Novo Tempo

Ciência e Criacionismo

A Era Glacial segundo o criacionismo

Produções cinematográficas como a animação “A Era do Gelo” dão sua parcela de contribuição para solidificar a ideia de que os períodos glaciais teriam durado centenas de milhares de anos. De fato, existem evidências de que há muitos anos as geleiras cobriram grandes áreas da América do Norte e do noroeste da Europa, mas teriam durado tanto tempo? Foram várias glaciações (a maioria dos geólogos crê que foram quatro) ou foi apenas uma?

Causa da glaciação – Segundo o Dr. James Gibson, diretor do Geoscience Research Institute, uma das melhores sugestões para a causa da glaciação é a de Michael Oard. Oard propõe que o oceano estava ainda aquecido imediatamente após o dilúvio (devido à liberação das águas sob pressão das “fontes do grande abismo” [Gênesis 7:11]). Isso significa que muita água se evaporaria e produziria precipitação, produzindo grandes quantidades de neve nas regiões mais próximas aos polos. Atividades vulcânicas (que lançam muita poeira na atmosfera) mantiveram os verões frios, aumentando a precipitação e impedindo o derretimento da neve e do gelo. Quando o chão ficou coberto de neve, passou a refletir mais a radiação solar. Isso teria esfriado ainda mais o ar acelerando o processo. Depois de várias centenas de anos, o oceano se esfriou o suficiente para diminuir a precipitação de mais neve. A atividade vulcânica declinou também, permitindo que os verões se tornassem mais quentes, provocando o derretimento do gelo.

Em seu livro O Mundo Já Foi Melhor, Harry J. Baerg acrescenta: “De acordo com as estatísticas realizadas por William J. Humphrey, professor de Física e Meteorologia, três ou quatro vezes o número de vulcões ativos, bloqueando a passagem do calor solar, poderiam reduzir a temperatura média da atmosfera o suficiente para trazer outra era glacial” (p. 66). E existem evidências de que no passado, em certo momento da história, houve muito mais atividade vulcânica (confira as pesquisas do geólogo Nahor Neves de Souza Jr., explicadas em seu livro Uma Breve História da Terra).

Outro requisito importante para uma glaciação é a umidade abundante. “Deve haver uma enorme precipitação de neve para a formação dos vastos campos. Quando a terra emergiu vagarosamente das águas do dilúvio, grandes lagos foram represados atrás de barreiras de material empilhado. Elas devem ter proporcionado parte da umidade necessária para a formação de nuvens de neve. Os oceanos circundando as áreas glaciadas supriram, sem dúvida, o resto. A temperatura fria das primeiras geleiras e a ação dos ventos tenderiam a precipitar a umidade das nuvens carregadas” (O Mundo Já Foi Melhor, p. 67, 68).

Mas como entender as evidências de que teria havido mais de uma glaciação? Segundo Baerg, a atividade vulcânica que teria causado a glaciação excessiva deve ter variado consideravelmente e o gelo poderia ter avançado e recuado várias vezes, não ocupando milhões de anos, necessariamente. Geólogos criacionistas acreditam que o gelo cobriu grande parte das regiões apenas uma vez, e que a evidência atribuída às outras eras é fruto do trabalho das águas durante o dilúvio. “Alguns glaciologistas creem que talvez as glaciações tivessem sido somente fases de avanço e retração de geleiras durante uma época glacial única” (Jean Flori e Henri Rasolofomasoandro, Em Busca das Origens, p. 274).

Duração da glaciação – No modelo de Oard, a Era Glacial pode ter durado menos de mil anos. “Devemos ter em mente”, escreve Baerg, “que não houve necessidade de milhões de anos para se desenvolver uma era glacial. Todos os fenômenos ligados ao gelo poderiam ter ocorrido em um espaço de tempo relativamente curto. Não precisamos pensar que foram necessários milhões de anos para acumular o gelo das geleiras, uma vez que, em poucos meses durante o inverno, grandes porções de terra são cobertas. [...] A formação e o desaparecimento dos lençóis de gelo devem ter ocorrido entre o tempo do dilúvio e o começo da história registrada” (O Mundo Já Foi Melhor, p. 70). E, conforme lembram Flori e Rasolofomasoandro, “a pequena glaciação do século 18 fez oscilar o limite do gelo em torno de alguns milhares de quilômetros, de norte a sul. A oscilação foi verificada no intervalo de tão-somente 150 anos” (Em Busca das Origens, p. 275).

Embora a Bíblia não registre claramente um evento como a glaciação (e esse nem é o propósito dela, ser um documento geológico), o texto de Jó 38:22 pode indicar um clima mais frio no princípio da história bíblica.

Michelson Borges

Por que duvidam da evolução?

No dia 22 de janeiro, a Folha de S. Paulo publicou um artigo do físico Marcelo Gleiser, intitulado “Por que duvidam da evolução?”. Gleiser começa apresentando dados de uma pesquisa do Gallup segundo a qual apenas 39% dos americanos “acreditam na teoria da evolução”. Em seguida, ele afirma: “Quanto mais crente, maior a desconfiança em relação à teoria de Darwin.” Mas o contrário também é verdadeiro: quanto mais ateu, maior a aceitação do darwinismo como fato, possivelmente porque o darwinismo (se corretamente compreendido) se trata de uma teoria naturalista ateia – mesmo que alguns religiosos tentem se convencer do contrário, ou seja, de que seria possível hibridizar evolucionismo com a Bíblia. Criacionistas bem informados não têm receio de ler a vasta literatura evolucionista e ateia disponível no mercado; curiosamente, são poucos os evolucionistas com quem tenho conversado que admitem ter lido um ou dois bons livros criacionistas. A verdade não precisa temer o confronto e o pesquisador sincero deve estar disposto a seguir as evidências levem aonde levar.

