Novo Tempo

Ciência e Criacionismo

Até design inteligente favorece a evolução?

O site Inovação Tecnológica informa que, “ao testar uma pequena barata-robô, pesquisadores acreditam ter lançado alguma luz sobre a evolução das asas e a origem do voo das aves”. A matéria logo de início admite algo interessante: “Entre os muitos elos perdidos na história da evolução animal, um dos mais instigantes é aquele que se acredita [note o fator crença aqui] existir entre os dinossauros e as aves – sim, a teoria atual afirma que as aves são descendentes diretas dos dinossauros.” A pergunta básica que os biólogos se fazem e a matéria destaca é a seguinte: Qual seria a função inicial das asas, uma vez que, em seus primórdios, o animal não saberia usá-las para voar, e elas nem mesmo seriam suficientes para isso? Boa pergunta, não é mesmo? Em outras palavras, mesmo sabendo que há fósseis de sauros com penas, por que a “cega e insensível evolução” teria começado a colocar asas em dinossauros? Detalhe: O simples fato de alguns répteis terem penas os coloca na posição de ancestrais das aves? Lulas têm olhos muito semelhantes aos dos humanos, mas não temos parentesco próximo, muito menos descendemos delas.

A conclusão de Kevin Peterson e seu professor Ron Fearing, da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, é a de que as asas podem ter “evoluído” para ajudar certos animais a manter o equilíbrio e se mover de forma mais eficiente. Os dois estavam estudando um pequeno robô com mobilidade similar à de um inseto, o Dynamic Autonomous Sprawled Hexapod (DASH), que foi inspirado em uma barata. “Como o andar do robô deixava a desejar, eles resolveram instalar asas para ver se isso o ajudaria e ser tão esperto quanto seu modelo inspirador. E as conclusões foram mais interessantes do que os pesquisadores imaginavam”, explica o Inovação Tecnológica.

E o site detalha: “Embora as asas tenham melhorado significativamente o desempenho do DASH na corrida – acelerando-o de 0,68 metro por segundo para 1,29 m/s – isso não seria suficiente para que ele decolasse. Mas, como o bater das asas melhorou ainda mais o desempenho, os cientistas acreditam que isso seja um reforço para a hipótese de que o voo começou com animais que saltavam de árvores e abriam suas protoasas para planar.”

O biólogo Robert Dudley, também de Berkeley, afirmou que a barata robótica não é o melhor modelo para estudar o voo dos pássaros porque ela tem seis pernas, e não duas, e suas asas são de plástico inteiriço, muito diferente de penas. Por isso, esse experimento não é suficientemente preciso para ser incorporado no estudo da evolução. Mas seriam apenas esses os motivos para se descartar a associação da pesquisa com a barata robô e a suposta evolução das aves?

A ânsia darwinista por evidências que corroborem suas hipóteses macroevolutivas é tanta que os faz deixar de ver certas incoerências. Lembre-se de que robôs revelam (muito) design inteligente. Pessoas tiveram que usar a cabeça, fazer cálculos, gastar dinheiro e tempo para projetar esses mecanismos relativamente simples, se comparados aos organismos que os inspiram. Os chips e programas que os fazem se mover e executar outras tarefas dependem de informação específica provida pelos projetistas inteligentes. Depois vêm uns espertinhos e dizem que esse mecanismo oriundo de design inteligente pode ajudar a entender outro mecanismo muito mais complexo (no caso, o voo), só que este fruto de mutações fortuitas, acaso e seleção natural. Assim não dá! Enquanto os hipotéticos “elos perdidos” permanecem perdidos, tudo pode ser usado para “explicar” a evolução! Até o design inteligente! Além disso, usar modelos matemáticos baseados em premissas filosóficas (no caso, o naturalismo e a macroevolução) para tentar provar algo que não se pode observar empiricamente (a origem da vida e os “saltos” evolutivos) não me parece pesquisa muito sólida.

Em seu blog no New York Times, Alex Rosenberg analisa o espantoso fato de que a evolução foi capaz de “criar” seres conscientes que, em algum momento, se aperceberam de que eles teriam evoluído. Ele escreveu: “O livro A Origem das Espécies revelou como os processos físicos por si só produzem a ilusão de design. Variações aleatórias e seleção natural são as fontes estritamente físicas da economia meios/fins da natureza que nos enganam e nos fazem procurar um designer. Os naturalistas aplicaram esse discernimento para revelar a natureza biológica das emoções humanas, percepção e cognição, linguagem, valores morais, laços sociais e instituições políticas. A filosofia naturalista, por sua vez, retribuiu o favor ajudando a psicologia, a antropologia evolutiva e a biologia a resolverem seus problemas por meio de maior clareza conceitual em torno da função, adaptação, aptidão darwiniana e seleção individual versus seleção de grupo.”

Para Rosenberg, ele e os demais seres humanos são o resultado de um processo físico que, mais tarde, lhes dotou de consciência e razão, e quer que aceitemos o fato de que essa aleatoriedade foi capaz de lhe dar um cérebro (um amontoado de moléculas dotadas da capacidade de gerar pensamentos) no qual podemos confiar!

Mas garanto que, se alguém visse a baratinha robótica na Universidade de Berkeley e não conhecesse seus criadores, jamais concluiria que ela poderia ser fruto de “variações aleatórias que nos enganam e nos fazem procurar um designer”.

Michelson Borges

Leia também: “Dúvidas sobre a evolução dinossauros-aves” e “Aves e dinossauros foram contemporâneos”

Energia misteriosa estaria expandindo o Universo

Os cientistas norte-americanos Saul Perlmutter, Adam Riess e Brian Schmidt queriam, com suas pesquisas, comprovar a tese de que o Universo estaria desacelerando em sua expansão. No entanto, com base nos dados obtidos, tiveram duas surpresas: a primeira foi a conclusão de que, na verdade, o Universo estaria acelerando em sua expansão, e a segunda foi a premiação com o Nobel de Física de 2011, graças justamente à descoberta que eles não esperavam fazer.

