Marcos 14:57
35:19 Seria odiado sem motivos João 15:25
40:7,8 Teria prazer em fazer a vontade de Deus Hebreus 10:7
41:9 Seria traído por um amigo Lucas 22:47
68:18 Subiria ao Céu Atos 1:9-11
69:9 Seria zeloso pela sinagoga João 2:17
69:21 Na cruz dariam para ele vinagre e fel Mateus 27:34
109:4 Oraria pelos inimigos Lucas 23:34
Note a ligação entre Antigo e Novo Testamento e a precisão fantástica que há na Bíblia!
(3) Sua veracidade histórica. Daniel 2 apresenta o surgimento dos quatro grandes impérios mundiais (Babilônia, Medo-pérsia, Grécia e Roma) e dos países da Europa cerca de 700 anos antes de Cristo. Os metais que fazem parte da estátua que o rei de Babilônia viu em um sonho mostram que Deus está sobre o controle da história e que tudo se caminha para o cumprimento dos eternos propósitos dEle.
Essa profecia fez com que muitos ateus se tornassem crentes após compararem a Bíblia com a história.
(4) Suas antecipações científicas. Mesmo não sendo um livro científico (o objetivo é mostrar o plano de Deus em de salvar o ser humano da morte eterna), a Bíblia possui antecipações científicas:
a) Peso do ar – Jó 28:25
b) O planeta Terra está suspenso sobre o nada – Jó 26:7
c) Processo embrionário – Salmo 139:12-16
d) Redondeza da Terra – Isaías 40:22
Em 2 Timóteo 3:1-5 vemos uma profecia a respeito da moral da humanidade. Moral essa que iria declinar – e isso se cumpre minuciosamente em nossos dias.
Tais antecipações foram feitas milênios antes de a ciência fazer tais descobertas. Somente um Ser sobrenatural poderia dar um conhecimento sobrenatural a homens que não tinham os recursos científicos de hoje para saberem tais coisas.
(5) A confirmação da arqueologia. Possivelmente a descoberta mais importante foi a dos Manuscritos do Mar Morto, em 1957. Descobertos nas cavernas de Qumran, às margens do Mar Morto, calaram a alta crítica por conter cópias ou fragmentos de praticamente toda a Bíblia, com exceção do livro de Ester (Renato E. Oberg em seu livro A Nossa Bíblia e os Manuscritos do Mar Morto. São Paulo: Casa Publicadora Brasileira: 1984, p. 58). Possuímos também, graças às escavações arqueológicas realizadas no local, um rolo completo do livro de Isaías, inclusive um manuscrito copiado pelo ano 100 a.C – possui mais de 2000 anos.
PERGUNTA 12: Por que acreditar no inferno se essa palavra foi acrescentada na Bíblia pela igreja Católica?
RESPOSTA: Tem toda a razão: a palavra inferno foi acrescentada na Bíblia. Os tradutores, por influência da crença grega na imortalidade da alma, colocaram no Livro um termo latim que nada tem a ver com as noções hebraicas sobre o “mundo dos mortos” (sepultura). Tal doutrina – de um inferno a atormentar pessoas – faz com que as igrejas fiquem cheias mais por causa do medo do que pelo amor a Deus.
Para você estudar a posição bíblica sobre o assunto lhe envio anexo um material que preparei há alguns anos (você que lê no blog pode digitar o termo em “Busca”).
PERGUNTA 13: Se Jesus é Deus como ele pode ser filho de Maria?
RESPOSTA: Jesus já existia antes de Maria (Miquéias 5:2; Isaías 9:6). Desse modo, a filiação de Cristo é apenas na encarnação – quando Ele teve que se tornar “carne”, ou seja, ser humano – para morrer pelos atos errados da humanidade (pecados). Deus é o legislador dos Dez Mandamentos (Isaías 33:22; Tiago 4:12) e, por isso, somente Ele poderia pagar a pena (morte – Romanos 6:23) pela desobediência do ser humano. Por causa disso qualquer pessoa que exercer fé no sacrifício substitutivo de Jesus (como resultado precisa viver como uma pessoa de fé) será salva.