Gleiser continua argumentando: “Por outro lado, a evidência em favor da evolução também é indiscutível. Ela está no registro fóssil, datado usando a emissão de partículas de núcleos atômicos radioativos.” Verdade? O registro fóssil mostra que as inúmeras formas transicionais que deveriam existir simplesmente não existem; mostra também que a vida simplesmente “explode” com toda a sua complexidade no chamado período Cambriano; e mostra que a superposição de camadas se deu de maneira rápida e catastrófica, já que os extratos geológicos são plano-paralelos sem evidência na área de contato entre eles de erosão ou exposição às intempéries.

“Rochas de erupções vulcânicas (ígneas) enterradas perto de um fóssil contêm material radioativo”, prossegue o físico. “O mais comum é o urânio-235, que decai em chumbo-207.” Mas por que Gleiser não se pergunta: Por que datar um fóssil a partir de uma rocha vulcânica enterrada com ele? Quem disse que a tal rocha tem a mesma idade do fóssil? E quem disse que o processo de decaimento do urânio-235 até o chumbo-207 se deu de maneira constante no tempo, intocado, de tal forma que possamos assumir que a taxa de decaimento nunca variou? Quem disse que podemos confiar nas estimativas com respeito às quantidades dos elementos pai e filho na amostra de rocha? E a atividade vulcânica, não teria promovido alterações nos relógios radioativos? “Por que duvidam da evolução?”, pergunta o título do artigo; por esse e outros muitos motivos.

Mas os clichês evolucionistas não terminam aí e Gleiser desta vez enverada pela biologia: “A evidência em favor da evolução aparece também na resistência que bactérias podem desenvolver contra antibióticos.” Mais uma vez esse argumento das bactérias… “Por que duvidar da evolução?”, pergunta Gleiser; porque seus defensores vivem trombeteando exemplos de microevolução – aceitos pelos criacionistas – como se fossem exemplo de macroevolução; porque os evolucionistas acreditam que uma baleia evoluir de uma ameba é a mesma coisa que uma bactéria adquirir resistência a antibióticos, muito embora continue sendo bactéria.

“Quanto mais se usam antibióticos, maior a chance de que mutações gerem bactérias resistentes [e é só isso, Gleiser]. Esse tipo de adaptação por pressão seletiva pode ser investigado no laboratório, sujeitando populações de bactérias a certas drogas e monitorando modificações no seu código genético.” Perfeito, e o mesmo tipo de investigação vem sendo feita há cem anos com as drosophila. Resultado? Clique aqui para conferir. Resumo da ópera: mutações promovem modificação ou perda de informação. Não se conhece um processo natural que traga à existência, do nada, informação complexa e específica necessária para a existência de vida, mesmo a mais “simples”.

Então Gleiser volta à pergunta do artigo: “Pergunto-me por que a evolução causa tanto problema para tanta gente. Será que é tão ofensivo assim termos tido um ancestral em comum com outros primatas, como os chimpanzés?” Note como é típico este argumento evolucionista: as pedras parecem ter milhões de anos; as bactérias adquirem resistência a antibióticos; portanto, somos descendentes de um ancestral comum dos macacos e humanos (ancestral esse totalmente hipotético); isso é que é argumento non sequitur, mas o físico parece não perceber.

“Por que a evolução causa tanto problema para tanta gente”? Bem, na verdade, causa problema para aqueles que têm coragem de duvidar dela; para aqueles que, embora sejam chamados de “crentes”, resistem a crer numa teoria cuja fundamentação teórica é a filosofia naturalista, essa, sim, impossível de ser submetida ao método científico; causa problema para aqueles que pensam que a sociedade é democrática e que temos liberdade de expressão e, por isso, decidem manifestar sua discordância do establishment científico/educacional/político.

Então vem a comparação descabida: “Essa desconfiança do conhecimento científico é muito estranha, dada a nossa dependência dele no século 21. (De onde vêm os antibióticos e iPhones?)” Com todo respeito, mas isso é jogo sujo! Como Gleiser pode misturar tecnologias desenvolvidas por seres inteligentes e as hipóteses macroevolutivas naturalistas da biologia evolucionista? O que iPhones têm a ver com o suposto ancestral comum e com fósseis interpretados sob a lente darwinista?! Criacionistas não desconfiam do conhecimento científico – como Gleiser tenta induzir. Desconfiam, sim, de hipóteses metafísicas que tentam se passar por ciência experimental. Isaac Newton, Galileu Galilei e outros grandes cientistas do passado ajudaram a criar o método científico e não precisaram da evolução para fazer boa ciência. Agora quem pergunta sou eu: Por que endeusar essa hipótese e ficar tão chocado com aqueles que querem submetê-la à crítica? Não é exatamente assim que a ciência avança?

“O problema parece estar ligado ao Deus-dos-Vãos, a noção de que quanto mais aprendemos sobre o mundo, menos Deus é necessário [clique aqui para ler uma parábola relacionada com essa ideia]. Os que interpretam a Bíblia literalmente [lá vem o físico dizer como se deve interpretar a Bíblia...] veem nisso uma perda de rumo. Se Deus não criou Adão e Eva e se não nos tornamos mortais após a ‘queda do Paraíso’, como lidar com a morte? Uma teologia que insiste em contrapor a fé ao conhecimento científico só leva a um maior obscurantismo. Mesmo que não acredite em Deus [deu para perceber], imagino que existam outras formas de encontrar Deus ou outros caminhos em busca de uma espiritualidade maior na vida.”

Termino parafraseando o que Gleiser disse no parágrafo anterior: uma teoria que insiste em contrapor a filosofia naturalista (que posa de método e confunde tecnologia com ciência) ao conhecimento científico só leva a um maior obscurantismo. E querem saber, Gleiser e Folha? Cada vez que leio um texto como esse duvido ainda mais da evolução.