Os estudos do trio se basearam na observação da luz de supernovas – explosões que marcam o “fim da vida” (para usar um conceito antropológico) de estrelas muito massivas. Pesquisas sobre a expansão do Universo são feitas há um bom tempo e evidências razoavelmente confiáveis (se é que são bem interpretadas) desse fenômeno existem desde a década de 1920. A descoberta de Perlmutter, Riess e Schmidt leva a crer que 95% da energia estimada no Universo não tem origem conhecida. Ocorre que, se o Universo realmente está crescendo ou se expandindo, ele precisa ter energia para isso. A questão é: De onde vem e onde está essa energia? Os astrônomos acreditavam que energia viria somente de objetos como estrelas, planetas, seres humanos e árvores. Mas, se isso fosse verdade, a gravidade desses materiais faria o Universo frear e não crescer tão rápido.

Para o comitê de premiação do Nobel, as pesquisas realizadas pelos cientistas também mostram como estão corretas equações da teoria da relatividade geral, a principal teoria desenvolvida pelo físico alemão Albert Einstein, em 1915.

A tal “energia escura” (possível explicação para a expansão) ainda não foi detectada, no entanto, os cientistas acreditam que a maior parte do Universo possa ser formada por ela. Como chegaram a essa conclusão? Pelos efeitos indiretos dessa suposta energia misteriosa. Se o Universo está se expandindo de forma acelerada, algo ou alguma coisa deve estar anulado o efeito gravitacional que tenderia a causar o big crunch ou o hipotético colapso do Universo. Na verdade, se o Universo teve mesmo um começo (e a teoria do big bang, ainda que passível de contestações, de certa forma aponta para isso), é necessário que se busque uma causa para isso, afinal, tudo o que tem um começo precisa de uma causa. O Universo não pode ser a causa dele mesmo, ou, do contrário, deveria existir antes de existir. Assim, o Universo precisa de uma causa primeira não causada. Os cientistas sabem dessa implicação teológica do modelo, mas fogem dela chamando-a de “singularidade” – para evitar o termo “milagre”.

Mudando de assunto, mas relacionando-o à descoberta dos cientistas premiados, nos domínios da biologia, presença de informação complexa, máquinas moleculares e sistemas de complexidade irredutível não seriam também evidências indiretas da existência de um Designer inteligente? Ou os biólogos evolucionistas estariam tão “contaminados” pelo naturalismo filosófico que rejeitariam as evidências para salvar uma hipótese que nega o teísmo? Por que não seguem os passos dos físicos e astrônomos e admitem possibilidades calcadas em evidências, até que se possa provar o contrário?

Michelson Borges

Manifesto contra o criacionismo

Um grupo de 30 cientistas, entre eles Richard Dawkins e David Attenborough, assinou uma petição defendendo a ideia de que a teoria da evolução deve ser ensinada às crianças a partir dos cinco anos. Em carta ao governo britânico, o grupo pede “o combate às aulas de criacionismo nas escolas”. Para esse grupo, o criacionismo teria ganhado espaço com sua “nova roupagem” que, para eles, é a teoria do design inteligente. Segundo reportagem publicada no jornal O Globo, “a teoria científica de Darwin, internacionalmente aceita, sustenta que todos os seres vivos se desenvolveram a partir de organismos primitivos por meio de mutações genéticas aleatórias e de um processo chamado de seleção natural – em que as espécies mais bem adaptadas sobrevivem”.

Dawkins, em texto publicado no jornal Times, afirma que “a evolução é uma explicação para a existência verdadeiramente satisfatória e completa; suspeito que isso seja algo que uma criança possa apreciar desde muito nova”.

Chamar Dawkins de “cientista proeminente” (como faz a matéria de O Globo) é forçar a barra. Há quantos anos ele não põe os pés num laboratório? Que descoberta ou pesquisa científica ele fez? O neoateísta ultradarwinista-mor vive da venda de seus livros polêmicos e, certamente, de sua aposentadoria de ex-professor universitário. Ele não faz ciência, apenas divulga estridentemente seu naturalismo filosófico antiteísta e anticriacionista por meio de livros, campanhas mal-educadas e, inclusive, acampamentos para doutrinação de crianças. (Aliás, o último livro dele para crianças tem como título The Magic of Reality. Isso é muito estranho, porque, anos atrás, o biólogo que também escreveu Deus, um Delírio, disse que ensinar religião para crianças é como praticar estupro. Mas ele pode ensinar ateísmo travestido de ciência?)

A verdade é que o próprio Dawkins admite que foi por razões filosóficas e não científicas que ele se sentiu atraído para a ciência: “My interest in biology was pretty much always on the philosophical side”, ele disse, listando a seguir as questões essenciais que o guiaram: “Why do we exist, why are we here, what is it all about?” Essas são questões metafísicas e não necessariamente científicas. Mas misturar as coisas parece atitude comum no pensamento e nos textos do britânico.

Dawkins mistura propositalmente o criacionismo e a teoria do design inteligente, mas ele sabe que há diferenças entre ambos. Enquanto os criacionistas (bíblicos) sustentam que o Designer é Yahweh, os teóricos do design inteligente “não se preocupam” com a identificação do Designer, uma vez que se atêm ao método científico e às ferramentas de detecção de projeto na natureza. Eles deduzem, a partir da existência de informação complexa específica e complexidade irredutível nos seres vivos, que o acaso e a aleatoriedade jamais poderiam ser responsáveis pela existência/surgimento da vida. É mais ou menos como a ciência forense que detecta evidências na cena do crime, ainda que o criminoso tenha se evadido do local. Nesse sentido, não há por que não se ensinar design inteligente nas escolas, uma vez que o conteúdo religioso não fará parte do currículo. Por que existe esse medo de se questionar o evolucionismo? Por que apresentá-lo como “fato”, quando se sabe de suas insuficiências epistêmicas? E por que fazer isso justamente com crianças que não terão visão crítica suficiente para se posicionar? Suspeito que o objetivo final de Dawkins e seus pares seja o de criar uma sociedade ateia, usando a ideia de um não ateu (agnóstico) útil: Charles Darwin.

A teoria segundo a qual todos os organismos se desenvolveram a partir de seres primitivos (se é que podemos chamar assim seres que já possuíam as indispensáveis máquinas moleculares e a tremenda informação genética da qual dependem) é a macroevolução, nunca demonstrada em laboratório ou observada na natureza. O que Darwin constatou foi a diversificação de baixo nível que promoveu mudanças no tamanho e formato do bico e na plumagem dos tentilhões, de uma ilha para outra, em Galápagos. Somente isso. O resto é extrapolação metafísica. E é isso que Dawkins e sua turma querem empurrar para a cabeça das crianças indefesas. Doutrinação pura!