A encarnação é um mistério revelado, mas, não explicado (Romanos 1:1-3 e 14). Ao mesmo tempo é fantástico sabermos que Deus, na Segunda Pessoa da Divindade, veio a esse mundo e aproximou-se da nossa realidade para nos levar para a realidade dEle!
PERGUNTA 14: Como o Leandro se converteu? Qual a sua formação? Desculpe-me pelas perguntas, mas, para eu é importante saber.
RESPOSTA: Com alegria irei lhe contar minha história. Sou formado em jornalismo, pós-graduado em jornalismo científico e mestrando em Teologia. O que me fez com que me convertesse foi uma experiência sobrenatural que tive com Deus (a conversão não necessita de uma experiência incomum para ocorrer). Em 1996 voltava de um treino de futebol quando, ao parar na frente da Igreja Adventista, senti uma vontade enorme de entrar. Pensei: “não posso ir a essa igreja do jeito que estou – de bermuda, chuteira, camiseta e cabelo comprido pelo ombro. Vou embora”. Ao dar dois passos (lembro-me como se fosse hoje) veio uma voz na minha mente dizendo: “se você não entrar na Igreja hoje irá se arrepender depois”. Isso me assustou e decidi entrar.
Fui muito bem recebido e sentei-me no penúltimo banco da igreja em Palmeira das Missões, RS. Ao ouvir o pastor falar sobre o batismo de Jesus senti um forte desejo de ser batizado e de expressar publicamente minha fé nEle. Por incrível que pareça, mesmo tendo uma baixa auto-estima tal que me impedia de levantar o braço numa sala de aula para fazer perguntas, fui até a frente do jeito que estava e aceitei a Cristo como meu Salvador pessoal. Estudei a Bíblia três meses, fui batizado e hoje escrevo para você!
Minha vida sofreu uma transformação drástica. Um indivíduo que só pensava em futebol (gosto até hoje, rsrsrs) hoje se dedica à pesquisa e ao estudo. A religião me tornou mais culto e deu um sentido real a minha vida. Fez-me amar mais as pessoas e a valorizar a minha família.
PERGUNTA 15: Alguns evangélicos dizem que o dízimo era uma lei apenas para os dias do Antigo Testamento. O que diz a respeito? Como provar que alguém vai para o céu depois da morte se pessoa alguma voltou para dizer-nos como é a morte?
RESPOSTA: O dízimo bíblico é algo real, mas, nada tem a ver com os ensinos dos teólogos da prosperidade que exploram as pessoas e acabam dando uma roupagem feia ao belo ato de dizimar. Os irmãos evangélicos que afirmam ser o sistema de dízimos apenas uma lei para o Antigo Testamento ignoram Mateus 23:23, texto que você citou.
Dizimar é reconhecer que Deus é o dono de tudo (Salmo 24:1) e obedecer ao pedido dEle (Malaquias 3:8-10) para que contribuamos para o benefício de outras pessoas. Por meio do dízimo, as pessoas que trabalham em tempo integral (1 Coríntios 9:13, 14) podem ter o sustento e, a rede de TV em que trabalho pode disponibilizar gratuitamente à população serviços de consultoria bíblica, aconselhamento espiritual e ajuda psicológica – além de cursos bíblicos impressos.
Perceba que, quando empregado de forma séria, o dízimo se torna uma bênção para a família e para a sociedade.
O céu
A realidade de um Paraíso é correta quando aceitamos o ensino bíblico de que só desfrutaremos das belezas celestiais quando Jesus voltar pela segunda vez (Hebreus 9:28), de maneira gloriosa (Apocalipse 1:7) para buscar os seres humanos (João 14:1-3). As pessoas que morreram precisam primeiro ser ressuscitadas para depois irem para um lugar especial chamado Céu (ver 1 Tessalonicenses 4:13-18). A crença de que na morte a pessoa está em um estado de consciência é anti-bíblica (Salmo 6:5) e nega a necessidade de uma ressurreição corporal (1 Coríntios 15:51-55). Além disso, ignora o fato de que na Bíblia a morte é comparada a um sono (Daniel 12:13; Jeremias 51:57; João 11:11-14) até a volta de Cristo (1 Tessalonicenses 4:13-18).
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