Michelson Borges

Animal “primitivo” tinha olho de alta precisão

Segundo matéria publicada pela Folha de S. Paulo, fósseis recém-descobertos revelam que o primeiro superpredador da história da Terra “contava com olhos à frente de seu tempo para localizar presas no oceano”. O Anomalocaris (ou “camarão anômalo”) tinha olhos dotados de pelo menos 16 mil lentes de formato hexagonal (provavelmente eram bem mais). Esses olhos eram mais poderosos do que os da maioria de seus parentes vivos hoje, embora ele tenha vivido há supostos 515 milhões de anos, quando, segundo a teoria da evolução, ainda nem havia animais terrestres. Fósseis bem preservados dos olhos do Anomalocaris nunca tinham sido encontrados, até essa descoberta na ilha Kangaroo, na Austrália. As peças foram analisadas pela equipe de John Paterson, da Universidade da Nova Inglaterra. “O material é tão bom que permite a visualização individual dos omatídios, as pequenas lentes que, juntas, perfazem o olho composto”, diz a reportagem da Folha.

Para os pesquisadores evolucionistas, o fato de os olhos do “camarão anômalo” se parecerem com os dos insetos revelaria ancestralidade comum com os artrópodes. Isso é especulação. O fato é que “a visão aguçada reforça outros elementos da anatomia da criatura – cauda e nadadeiras poderosas, corpo hidrodinâmico e apêndices bucais – que sugerem um predador ágil e feroz. Para os paleontólogos australianos, ele devia nadar em águas rasas e claras, nas quais sua visão seria útil”.

A revista científica Nature, na qual a descrição dos olhos do Anomalocaris foi publicada, colocou o invertebrado extinto na sua capa e ainda fez piada na manchete. Citando a célebre resposta do Lobo Mau à pergunta de Chapeuzinho Vermelho, a publicação diz que os olhos grandes do Anomalocaris “são para te ver melhor”.

A matéria da Nature (e a repercussão dada em outras publicações como a Folha) é paradoxal. Como os darwinistas têm coragem de chamar “primitivo” um ser vivo cuja complexidade supera a dos seus “parentes atuais”? E mais: Como, num tempo evolutivamente tão recuado, pode ter existido um tipo de olho tão extremamente complexo? (É bom lembrar que o Anomalocaris faz parte da enigmática explosão cambriana.) É mais uma evidência de que complexidade específica pode ser observada de alto a baixo na coluna geológica, deitando por terra a ideia de “ancestrais primitivos” que teriam dado origem a seres mais complexos à medida que se avança pelo tempo (um dos “deuses” da evolução).

Tudo o que os darwinistas conseguem ver é a semelhança entre o olho do Anomalocaris e o das moscas, por exemplo, como se isso indicasse ancestralidade e não a assinatura do Designer. O mesmo ocorre com lulas e seres humanos, cujos olhos são muito semelhantes, mas ninguém sugere ancestralidade direta entre ambos.

Quando se avança tanto assim no passado (levando em conta a escala de tempo evolucionista), fica a pergunta: Como pode ter havido tempo suficiente para a evolução de seres tão complexos? Eles simplesmente surgem de repente no registro fóssil? O mesmo ocorre com a água viva (confira) e com o trilobita (confira).

Os olhos grandes do Anomalocaris deveriam abrir os olhos de quem faz vista grossa para as evidências.

Michelson Borges

Leia também: “Encontrado animal marinho com olhos de cristal” e “O pior cego é o que não quer ver”

Computador de dois mil anos

Que pensamentos lhe ocorreriam, caso você encontrasse um mecanismo antiquíssimo, com mais de dois mil anos de idade, capaz de fazer cálculos astronômicos precisos; um verdadeiro computador? Esse dispositivo existe e é conhecido como Mecanismo de Anticítera. Resultado da engenhosidade dos gregos antigos, era mais sofisticado tecnologicamente do que qualquer outro mecanismo inventado por qualquer outra civilização pelo menos nos mil anos seguintes. Pesquisadores utilizaram tecnologias de imagem e de tomografia em raio x de alta resolução para estudar os fragmentos remanescentes do mecanismo. O que descobriram? Que o computador grego permitia acompanhar os movimentos da Lua – inclusive recriando sua órbita irregular –, do Sol, de alguns planetas e até prever eclipses.

O Mecanismo de Anticítera foi descoberto em 1901 por um grupo de mergulhadores que apanhavam esponjas próximo à ilha de Anticítera. As peças foram retiradas de um naufrágio a 42 metros de profundidade, ocorrido em 65 a.C.

O achado consistia em um engenhoso arranjo com pelo menos 30 engrenagens de alta precisão, todas feitas de bronze. As peças ficavam dentro de uma caixa coberta com inscrições. Reconstruções tridimensionais feitas em computador sugerem como o dispositivo pode ter funcionado.

“Trata-se de um dispositivo extraordinário, o único do tipo. Além da precisão para fazer cálculos astronômicos, tinha um lindo desenho. A maneira como as partes mecânicas foi projetada é de cair o queixo. Quem quer que o tenha construído, o fez extremamente bem”, disse Mike Edmunds, da Universidade de Cardiff.

Esse achado me faz pensar pelo menos duas coisas: (1) As civilizações antigas não tinham nada de “primitivas” e apontam para a origem superior da nossa espécie (lembre-se também das magníficas pirâmides e outras obras monumentais e inigualáveis). (2) Por que os pesquisadores concluíram logo de cara que o Mecanismo de Anticítera foi construído com engenhosidade? Não poderia ele ser o resultado do ajuntamento casual de metais ao longo de milhões de anos? Por que não? Então, por que os evolucionistas não titubeiam em atribuir à seleção natural e a mutações aleatórias (portanto, ao acaso) a existência de mecanismos infinitamente mais complexos do que os computadores mais modernos? Não consigo entender a “lógica” deles.

Note o que afirmou Edmunds: “[O dispositivo extraordinário tem um] lindo desenho. A maneira como as partes mecânicas foi projetada é de cair o queixo. Quem quer que o tenha construído, o fez extremamente bem.” Então pense nas células, no DNA, na quinesina, no olho e no cérebro humano, no flagelo bacteriano, nas bursas, na placenta, etc., etc., etc. Quem quer que os tenha construído também os fez extremamente bem.