Michelson Borges

A fé seletiva de Mlodinow

Aos 15 anos de idade, li o clássico Uma Breve História do Tempo, de Stephen Hawking. Não entendi muita coisa na época, mas o livro foi mais uma contribuição para reforçar meu gosto pela ciência. Por isso mesmo, a entrevista publicada recentemente no site da revista Veja com o amigo e coautor de Hawking, Leonard Mlodinow, chamou minha atenção. Nos anos 1980, Mlodinow trabalhou como roteirista nas séries de TV McGyver – Profissão: Perigo e Jornada nas Estrelas: A Nova Geração. Leia aqui alguns trechos da entrevista, acompanhados de pequenas observações minhas entre colchetes e uma nota no fim.

Em O Grande Projeto, o senhor e Hawking afirmam que não precisamos de Deus para explicar o universo. Por quê?

Algumas pessoas têm mania de tratar a ciência como um monstro que quer dominar o universo. A ciência não tem nada contra a religião ou contra a filosofia. A ciência diz que tudo segue um conjunto de leis. Queremos saber quais são essas leis, e não acreditamos que haja exceções ou milagres. Não tentamos desacreditar milagres, mas assumimos que eles não existem porque nunca fomos capazes de reproduzi-los em laboratório. [Se a lógica for essa, o que dizer da macroevolução e do big bang, que igualmente nunca foram e certamente nunca serão reproduzidos – pelo menos não de maneira natural, sem a interferência de agentes inteligentes – em laboratório? Se a lógica for essa, muitos conceitos em ciência deverão ser descartados pelo fato de não serem reprodutíveis em laboratório.] Se há um Deus invisível e indetectável, deixamos isso para os teólogos. Só queremos descobrir as leis da natureza – sem que as pessoas se zanguem com a gente. [De fato, não é preciso se zangar com os cientistas, uma vez que a maior parte deles está sinceramente interessada em buscar a verdade dos fatos. Mas o que dá raiva é ver alguns cientistas se atreverem a ir à mídia fazer declarações que não lhes competem, como quando falam sobre teologia, Bíblia ou a existência de Deus. Deveriam seguir o conselho de Mlodinow: deixem esses assuntos com os teólogos.]

O senhor acredita em algum deus?

De certo modo sim. Apesar de acreditar nas leis da Física, parece que não existe uma razão para explicar por que essas leis existem [grifo meu]. Por que as coisas não acontecem aleatoriamente? Talvez esse seja o milagre: o Universo segue as leis da natureza. Talvez essas leis que regem o Universo sejam a definição de “deus”. [Mlodinow está chegando perto da verdade, mas, como ocorre frequentemente com cientistas treinados no naturalismo filosófico, ele recua antes da dar o último passo. Embora quase admita que a existência de leis e a não aleatoriedade do Universo – leia-se nas entrelinhas design inteligente – constituam uma ideia estranha sob o ponto de vista da casualidade e do afinalismo, Mlodinow não faz a pergunta crucial: Se existem projeto e leis, não haveria por trás deles um Projetista, um Legislador? De onde “surgiram” essas leis que regem o Universo? E como a realidade poderia existir antes dessas leis? Teriam essas leis “criado” a si mesmas?] É uma noção bem diferente de um ser que está lá em cima metendo o dedo na vida das pessoas e fazendo milagres [Mlodinow deixa escapar seu (pre)conceito equivocado de Deus – muito comum também entre os neoateus como Richard Dawkins et al. Segundo a Bíblia, Deus não fica “metendo o dedo” na vida das pessoas. Ele atua para o bem eterno delas apenas quando é convidado. Mlodinow parece querer acreditar num Deus, mas não O conhece suficientemente para fazê-lo]. A Física busca explicações simples para descrever o mundo que experimentamos.

Deus não seria uma explicação bem mais simples do que a complexa Teoria das Supercordas, por exemplo?

Seria ótimo se a explicação de tudo fosse Deus. Albert Einstein disse que os cientistas tentam fazer tudo da maneira mais simples possível, mas não de maneira simplória. [E quem disse que acreditar no Deus bíblico torna as pessoas simplórias? Grandes contribuições científicas do passado – e também no presente – foram dadas por cientistas teístas.] Essa explicação – de que Deus está por trás de tudo – não serve, por exemplo, para descrever a velocidade com que um objeto vai cair de um prédio e prever sua trajetória [para isso existe a ciência e a racionalidade; por isso temos um cérebro planejado de tal forma que nos possibilita compreender a realidade que nos cerca]. Se servisse, aí sim seria uma explicação simples, mas isso não quer dizer absolutamente nada. Descartamos esse tipo de noção. A civilização não teria ido muito longe pensando dessa forma. [A ciência nasceu pensando mais ou menos dessa forma...]

O senhor fala como se a Teoria das Supercordas, amplamente discutida no livro, já tivesse sido verificada na prática, o que não é o caso. Qual distinção faz?

Ninguém mostrou que a Teoria das Supercordas não é verificável [e ninguém também “mostrou” que Deus não existe...]. Dizemos, contudo, que não sabemos como vamos verificá-la [quanta incerteza!]. Concordo que quanto mais tempo se passa sem que uma teoria seja provada, o desinteresse cresce e os cientistas se ocupam com outros temas. Exigimos que as teorias sejam verificáveis, mas não precisa ser hoje [e, mesmo assim, continuam crendo nessas teorias não verificáveis e desprezando as muitas evidências da confiabilidade da Bíblia e da existência de Deus – cf. Romanos 1:20, 21]. Algumas demoram mesmo. Einstein levou 11 anos para formular a Teoria Geral da Relatividade.

A afirmação sobre a existência de múltiplos universos pode ter o mesmo impacto que a descoberta de que a Terra não é o centro do Universo?

Antigamente era natural pensar que tudo no Universo estava a serviço dos seres humanos. A Revolução Copérnica (de Nicolau Copérnico, astrônomo que formulou, no século XVI, a teoria de que o Sol é o centro do Sistema Solar, contrariando a crença vigente de que esse posto pertencia à Terra [lembrando que essa crença vigente se devia à filosofia aristotélica e não à Bíblia, como alguns pensam]) nos trouxe a noção de que a Terra não está no centro de tudo. Similarmente, a Revolução Darwiniana nos disse que a humanidade não é a essência da vida [darwinistas sempre gostam de fazer essa associação Copérnico/Darwin, mas se esquecem de que ambos nunca negaram Deus; Copérnico era profundamente religioso e Darwin se tornou agnóstico, não ateu]. Se a Revolução dos Multiversos for verdadeira, nem o nosso universo é o centro: existe uma infinita variedade de coisas acontecendo, e não há locais ou seres favorecidos. [Mais uma vez entra em cena a fé na ciência, já que a teoria dos multiversos ainda se trata de pura especulação.]