Michelson Borges

Oito (péssimos) exemplos da evolução em ação

[Meus comentários seguem entre colchetes. – MB] A evolução é uma das maiores descobertas científicas de todos os tempos [por que será, então, que não existe sequer um prêmio Nobel em biologia evolutiva?]. Frequentemente, biólogos têm achados surpreendentes [sic]: há tantas evidências a favor da evolução, que argumentar contra ela é como negar que há uma lua no céu [essa foi de doer!]. Confira oito exemplos, entre muitos, da evolução em ação [então, vejamos o que eles têm de melhor a oferecer]:

1. Mariposa. Originalmente, a grande maioria das mariposas da espécie Biston betularia tinha uma coloração clara, que era uma boa camuflagem contra predadores. Antes da revolução industrial, uma variante escura da mariposa contava como 2% da espécie. Depois da revolução industrial, 95% das mariposas passaram a ter coloração escura. A melhor explicação para essa mudança é que as mariposas claras perderam sua vantagem de camuflagem conforme as superfícies claras foram escurecidas pela poluição, e elas foram comidas por pássaros com mais frequência. Esse é um exemplo de uma grande mudança em uma espécie, causada por mutações levando à variação e seleção natural. [Inacreditável como ainda usam esse exemplo já desmascarado como fraude. E olha que é o exemplo número um da lista! Mesmo que se conceda uma chance aos evolucionistas que ainda usam as mariposas de Manchester como exemplo de evolução, que exemplo é esse? De simples variação ou “microevolução” ou, melhor ainda, diversificação de baixo nível. As mariposas, a despeito da mudança na coloração (flutuação), continuam sendo mariposas. E ambas as cores ainda existem.]

2. Lagarto australiano. Especiação, a formação de uma nova espécie de uma espécie ancestral, envolve muitas mutações levando a mudanças significativas. Uma espécie de skink, Saiphos equalis, é um lagarto da Austrália que parece estar submetido à mudança de por ovos para dar à luz um filhote vivo. Uma vez que esses skinks podem tanto pôr ovos quanto dar à luz, os cientistas tiveram uma boa oportunidade de estudar as adaptações necessárias para o nascimento vivo.

Embriões skink envoltos em um ovo têm uma fonte extra de cálcio que os skinks nascidos vivos não têm. Essa diferença nutricional é compensada pela mãe, que secreta cálcio extra para os jovens detidos dentro dela. Isso parece ser o primeiro passo no caminho para o desenvolvimento de um sistema como a placenta dos mamíferos.

Skinks que vivem na costa tendem a pôr ovos, provavelmente porque o clima quente é previsível e suficiente para o desenvolvimento embrionário. Skinks que vivem nas montanhas mais frias tendem a dar à luz filhotes vivos, já que o corpo da mãe proporciona uma temperatura mais estável.

É de se prever que essas duas populações, em algum momento, se separem em diferentes espécies, e cada população se torne fixa na sua estratégia reprodutiva. Isso levanta uma pergunta comum em criacionistas: se o homem evoluiu do macaco, por que ainda há macacos? No caso dos skinks, seriam duas espécies formadas: uma que põe ovos e uma que tem parto. Cada uma delas seria mais adequada para seu habitat. Cada um é adaptado ao seu nicho. [Mas ainda continuam sendo skinks, não é mesmo? Comparar a gestação interna dos skinks com a placenta dos mamíferos também é forçar a barra, pois a placenta é exemplo de complexidade irredutível. Confira aqui. E mais: criacionistas bem informados sabem que os evolucionistas bem informados não sustentam a hipótese de que o ser humano teria evoluído do macaco.]

3. Mexilhões e caranguejos. Evolução acontece muitas vezes em conjunto: um predador desenvolve um método de caça melhorado, e quaisquer mutações que aumentem a capacidade de sobrevivência serão selecionadas para levar a uma mudança na população de presas.

Nós não temos que esperar um predador evoluir para observar uma mudança, no entanto, já que os humanos transportam espécies por todo o mundo, e assim podemos observar interações entre novas espécies.

O caranguejo da costa asiática (Hemigrapsus sanguineus) é uma espécie invasora na Nova Inglaterra, que se alimenta do mexilhão azul nativo. Recentemente, foi observado que os mexilhões, quando detectam caranguejos asiáticos, desenvolvem escudos mais grossos para impedir os caranguejos de comê-los.

Esse comportamento é difícil para os mexilhões, e por isso é fortemente regulamentado. O fator evolutivo aqui é que apenas os mexilhões de regiões onde os caranguejos asiáticos são endêmicos engrossam suas costas. Os de outras regiões não detectam os caranguejos como uma ameaça. [Note que os exemplos continuam sendo de diversificação de baixo nível, com mudanças em características mínimas. Assumir que o acúmulo dessas mudanças ao longo de supostos milhões de anos tornaria o mexilhão uma lagosta, isso, sim, é especulação macroevolutiva.]

4. Lagartixa italiana. Em 1971, dez lagartixas italianas (Podarcis sicula) foram introduzidas na ilha de Pod Mrčaru, a partir de uma ilha vizinha. Elas foram deixadas lá ao longo de décadas, para serem comparadas com a colônia de onde foram tiradas.

As lagartixas de Pod Mrčaru prosperaram e se adaptaram à nova ilha. Elas mudaram de uma dieta principalmente insetívora a uma pesada em vegetação. Essa mudança de dieta parece ter impulsionado outras mudanças dramáticas nos animais.

A cabeça das lagartixas de Pod Mrčaru são maiores, e tem uma força de mordida muito maior [isso é mudança “dramática”?]. Essas são adaptações-chave para lidar com as folhas que mascam. O sinal mais emocionante [!] da evolução é o desenvolvimento de músculos usados para separar porções do intestino. Eles servem para diminuir a passagem do alimento através do intestino e dar tempo para as bactérias quebrarem o material vegetal para a absorção. Este é um desenvolvimento inteiramente novo na lagartixa italiana, e uma grande adaptação. [Escrevi sobre a Podarcis sicula aqui.]

5. Sapo-cururu. O sapo-cururu na Austrália é provavelmente uma das espécies invasoras mais famosas do mundo. Ele faz imenso dano à agricultura e às espécies nativas. A Austrália é grande, e leva tempo para uma espécie invasora se espalhar. Os sapos na frente dessa onda de invasão provavelmente são os melhores adaptados para se espalhar mais rápido. Quando os sapos na frente da onda de invasão foram estudados, os pesquisadores descobriram que eles eram maiores, mais resistentes, tinham pernas mais longas que permitiam maior velocidade, e eram mais ativos. Como resultado desses tipos de adaptações, a taxa em que os sapos-cururu se espalham tem aumentado desde que eles foram introduzidos. [Diversificação de baixo nível.]

6. Tentilhões. Lembra das observações de Darwin sobre a adaptação entre os tentilhões das ilhas Galápagos? Esses tentilhões ainda estão ajudando a evolução a ser entendida. Peter e Rosemary Grant estudaram os tentilhões em uma das ilhas Galápagos, e observaram a mudança evolutiva causada pela concorrência direta de duas espécies rivais.

A espécie Geospiza fortis estava bem estabelecida na ilha de Daphne, e tinha sido estudada em profundidade. Seu bico era perfeitamente adequado para quebrar nozes grandes. Em 1982, a espécie maior Geospiza magnirostris, de uma ilha vizinha, chegou. Esses tentilhões maiores poderiam afastar os tentilhões médios de sua terra natal e comer todas as nozes de grande porte. Durante o período de estudo, os tentilhões médios da ilha de Daphne desenvolveram bicos menores e mais adequados para nozes menores, ignoradas pelos tentilhões invasores. [Esse exemplo é clássico e, mais uma vez, se refere a características mínimas como formato e tamanho do bico e cor da plumagem. Desde que Darwin pisou em Galápagos, os tentilhões continuam sendo tentilhões.]

7. Borboleta lua-azul. Estudar a evolução pode levar décadas, mas ocasionalmente a mudança acontece incrivelmente rápido. A borboleta lua-azul (Hypolimnas bolina), das ilhas Samoa, estava sendo atacada por um parasita que destruía seus embriões do sexo masculino. Isso levou a um desequilíbrio entre os sexos, até que os machos representaram apenas 1% da população da borboleta. No entanto, dentro de dez gerações (cerca de um ano), o sexo masculino voltou a contar por 40% da população. Isso não é porque o parasita desapareceu; ele ainda estava presente, mas não era mais letal aos embriões do sexo masculino.

Esse caso mostra como uma mutação que dá uma vantagem pode rapidamente se espalhar por toda uma população. Qualquer macho com a capacidade de sobreviver à infecção seria capaz de acasalar com um grande número de fêmeas, devido à escassez de outros machos, e espalhar sua imunidade através de seus genes. [Isso também mostra como uma mutação (que às vezes pode ser benéfica) que se espalha rapidamente por uma população, mesmo a de animais que podem ter várias gerações em pouco tempo, apenas lhes confere vantagens pela sobrevivência, como ocorre com as bactérias que adquirem resistência a antibióticos, por exemplo. Mas as borboletas e as bactérias continuam, depois de tantas gerações, sendo borboletas e bactérias. Diversificação de baixo nível.]

8. Evolução em laboratório. Conforme cresce uma enorme variedade de patógenos resistentes aos medicamentos, aprendemos que a evolução é mais fácil de ser observada em espécies que trocam rápido de geração. Desde 1988, no laboratório de Richard Lenski, a evolução de uma linhagem ancestral única para doze populações de E. coli foi estudada. Desde então, mais de 50 mil gerações de E. coli vieram e se foram, e as diferenças entre as populações, e entre cada população e a estirpe ancestral, foram documentadas.

Com amostras de cada população tiradas regularmente, as mudanças genéticas acumuladas puderam ser acompanhadas com facilidade. Ao longo do tempo, as bactérias se tornaram muito mais eficientes em crescer nas condições utilizadas no laboratório. O estudo forneceu evidências de como a evolução realmente ocorre [depende do que se entende por evolução]. Uma das populações desenvolveu a capacidade de utilizar o citrato como nutriente, algo de outra maneira desconhecido em populações E. coli em condições semelhantes. [Clique aqui para ler o que postei anteriormente sobre as experiências de Lenski.]

[Espero que você tenha notado que, dependendo do uso que se faz da palavra “evolução”, um criacionista pode até se considerar “evolucionista”. Sim, porque os melhores exemplos que os darwinistas têm de evolução se referem apenas à diversificação de baixo nível (“microevolução”). Como não existem exemplos de macroevolução nem evidências de que mutações genéticas teriam originado novos planos corporais e/ou órgãos funcionais, os defensores da macroevolução precisam interpretar os fósseis e elaborar suas “árvores da vida” evolutivas ficcionais. Num diálogo com darwinistas, a primeira coisa que se deve deixar clara é o conceito de evolução a que se está referindo. Caso contrário, ambos – criacionistas e evolucionistas – poderão estar falando da mesma coisa e concordando com ela (no caso, da microevolução) ou de algo totalmente diferente e não científico (no caso, a macroevolução). – MB]

(Hypescience)

Em tempo: Sou formado em Comunicação Social – Jornalismo (por isso, aprecio discutir o problema da origem da informação complexa) e tenho mestrado em Teologia (o que me fornece “ferramentas” e motivação para discutir os aspectos filosófico-teológicos das origens e a metafísica entranhada no evolucionismo moderno). Respeito profissionais como os biólogos, que certamente poderiam tecer comentários bem mais aprofundados com respeito à postagem acima e muitas outras. Mas discordo de alguns biólogos naturalistas que têm me criticado no Twitter, em fóruns e alhures, afirmando que não posso falar de biologia por não ser biólogo. Curiosamente, alguns desses biólogos mantêm blogs nos quais pregam o ateísmo e se aventuram em assuntos teológicos. A esses – para os quais defendo o direito de discutirem o que quiserem – quero lembrar de que estou em boa companhia: Darwin era teólogo, não biólogo.