No fim do livro, o senhor e Hawking afirmam que a Filosofia está morta. Como assim?

Cheguei a comentar com Stephen que não deveríamos publicar isso. Originalmente, a frase foi formulada de outra maneira. Algo como: “como ferramenta para aprender sobre o mundo físico, a Filosofia está morta”. Ele concordou, mas disse que assim não causaria impacto. Decerto houve impacto, mas isso também nos atingiu, dado o número de filósofos que ficaram furiosos. O que queríamos dizer é que há muitos e muitos séculos os efeitos naturais não tinham uma explicação razoável, apesar de estar pautados pela Filosofia. Hoje, os instrumentos da Filosofia não permitem que sondas sejam enviadas ao espaço, que novas tecnologias sejam criadas para melhorar a vida das pessoas. Com a Física podemos observar o mundo, formular uma teoria, montar um experimento e fazer previsões. As teorias são verificáveis, e milagres, não. Foi nesse sentido que afirmamos que a filosofia estaria morta. [E os multiversos e as supercordas que não podem ser verificados? Filosofia? E o próprio naturalismo que serve de base ideológica para muitos cientistas? É também filosofia? Estaria morto? Sabemos que não.] [...]

Nota: Discordo de Mlodinow quando afirma que a crença em Deus acaba limitando as pesquisas. Na verdade, como já disse, os primeiros cientistas deram grande contribuição ao avanço da ciência justamente porque queriam entender o mundo criado por Deus. A curiosidade é um dom que nos foi dado pelo Criador e o intelecto deve ser aplicado tanto à pesquisa científica quanto teológica. Para mim, Isaac Newton foi um dos melhores exemplos disso. Curiosamente, enquanto Mlodinow de certa forma nega a existência do Deus judaico-cristão, continua crendo em teorias ainda não comprovadas experimental e observacionalmente: as teorias das supercordas e dos multiversos. Isso é que eu chamo de fé seletiva.

Michelson Borges

O pior cego é o que não quer ver

A revista Scientific American de agosto publicou o artigo “A fascinante evolução do olho”. Segundo o autor, Trevor D. Lamb, o olho humano é um órgão “extremamente complexo; atua como uma câmera, coletando, focando luz e convertendo a luz em um sinal elétrico traduzido em imagens pelo cérebro. Mas, em vez de um filme fotográfico, o que existe aqui é uma retina altamente especializada que detecta e processa os sinais usando dezenas de tipos de neurônios. O olho humano é tão complexo que sua origem provoca discussão entre criacionistas e defensores do desenho inteligente, que o têm como exemplo básico do que chamam de complexidade irredutível: um sistema que não funciona na ausência de quaisquer de seus componentes e, portanto, não poderia ter evoluído naturalmente de uma forma mais primitiva”.

Apesar de destacar a complexidade do órgão, Lamb adverte que “o olho, longe de ser uma peça de maquinaria criada à perfeição, exibe falhas evidentes – ‘cicatrizes’ da evolução”. Na verdade, muitas dessas “falhas” oculares já foram descartadas – confira aqui. Além disso, se se partir da cosmovisão criacionista, eventuais defeitos no olho são fruto da “involução”, não resquícios da seleção natural. Criacionistas não esperam mesmo que a natureza em seu estado atual seja perfeita.

Lamb menciona também a explosão cambriana “que deixou sua famosa marca nos registros fósseis de 540 a 490 milhões de anos atrás”, segundo a cronologia evolucionista. “Essa explosão evolutiva lançou a base para a origem de nossos tão complexos olhos”, diz ele. Mas o que nenhum darwinista se atreve a explicar é como a vida pôde de repente evoluir de seres “simples” de corpo mole para animais complexos com exoesqueleto segmentado e olhos de calcita, como no caso do trilobita, que simplesmente aparece no registro fóssil, logo acima do período pré-Cambriano.

Lamb diz ter observado que muitas características marcantes do olho dos vertebrados também ocorrem em todos os representantes atuais de um “ramo principal da árvore dos vertebrados: a dos vertebrados mandibulados”. Para ele, esse padrão sugere que os vertebrados com mandíbulas herdaram os caracteres de um ancestral comum e que “nosso olho já evoluíra por volta de 420 milhões de anos”. O que dizer, então, do olho humano em comparação com o das lulas? Esses olhos são muito parecidos, mas ninguém sugere ancestralidade próxima entre homens e lulas… Essas semelhanças seriam evidência de ancestralidade evolutiva ou a assinatura do Designer? A resposta depende da visão filosófica, não da ciência experimental.

Além disso, é bom destacar outro aspecto relacionado com a teoria da macroevolução: quando avançam no tempo passado, pelos supostos milhões de anos, o que os cientistas percebem é complexidade comparável à da vida atual – às vezes até maior. Segundo esse artigo de Lamb, há supostos 500 milhões de anos, o olho era tão complexo quanto seu correspondente atual. Como isso se explica?

O artigo diz mais: “Tomando o exemplo dos peixes cegos em cavernas, sabemos que os olhos podem sofrer degeneração significativa e até mesmo podem ser perdidos completamente em menos de dez mil anos.” Aqui criacionistas podem concordar com os evolucionistas: de fato, o que se percebe na natureza é degeneração e perda de informação genética. Isso pode ser verificado experimentalmente, pois ocorre em tempo relativamente curto. O contrário é que não ocorre: acréscimo de informação genética, isso porque, para o “surgimento” de novos órgãos funcionais e planos corporais, seria necessário o acréscimo de muita informação complexa e específica. Imagine quanta informação seria necessária para o “surgimento” do olho…

“Talvez, o olho ancestral dos protovertebrados que viveram entre 550 milhões ou 500 milhões de anos [sic] primeiro serviu como um órgão não visual, e só mais tarde o poder de processamento neural e os componentes ópticos e motores necessários para a visão espacial evoluíram”, especula Lamb. Veja a “lógica”: os cientistas evolucionistas estudam um olho degenerado contemporâneo dos olhos “evoluídos” e supõem que esse olho mais “simples” seria o equivalente dos primeiros olhos! Primeiro admitem que esse olho degenerado perdeu capacidades e funções, depois o encaixam no cenário evolutivo para dizer que, no passado inobservável, esse tipo de olho, na verdade, não teria perdido, mas ganhado! Além disso, note como o articulista resolve facilmente a questão da suposta ausência, nos supostos ancestrais, de neurônios especializados, componentes ópticos e motores necessários para a visão: tudo isso simplesmente evoluiu!