Michelson Borges

Dilúvio: águas de cima e de baixo

Cientistas encontraram embaixo da Ásia oriental uma reserva de água do tamanho do Oceano Ártico (clique aqui para conferir). Outras evidências de grandes massas de água subterrâneas já foram descobertas no passado (confira). A descoberta do sismólogo Michael Wysession, da Washington University, em St. Louis, e de um aluno dele, Jesse Lawrence, será publicada em detalhes pela American Geophysical Union. O livro bíblico de Gênesis (7:11) afirma que “no ano seiscentos da vida de Noé, no mês segundo, aos dezessete dias do mês, naquele mesmo dia, se romperam todas as fontes do grande abismo, e as janelas dos céus se abriram”. A descoberta de Wysession, Lawrence e outros parece explicar a água proveniente do “grande abismo”. Mas o que dizer das “janelas do céu”? Alguns criacionistas teorizam que havia um dossel atmosférico de vapor d’água que teria condensado e se precipitado sobre a Terra. Mas seria possível adicionar outro elemento a essa inundação que veio do alto: os meteoritos.

“Cometas podem carregar muita água e o impacto de um em nosso planeta pode ter trazido uma grande quantidade, mas não toda ela, dizem especialistas” (fonte). Assim, uma intensa chuva de meteoritos (e há muitas evidências desse grande bombardeamento aqui, na Lua e em outros planetas, como Marte) poderia adicionar grandes quantidades de água, aumentando a inundação que cobriu todos os montes “que havia debaixo de todo o céu” (Gênesis 7:19; e é bom lembrar que, antes da tectonia de placas e do vulcanismo, os montes não eram tão altos como hoje). Além disso, o impacto dos meteoritos poderia causar megatsunamis e mesmo romper a crosta terrestre, liberando imensas quantidades de lava (também há muitas evidências desses gigantescos derrames) e água sob pressão (as fontes do abismo).

Curiosamente, os cientistas (darwinistas/naturalistas) aceitam a possibilidade de ter havido um dilúvio em Marte (os meteoritos cheios d’água poderiam explicar isso lá também), embora a água pareça ter desparecido do planeta vermelho. Mas se negam a aceitar a ocorrência do dilúvio aqui na Terra. Por quê? Seria por que essa história é mais bem descrita num livro antigo chamado Bíblia, rejeitado como fonte de informações científicas? Seria bom que eles soubessem que a Bíblia não contradiz as observações geológicas.

Michelson Borges

Leia também: “Inner Earth may hold more water than the seas” e “A participação dos cometas na grande inundação”

Até design inteligente favorece a evolução?

O site Inovação Tecnológica informa que, “ao testar uma pequena barata-robô, pesquisadores acreditam ter lançado alguma luz sobre a evolução das asas e a origem do voo das aves”. A matéria logo de início admite algo interessante: “Entre os muitos elos perdidos na história da evolução animal, um dos mais instigantes é aquele que se acredita [note o fator crença aqui] existir entre os dinossauros e as aves – sim, a teoria atual afirma que as aves são descendentes diretas dos dinossauros.” A pergunta básica que os biólogos se fazem e a matéria destaca é a seguinte: Qual seria a função inicial das asas, uma vez que, em seus primórdios, o animal não saberia usá-las para voar, e elas nem mesmo seriam suficientes para isso? Boa pergunta, não é mesmo? Em outras palavras, mesmo sabendo que há fósseis de sauros com penas, por que a “cega e insensível evolução” teria começado a colocar asas em dinossauros? Detalhe: O simples fato de alguns répteis terem penas os coloca na posição de ancestrais das aves? Lulas têm olhos muito semelhantes aos dos humanos, mas não temos parentesco próximo, muito menos descendemos delas.

A conclusão de Kevin Peterson e seu professor Ron Fearing, da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, é a de que as asas podem ter “evoluído” para ajudar certos animais a manter o equilíbrio e se mover de forma mais eficiente. Os dois estavam estudando um pequeno robô com mobilidade similar à de um inseto, o Dynamic Autonomous Sprawled Hexapod (DASH), que foi inspirado em uma barata. “Como o andar do robô deixava a desejar, eles resolveram instalar asas para ver se isso o ajudaria e ser tão esperto quanto seu modelo inspirador. E as conclusões foram mais interessantes do que os pesquisadores imaginavam”, explica o Inovação Tecnológica.

E o site detalha: “Embora as asas tenham melhorado significativamente o desempenho do DASH na corrida – acelerando-o de 0,68 metro por segundo para 1,29 m/s – isso não seria suficiente para que ele decolasse. Mas, como o bater das asas melhorou ainda mais o desempenho, os cientistas acreditam que isso seja um reforço para a hipótese de que o voo começou com animais que saltavam de árvores e abriam suas protoasas para planar.”

O biólogo Robert Dudley, também de Berkeley, afirmou que a barata robótica não é o melhor modelo para estudar o voo dos pássaros porque ela tem seis pernas, e não duas, e suas asas são de plástico inteiriço, muito diferente de penas. Por isso, esse experimento não é suficientemente preciso para ser incorporado no estudo da evolução. Mas seriam apenas esses os motivos para se descartar a associação da pesquisa com a barata robô e a suposta evolução das aves?

A ânsia darwinista por evidências que corroborem suas hipóteses macroevolutivas é tanta que os faz deixar de ver certas incoerências. Lembre-se de que robôs revelam (muito) design inteligente. Pessoas tiveram que usar a cabeça, fazer cálculos, gastar dinheiro e tempo para projetar esses mecanismos relativamente simples, se comparados aos organismos que os inspiram. Os chips e programas que os fazem se mover e executar outras tarefas dependem de informação específica provida pelos projetistas inteligentes. Depois vêm uns espertinhos e dizem que esse mecanismo oriundo de design inteligente pode ajudar a entender outro mecanismo muito mais complexo (no caso, o voo), só que este fruto de mutações fortuitas, acaso e seleção natural. Assim não dá! Enquanto os hipotéticos “elos perdidos” permanecem perdidos, tudo pode ser usado para “explicar” a evolução! Até o design inteligente! Além disso, usar modelos matemáticos baseados em premissas filosóficas (no caso, o naturalismo e a macroevolução) para tentar provar algo que não se pode observar empiricamente (a origem da vida e os “saltos” evolutivos) não me parece pesquisa muito sólida.