Falando ainda sobre a evolução do olho dos vertebrados, Lamb admite: “Não sabemos exatamente quando aconteceu, mas em 1994, cientistas da Universidade de Lund, na Suécia, mostraram que os componentes ópticos do olho podem ter evoluído facilmente (!) em um milhão de anos.” (A exclamação e o grifo são meus.)

Digna de admiração é a pesquisa empreendida pelo autor do artigo e seus pares. Ninguém, em são juízo, desprezaria isso. Graças a cientistas como esses é que nosso conhecimento da maravilha chamada visão tem aumentado consideravelmente. O problema é a filosofia que orienta as conclusões das pesquisas. Mais do que explicar a evolução do olho, o texto exalta sua complexidade.

Levante a mão quem acha que esse texto explicou a evolução do olho? Se você levantou, creio que deve considerar seriamente a necessidade de usar óculos.

Michelson Borges

Exageros da NASA e a festa da mídia

O site Inovação Tecnológica publicou um artigo muito bom (e franco) assinado por Agostinho Rosa. Segundo o autor, “talvez nenhum outro indicador mostre tão claramente o desespero da NASA [a agência espacial norte-americana] pela sobrevivência enquanto instituição quanto as suas recentes ‘revelações científicas’ bombásticas, sempre feitas em conferências anunciadas previamente a jornalistas do mundo inteiro. Acostumados a décadas de seriedade e estudos de ponta financiados pela agência norte-americana, vários jornalistas não têm tido o cuidado necessário para separar os novos frutos dos ‘frutos recauchutados’ e dos ‘possíveis-frutos-se-vocês-nos-derem-dinheiro-para-plantar-as-árvores’. Essa ansiedade pela mostra de resultados tem levado a NASA a promover anúncios de ‘descobertas científicas’ altamente polêmicas, seguidamente questionadas por vários grupos que não participam das pesquisas”.

Rosa recapitula que foi assim com a bactéria alienígena que respira arsênio, com as seguidas “descobertas” de água na Lua em volumes que chegaram a ser comparados aos oceanos da Terra, e com as seguidas “descobertas” de água em Marte, que têm acontecido cerca de duas vezes por ano.

A descoberta da vez diz respeito à presença de componentes de uma molécula de DNA em meteoritos, mas Rosa lembra que os chamados “blocos elementares” de uma molécula de DNA têm sido encontrados em meteoritos desde os anos 1960. Qual a novidade, então? “O mérito desse novo estudo é que os cientistas juntaram dois argumentos para descartar que o meteorito tenha sido contaminado depois de ter caído na Terra. Então, será que os anúncios anteriores não deveriam ter sido levados tão a sério?” Mas foram, como bem deve se lembrar quem leu as manchetes na época.

A maior crítica do articulista tem que ver com a forma como muitos órgãos de imprensa “traduziram” o estudo (simplesmente colocando as conclusões da pesquisa de forma taxativa demais) e com o caminho que vem tomando a busca pelas explicações da origem da vida. “Em termos puramente experimentais, a vida sempre foi um estorvo para a ciência”, diz Rosa, “se parecendo mais com uma anomalia contaminando um sistema mecanicamente muito bem engrenado.”

Para ele, é justamente por causa das dificuldades em se explicar a origem da vida aqui na Terra que a explicação para uma origem extraterrestre da vida “vem tanto a calhar”. “A procura pela origem da vida é um campo de pesquisa que vem sendo deixado praticamente de lado. Por ser complexo demais, talvez seja melhor abordá-lo aos poucos, estudando seus ‘blocos básicos’ um a um, na esperança de que o conhecimento das partes possa dar algum insight sobre a composição do todo”, revela.

E aqui está a estratégia naturalista mais bem explicada: “Ora, se pudermos dizer que a vida veio do espaço, isso nos dá um tempo precioso, já que o nosso acesso ao espaço é limitado demais para qualquer pesquisa que se queira séria. Isso tiraria de pauta qualquer necessidade de entendimento da origem da vida aqui na Terra, até hoje às voltas com uma incômoda teoria da geração espontânea, ou abiogênese. Aparentemente, os experimentos de Francesco Redi, feitos em 1668, não valem quando se considera um espaço grande o suficiente – como a Terra – em um tempo longo o suficiente – tudo parece possível desde que você possa lançar mão do largamente usado ‘argumento científico’ dos ‘ao longo de milhões de anos’.” Bingo!

E Rosa conclui assim: “A próxima discussão lógica seria considerar se, e como, esses blocos, emergindo onde quer que seja, se unem para formar a vida. Mas aí já é querer exigir da ciência acadêmica algo que ela não pode dar.”

Parabéns a Agostinho Rosa e ao site Inovação Tecnológica pela ousadia (e coragem) de publicar esse texto, indo na contramão da euforia midiática e dos repórteres que parecem não mais se dar ao trabalho de perguntar o que está nas entrelinhas das produções das agências de notícias internacionais.

Com relação à suposta origem espacial da vida, escrevi isto em meu livro A História da Vida (p. 39, 40): “Diante da tremenda dificuldade de demonstrar que a vida teria surgido sem a interferência de um ser sobrenatural, alguns cientistas propuseram uma hipótese que tem ganhado adeptos, graças ao seu poder de jogar o problema para outro campo. Trata-se da teoria da panspermia cósmica. A ideia é a de que ‘o aparecimento dos primeiros seres vivos na Terra veio dos cosmozoários, que seriam micro-organismos flutuantes no espaço cósmico. Mas existem provas concretas de que isso jamais poderia ter acontecido. Tais seres seriam destruídos pelos raios cósmicos e ultravioleta que varrem continuamente o espaço sideral’ (fonte). Isso sem contar que, se a radiação cósmica não desse conta do trabalho, o calor da entrada na atmosfera e o impacto do meteorito no qual os micro-organismos estivessem ‘embarcados’ os teria liquidado antes de terem a chance de ‘evoluir’ (como se isso também fosse fácil…). Como disse, essa hipótese é conveniente porque, se você perguntar como a vida começou em algum lugar do espaço, a resposta será: Não há como saber, pois não temos acesso ao campo de estudo. Então tá…”

Michelson Borges

Florestas na Antártida?

Uma pesquisadora britânica citada em matéria recente do jornal Folha de S. Paulo afirmou que a Antártida era um “paraíso tropical” há cerca de 40 milhões de anos (segundo a cronologia evolucionista, evidentemente). Jane Francis, do Colégio de Meio Ambiente da Universidade de Leeds, afirma que o continente gelado, que hoje tem uma camada de quatro quilômetros de gelo, foi uma região de clima quente e fauna rica. “Durante a maior parte da história geológica da Antártida a região estava coberta por bosques e desertos, um lugar que tinha um clima quente”, disse Francis. “Muitos animais, incluindo dinossauros, viviam na região. Foi no passado geológico recente que o clima esfriou”, acrescentou. 

Em 2008, cientistas americanos e britânicos anunciaram ter descoberto novas florestas fósseis de supostos 300 milhões de anos em minas de carvão em Illinois, nos Estados Unidos. De acordo com matéria publicada no site da BBC Brasil, a antiga vegetação, hoje transformada em rocha, é remanescente das primeiras florestas tropicais do mundo. 

Segundo o paleontólogo Howard Falcon-Long, da Universidade de Bristol, “a floresta [...] é dominada por árvores de musgo altas, gigantes”. Mas, então, por algum motivo, “todo o sistema entra em colapso e se reorganiza, é substituído por uma vegetação de samambaias e ervas, um ecossistema completamente diferente”, completa. Um ecossistema devastado e substituído por outro inicialmente de plantas menores… Faz pensar.

Segundo a equipe liderada pelos pesquisadores, algumas das florestas chegam a se espalhar por 10 mil hectares – o tamanho de uma cidade. Eles já haviam anunciado uma descoberta semelhante em 2007. De lá para cá, outras cinco florestas foram descobertas. 

De acordo com a BBC, os cientistas disseram ter encontrado as florestas em camadas, umas sobre as outras. “Para eles, o terreno antigo experimentou repetidos períodos de subsidência e inundações, que enterraram as matas em uma sequência vertical”, diz a reportagem. Ou teria sido uma única catástrofe hídrica a responsável por essa superposição, com tamanha quantidade de vegetação? 

A verdade é que, segundo a Bíblia, todo o planeta foi originalmente criado como um imenso jardim, com vastas florestas que, durante e depois do dilúvio, acabaram se tornando nos enormes depósitos de carvão. E isso está de acordo com as recentes descobertas científicas.

De acordo com o Dr. Clyde Webster Jr., “o processo atual mais semelhante ao da formação de carvão é a formação de turfa. Turfa é o material residual marrom escuro a preto produzido pela decomposição parcial de musgos, árvores e outras plantas que crescem em pântanos e brejos. Os cientistas estimam que seriam necessários de 0,6 a 6,1 metros de turfa para formar 0,3 metro de carvão. A variação de valores depende do tipo de carvão. Se tomarmos uma média de 3 metros de turfa para formar 0,3 metro de carvão, seriam necessários 91 metros de turfa para produzir uma camada de carvão com 9,1 metros de espessura. Há poucas turfeiras, charcos ou pântanos em qualquer lugar do mundo que alcançam uma profundidade de 30 metros. Como poderiam as turfeiras explicar filões de carvão de 91 metros?” (Clyde L. Webster Jr., A Perspectiva de um Cientista Sobre a Criação e o Dilúvio, p. 20).

Michelson Borges

A “ciência” da busca por extraterrestres

Cientistas russos recentemente fizeram declarações que mais parecem profecias – e foram ouvidos. Segundo Andrei Finkelstein, diretor do Instituto de Astronomia Aplicada da Academia Russa de Ciências, “a criação da vida é tão inevitável quanto a formação dos átomos. A vida existe em outros planetas e vamos encontrá-la em até 20 anos”. As opiniões de Finkelstein repercutiram na mídia e a Folha de S. Paulo informou que, segundo o astrônomo, 10% dos planetas conhecidos que orbitam em torno de sóis na galáxia se assemelham à Terra. Para Finkelstein, se for possível encontrar água nesses planetas, também se poderá encontrar vida. E mais: os alienígenas tenderiam a se parecer com os humanos, com dois braços, duas pernas e uma cabeça! “Eles poderiam ter pele de cores diferentes, mas até nós somos assim”, completou o cientista. 

Outros cientistas defendem a criação de uma agência especial da ONU para lidar com eventuais contatos com seres de outros planetas. Traduzindo: “Vamos gastar dinheiro antes de termos qualquer evidência de vida em outros planetas.” Os cientistas querem ver um “processo adequado baseado em conselhos de peritos sérios e responsáveis”, mas temem “interesses e oportunismo”, num caso de contato com extraterrestres, segundo a revista científica Philosophical Transactions da Royal Society, citada num artigo do jornal britânico The Guardian. “As Nações Unidas já têm um fórum ideal para lidar com a questão: o Comité para Utilização Pacífica do Espaço (Copuos)”, acrescenta o artigo. 

O astrônomo Seth Shostak, que trabalha no Search for Extraterrestrial Intelligence Institute (Seti, em inglês), na Califórnia, tem opinião um pouco diferente da de seu colega russo. Num artigo publicado na revista Acta Astronautica, ele defende que, em vez de procurar por sinais biológicos de vida alienígena, os cientistas deveriam buscar indícios de inteligência artificial. “Alguns cientistas do Seti argumentam que, em outros planetas, a vida pode ter-se desenvolvido seguindo padrões químicos e biológicos completamente distintos dos encontrados na Terra”, informa o site Inovação Tecnológica. No entanto, para pesquisadores como Finkelstein, algumas leis da bioquímica seriam universais, e os extraterrestres teriam um ciclo de vida semelhante ao humano, com nascimento, procriação e morte. Para essa corrente, também haveria evolução de espécies entre os extraterrestres, exatamente como creem que acontece com a vida na Terra.