Em seu blog no New York Times, Alex Rosenberg analisa o espantoso fato de que a evolução foi capaz de “criar” seres conscientes que, em algum momento, se aperceberam de que eles teriam evoluído. Ele escreveu: “O livro A Origem das Espécies revelou como os processos físicos por si só produzem a ilusão de design. Variações aleatórias e seleção natural são as fontes estritamente físicas da economia meios/fins da natureza que nos enganam e nos fazem procurar um designer. Os naturalistas aplicaram esse discernimento para revelar a natureza biológica das emoções humanas, percepção e cognição, linguagem, valores morais, laços sociais e instituições políticas. A filosofia naturalista, por sua vez, retribuiu o favor ajudando a psicologia, a antropologia evolutiva e a biologia a resolverem seus problemas por meio de maior clareza conceitual em torno da função, adaptação, aptidão darwiniana e seleção individual versus seleção de grupo.”

Para Rosenberg, ele e os demais seres humanos são o resultado de um processo físico que, mais tarde, lhes dotou de consciência e razão, e quer que aceitemos o fato de que essa aleatoriedade foi capaz de lhe dar um cérebro (um amontoado de moléculas dotadas da capacidade de gerar pensamentos) no qual podemos confiar!

Mas garanto que, se alguém visse a baratinha robótica na Universidade de Berkeley e não conhecesse seus criadores, jamais concluiria que ela poderia ser fruto de “variações aleatórias que nos enganam e nos fazem procurar um designer”.

Michelson Borges

Leia também: “Dúvidas sobre a evolução dinossauros-aves” e “Aves e dinossauros foram contemporâneos”

Energia misteriosa estaria expandindo o Universo

Os cientistas norte-americanos Saul Perlmutter, Adam Riess e Brian Schmidt queriam, com suas pesquisas, comprovar a tese de que o Universo estaria desacelerando em sua expansão. No entanto, com base nos dados obtidos, tiveram duas surpresas: a primeira foi a conclusão de que, na verdade, o Universo estaria acelerando em sua expansão, e a segunda foi a premiação com o Nobel de Física de 2011, graças justamente à descoberta que eles não esperavam fazer.

Os estudos do trio se basearam na observação da luz de supernovas – explosões que marcam o “fim da vida” (para usar um conceito antropológico) de estrelas muito massivas. Pesquisas sobre a expansão do Universo são feitas há um bom tempo e evidências razoavelmente confiáveis (se é que são bem interpretadas) desse fenômeno existem desde a década de 1920. A descoberta de Perlmutter, Riess e Schmidt leva a crer que 95% da energia estimada no Universo não tem origem conhecida. Ocorre que, se o Universo realmente está crescendo ou se expandindo, ele precisa ter energia para isso. A questão é: De onde vem e onde está essa energia? Os astrônomos acreditavam que energia viria somente de objetos como estrelas, planetas, seres humanos e árvores. Mas, se isso fosse verdade, a gravidade desses materiais faria o Universo frear e não crescer tão rápido.

Para o comitê de premiação do Nobel, as pesquisas realizadas pelos cientistas também mostram como estão corretas equações da teoria da relatividade geral, a principal teoria desenvolvida pelo físico alemão Albert Einstein, em 1915.

A tal “energia escura” (possível explicação para a expansão) ainda não foi detectada, no entanto, os cientistas acreditam que a maior parte do Universo possa ser formada por ela. Como chegaram a essa conclusão? Pelos efeitos indiretos dessa suposta energia misteriosa. Se o Universo está se expandindo de forma acelerada, algo ou alguma coisa deve estar anulado o efeito gravitacional que tenderia a causar o big crunch ou o hipotético colapso do Universo. Na verdade, se o Universo teve mesmo um começo (e a teoria do big bang, ainda que passível de contestações, de certa forma aponta para isso), é necessário que se busque uma causa para isso, afinal, tudo o que tem um começo precisa de uma causa. O Universo não pode ser a causa dele mesmo, ou, do contrário, deveria existir antes de existir. Assim, o Universo precisa de uma causa primeira não causada. Os cientistas sabem dessa implicação teológica do modelo, mas fogem dela chamando-a de “singularidade” – para evitar o termo “milagre”.

Mudando de assunto, mas relacionando-o à descoberta dos cientistas premiados, nos domínios da biologia, presença de informação complexa, máquinas moleculares e sistemas de complexidade irredutível não seriam também evidências indiretas da existência de um Designer inteligente? Ou os biólogos evolucionistas estariam tão “contaminados” pelo naturalismo filosófico que rejeitariam as evidências para salvar uma hipótese que nega o teísmo? Por que não seguem os passos dos físicos e astrônomos e admitem possibilidades calcadas em evidências, até que se possa provar o contrário?

Michelson Borges

Manifesto contra o criacionismo

Um grupo de 30 cientistas, entre eles Richard Dawkins e David Attenborough, assinou uma petição defendendo a ideia de que a teoria da evolução deve ser ensinada às crianças a partir dos cinco anos. Em carta ao governo britânico, o grupo pede “o combate às aulas de criacionismo nas escolas”. Para esse grupo, o criacionismo teria ganhado espaço com sua “nova roupagem” que, para eles, é a teoria do design inteligente. Segundo reportagem publicada no jornal O Globo, “a teoria científica de Darwin, internacionalmente aceita, sustenta que todos os seres vivos se desenvolveram a partir de organismos primitivos por meio de mutações genéticas aleatórias e de um processo chamado de seleção natural – em que as espécies mais bem adaptadas sobrevivem”.

Dawkins, em texto publicado no jornal Times, afirma que “a evolução é uma explicação para a existência verdadeiramente satisfatória e completa; suspeito que isso seja algo que uma criança possa apreciar desde muito nova”.