Quando pesquisadores criacionistas falam da possibilidade de ser encontrada a arca de Noé (ou parte dela) e fósseis de seres humanos de grande porte (ou mesmo quando sugerem que homens possam ter convivido com dinossauros), são tratados como loucos e lhes é negado espaço na grande imprensa. Verbas para pesquisa, então, nem pensar! Mas cientistas darwinistas para quem a vida com toda a sua complexidade específica pode pipocar por aí, alhures no Universo, quando fazem suas “profecias” ufológicas, recebem financiamento, apoio e ganham espaço na imprensa. 

Não existem evidências concretas de que se possam detectar indícios de seres inteligentes fora da Terra (ou mesmo de que esses seres existam). No entanto, gastam-se consideráveis somas de dinheiro e tempo nessa linha de pesquisa. Ironicamente, quando alguns cientistas propõem que basta observar a complexidade da vida “debaixo de nosso nariz” para perceber que há, de fato, evidências de inteligência planejadora na criação, os naturalistas fazem careta e dizem que isso não é ciência, é “religião”. Vai entender essa parcialidade toda… A astrobiologia, que não tem objeto de estudo e não encontrou nada em mais de 50 anos de pesquisas, é considerada ciência; o design inteligente e o criacionismo são vistos como dogmas. Tudo para não admitir o óbvio: que as evidências da existência de vida inteligente fora da Terra (na verdade, as evidências da existência do Doador da vida) estão bem aqui, na Terra. 

Finalmente, note até onde podem ir as suposições darwinistas dos cientistas: além de os ETs imaginários terem ciclo de vida semelhante ao nosso, “também haveria evolução de espécies entre os extraterrestres, exatamente como acontece com a vida na Terra”. É muita fé! 

Michelson Borges

Evolução pelo faro – isso não me cheira bem

A revista Ciência Hoje de maio de 2011 publicou matéria na qual sustenta que o fato de os mamíferos (especialmente o ser humano) terem cérebro maior em relação ao corpo do que os outros seres vivos pode estar relacionado ao olfato. Os cientistas usaram uma nova técnica de tomografia computadorizada para “enxergar” dentro da cavidade craniana de fósseis de mamíferos que eles acreditam serem “ancestrais evolutivos” dos animais que vivem hoje. 

“Depois de recriar em 3D a cavidade craniana de mais de 2 mil fósseis de mamíferos e pré-mamíferos [sic], os cientistas decidiram estudar os crânios de duas espécies precursoras dessa classe, Morganucodon oehleri e Hadrocodium wui, que viveram há 190 milhões de anos [segundo a cronologia evolucionista] onde hoje é a China”, informa a revista. “Ao comparar a cavidade craniana desses fósseis com a de outros animais mais antigos, os pesquisadores perceberam que as regiões do cérebro ligadas ao olfato, como o bulbo e o córtex olfativo, eram as que mais tinham se desenvolvido. ‘A cavidade craniana desses animais provê a primeira evidência sólida dos estágios de evolução do cérebro mamífero’, diz Zhe-Xi Luo, paleontólogo do Museu de História Natural de Carnegie e um dos autores do estudo. ‘Saber que mamíferos com grandes cérebros já existiam há tantos anos põe um marco nos estudos sobre a nossa evolução.’”

Ainda segundo Ciência Hoje, os pesquisadores não sabem afirmar por que somente os pré-mamíferos (sic) desenvolveram essa habilidade olfativa. “Uma possível explicação é que a capacidade tenha surgido como uma adaptação para que esses animais, que tinham hábitos noturnos, sobrevivessem em um ecossistema dominado por dinossauros.” 

Os pesquisadores sugerem que esse avanço evolutivo teria sido possibilitado pela presença de pelos corporais nas duas espécies de animais analisadas. “Mais do que esquentar o corpo dos mamíferos”, explica a matéria, “o pelo teria sido responsável por tornar o tato mais sensível, o que estimulou a formação de novos campos sensoriais no neocortex e o desenvolvimento de uma melhor coordenação motora.”

Segundo os pesquisadores, todos esses indícios levam a crer que os cérebros mamíferos passaram por três etapas de evolução: a primeira marcada pela melhora da capacidade olfativa, a segunda por um aumento da sensibilidade tátil e a terceira pelo aumento da coordenação neuromuscular. “Nossos ancestrais mamíferos não desenvolveram um cérebro tão grande para contemplação, mas sim para o aperfeiçoamento da sua capacidade de sentir cheiros e toques”, afirma Lou. “Graças a esse avanço, nós humanos podemos hoje pensar sobre questões como esta.”

É interessante notar como cada nova descoberta transforma as certezas anteriores em “apenas especulações”. Baseado nisso, creio que seja melhor esperar o desenvolvimento de novas tecnologias antes de aceitar a atual possibilidade. A reportagem da Ciência Hoje tem a estrutura (i)lógica comum a muitos textos evolucionistas: inicia com uma possibilidade (“pode estar”) e depois trata o tema como fato (o cérebro avantajado dos mamíferos “se deve a anos de evolução”; o texto que começa com o “pode” termina com uma declaração totalmente afirmativa no último parágrafo).

Os cientistas reproduziram o formato dos crânios de alguns animais, utilizando tecnologia 3D, e estudaram o crânio de supostos precursores desses animais. Note que a ideia de precursores provém da filosofia darwinista não testável. Assim, a pesquisa parte de uma premissa para investigar o que já se considera fato: que alguns animais evoluíram para outros e que o cérebro teria essa capacidade intrínseca de aumentar de tamanho e complexidade (quando, na verdade, se sabe que o cérebro está diminuindo). 

O texto assume que a capacidade olfativa teria surgido, pura e simplesmente, mas não explica como (pra variar). Pergunto: O que teria surgido primeiro: as complexas células específicas que captam os odores e enviam estímulos para o cérebro ou os neurônios especializados que interpretam as sensações olfativas? Para que serviria um sem o outro? Ou todo o mecanismo teria surgido de uma única vez, como um verdadeiro “milagre darwiniano” que torna os darwinistas muito mais “crentes” do que os criacionistas? Além disso, a matéria e a pesquisa não dedicam uma linha sequer para tratar da dificuldade instransponível de explicar o aumento de informação genética necessária para o “surgimento” de novos órgãos e novas funções. É o tipo de texto/pesquisa que não me cheira bem.

 Michelson Borges

Seleção natural, acaso e exemplos simplistas

O telhado da casa de um jovem estava pegando fogo, mas, dentro do imóvel, ele não se dava conta do que estava acontecendo. Até que um amigo viu a fumaça, correu até lá e, à medida que se aproximava, gesticulava freneticamente para o rapaz que o viu pela janela. Avisado do perigo, ele saiu da casa e chamou os bombeiros. A lição é clara: às vezes (quase sempre) alguém que está fora da “casa” tem uma perspectiva mais ampla e consegue ver coisas que aquele que está dentro não vê. Nesta semana, recebi de um amigo ateu um artigo publicado por Rubens Pazza, que é biólogo, mestre em Biologia Celular e doutor em Genética e Evolução, e por isso merece todo o respeito. No texto, Pazza afirma que “definitivamente, evolução não ocorre ao acaso”, e pergunta: “Mas, afinal, o que torna a evolução biológica não aleatória?” Sei não… Acho que Pazza está há tanto tempo dentro do edifício darwinista que não consegue ver a fumaça – e meu amigo ateu parece não ver meus acenos do lado de fora da janela.

Pazza diz mais: “Sem mesmo cunhar o termo ‘Evolução’, Darwin nos explica que as espécies sofrem mudanças ao longo das gerações, e que um processo chamado de ‘seleção natural’ atua escolhendo os indivíduos que transmitirão suas características aos descendentes. Em outras palavras, a seleção natural determina quem viverá o tempo suficiente para se reproduzir, através do instinto básico de perpetuação da espécie.”

Para o biólogo, se há seleção, não pode haver aleatoriedade. “Não existe seleção ‘ao acaso’”, afirma. Para ele, acaso são os números sorteados num concurso como a loteria. E a seleção? Ele dá outro exemplo: “Determinado produtor planta feijão e retira de sua produção as sementes que utilizará na lavoura no próximo ano. Para isso, escolhe para o próximo plantio sempre as maiores sementes. As sementes menores são enviadas à Cooperativa. Não se pode dizer que as sementes que ele utilizará na próxima safra foram escolhidas ao acaso.”

Pazza reforça então sua tese: “É importante ficar clara a diferença entre sorteio e seleção. No sorteio, nenhuma característica em si é levada em consideração nas escolhas, tudo é ao acaso, aleatório. Em uma seleção, por outro lado, pelo menos uma característica é utilizada para separar ou escolher alguns membros dentro de um grupo.”

Como a conversa começa a se aproximar demais da ideia de um “selecionador inteligente”, Pazza se apressa em sacar outra ilustração da manga, desta vez vinda da fértil mente do ultradarwinista ateu Richard Dawkins: “Ao vermos a deposição de pedregulhos numa praia, percebemos uma ordem. As pedras menores localizam-se na região superior, aumentando gradativamente de tamanho conforme avançam para o mar, muitas vezes de um modo tão meticuloso e organizado que nossa mente poderia nos trair e nos levar a acreditar que devem ter sido intencional e racionalmente organizadas daquela maneira. Um breve retorno à realidade nos mostra a verdade. [...] não há intencionalidade nem racionalidade nessa seleção. O agente selecionador (a força das ondas) não precisa de inteligência.”

Então Pazza diferencia seleção natural (as ondas do mar) e seleção artificial (o produtor de feijão). E sentencia: “Da mesma forma que os pedregulhos são afetados pelas ondas (entre outros fatores), os fatores que afetam um determinado ser vivo podem agir sozinhos ou em conjunto, como agentes selecionadores, ou o que o jargão biológico chamaria de ‘pressões seletivas’.”

Trata-se da velha tentativa de explicar o processo quando este já teve início. De fato, a seleção natural explica bem a sobrevivência das espécies que existem hoje, mas nada tem a dizer sobre a origem das espécies que acabaram selecionadas. O livro de Darwin, na verdade, promete, mas não entrega: tem como título A Origem das Espécies, mas não explica como teria sido a origem dessas espécies e nem tampouco a origem da vida (ainda que alguns tentem livrar a barra de Darwin alegando que essa não era a intenção dele). Por mais que se usem malabarismos verbais para explicar que “não é bem assim”, a origem química da vida no suposto “mar primitivo” (sopa morna, caldo primordial, ou seja lá o que for) é fruto do acaso. Ou havia algum tipo de teleologia antes do surgimento da primeira célula?

De fato, o texto de Pazza é bem didático, mas muito simplista, vindo de um doutor. Ele tenta resolver uma questão complicadíssima se valendo de exemplos inadequados (típico do fundamentalista Dawkins). Convenhamos: comparar o “poder organizador” das ondas do mar com a tremenda informação complexa e específica contida no genoma é no mínimo impróprio. Eu aceitaria o tal poder organizador se, depois de milhões de anos, as ondas no mar pudessem escrever “a origem das espécies” na areia. Isso, sim, é informação complexa e específica, embora infinitamente mais simples do que a informação contida no núcleo de cada uma das nossas trilhões de células.

Embora Pazza utilize um bom argumento semântico para dizer que a evolução não é ao acaso, é claro que não existe seleção ao acaso, se esse fosse o caso chamaríamos a teoria do “sorteio natural” e não de seleção natural, e toda seleção implica escolha. Porém, a variabilidade disponível para a seleção é definitivamente gerada ao acaso através das mutações, e posteriormente outros mecanismos amplificam essa variabilidade, como, por exemplo, a recombinação genética. De qualquer forma, as únicas fontes de variabilidade genética continuam sendo as mutações, as quais definitivamente ocorrem ao acaso.

Finalmente, é bom dizer que intramuros estão procurando revisar a atual síntese evolutiva, já que cientistas perceberam que o selecionismo é insuficiente como mecanismo macroevolutivo. Pelo visto, alguns já estão vendo a fumaça, mesmo que não queiram admitir e abandonar o prédio em chamas… (Confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.) Darwin vai ficar irreconhecível se realmente eles não acolherem a seleção natural como mecanismo evolucionário criativo e se incorporarem alguns aspectos lamarckianos, como falam.

Fica claro que Pazza está atualizado (em parte) na literatura especializada, quando afirma que a evolução não ocorre ao acaso, só que ele não percebe que a teoria propõe um mecanismo cego e aleatório. Se não é mais pelo acaso, a evolução é dirigida. O que ou quem dirige, então? Olhe a fumaça…

Michelson Borges