Chamar Dawkins de “cientista proeminente” (como faz a matéria de O Globo) é forçar a barra. Há quantos anos ele não põe os pés num laboratório? Que descoberta ou pesquisa científica ele fez? O neoateísta ultradarwinista-mor vive da venda de seus livros polêmicos e, certamente, de sua aposentadoria de ex-professor universitário. Ele não faz ciência, apenas divulga estridentemente seu naturalismo filosófico antiteísta e anticriacionista por meio de livros, campanhas mal-educadas e, inclusive, acampamentos para doutrinação de crianças. (Aliás, o último livro dele para crianças tem como título The Magic of Reality. Isso é muito estranho, porque, anos atrás, o biólogo que também escreveu Deus, um Delírio, disse que ensinar religião para crianças é como praticar estupro. Mas ele pode ensinar ateísmo travestido de ciência?)

A verdade é que o próprio Dawkins admite que foi por razões filosóficas e não científicas que ele se sentiu atraído para a ciência: “My interest in biology was pretty much always on the philosophical side”, ele disse, listando a seguir as questões essenciais que o guiaram: “Why do we exist, why are we here, what is it all about?” Essas são questões metafísicas e não necessariamente científicas. Mas misturar as coisas parece atitude comum no pensamento e nos textos do britânico.

Dawkins mistura propositalmente o criacionismo e a teoria do design inteligente, mas ele sabe que há diferenças entre ambos. Enquanto os criacionistas (bíblicos) sustentam que o Designer é Yahweh, os teóricos do design inteligente “não se preocupam” com a identificação do Designer, uma vez que se atêm ao método científico e às ferramentas de detecção de projeto na natureza. Eles deduzem, a partir da existência de informação complexa específica e complexidade irredutível nos seres vivos, que o acaso e a aleatoriedade jamais poderiam ser responsáveis pela existência/surgimento da vida. É mais ou menos como a ciência forense que detecta evidências na cena do crime, ainda que o criminoso tenha se evadido do local. Nesse sentido, não há por que não se ensinar design inteligente nas escolas, uma vez que o conteúdo religioso não fará parte do currículo. Por que existe esse medo de se questionar o evolucionismo? Por que apresentá-lo como “fato”, quando se sabe de suas insuficiências epistêmicas? E por que fazer isso justamente com crianças que não terão visão crítica suficiente para se posicionar? Suspeito que o objetivo final de Dawkins e seus pares seja o de criar uma sociedade ateia, usando a ideia de um não ateu (agnóstico) útil: Charles Darwin.

A teoria segundo a qual todos os organismos se desenvolveram a partir de seres primitivos (se é que podemos chamar assim seres que já possuíam as indispensáveis máquinas moleculares e a tremenda informação genética da qual dependem) é a macroevolução, nunca demonstrada em laboratório ou observada na natureza. O que Darwin constatou foi a diversificação de baixo nível que promoveu mudanças no tamanho e formato do bico e na plumagem dos tentilhões, de uma ilha para outra, em Galápagos. Somente isso. O resto é extrapolação metafísica. E é isso que Dawkins e sua turma querem empurrar para a cabeça das crianças indefesas. Doutrinação pura!

Michelson Borges

A fé seletiva de Mlodinow

Aos 15 anos de idade, li o clássico Uma Breve História do Tempo, de Stephen Hawking. Não entendi muita coisa na época, mas o livro foi mais uma contribuição para reforçar meu gosto pela ciência. Por isso mesmo, a entrevista publicada recentemente no site da revista Veja com o amigo e coautor de Hawking, Leonard Mlodinow, chamou minha atenção. Nos anos 1980, Mlodinow trabalhou como roteirista nas séries de TV McGyver – Profissão: Perigo e Jornada nas Estrelas: A Nova Geração. Leia aqui alguns trechos da entrevista, acompanhados de pequenas observações minhas entre colchetes e uma nota no fim.

Em O Grande Projeto, o senhor e Hawking afirmam que não precisamos de Deus para explicar o universo. Por quê?

Algumas pessoas têm mania de tratar a ciência como um monstro que quer dominar o universo. A ciência não tem nada contra a religião ou contra a filosofia. A ciência diz que tudo segue um conjunto de leis. Queremos saber quais são essas leis, e não acreditamos que haja exceções ou milagres. Não tentamos desacreditar milagres, mas assumimos que eles não existem porque nunca fomos capazes de reproduzi-los em laboratório. [Se a lógica for essa, o que dizer da macroevolução e do big bang, que igualmente nunca foram e certamente nunca serão reproduzidos – pelo menos não de maneira natural, sem a interferência de agentes inteligentes – em laboratório? Se a lógica for essa, muitos conceitos em ciência deverão ser descartados pelo fato de não serem reprodutíveis em laboratório.] Se há um Deus invisível e indetectável, deixamos isso para os teólogos. Só queremos descobrir as leis da natureza – sem que as pessoas se zanguem com a gente. [De fato, não é preciso se zangar com os cientistas, uma vez que a maior parte deles está sinceramente interessada em buscar a verdade dos fatos. Mas o que dá raiva é ver alguns cientistas se atreverem a ir à mídia fazer declarações que não lhes competem, como quando falam sobre teologia, Bíblia ou a existência de Deus. Deveriam seguir o conselho de Mlodinow: deixem esses assuntos com os teólogos.]

O senhor acredita em algum deus?

De certo modo sim. Apesar de acreditar nas leis da Física, parece que não existe uma razão para explicar por que essas leis existem [grifo meu]. Por que as coisas não acontecem aleatoriamente? Talvez esse seja o milagre: o Universo segue as leis da natureza. Talvez essas leis que regem o Universo sejam a definição de “deus”. [Mlodinow está chegando perto da verdade, mas, como ocorre frequentemente com cientistas treinados no naturalismo filosófico, ele recua antes da dar o último passo. Embora quase admita que a existência de leis e a não aleatoriedade do Universo – leia-se nas entrelinhas design inteligente – constituam uma ideia estranha sob o ponto de vista da casualidade e do afinalismo, Mlodinow não faz a pergunta crucial: Se existem projeto e leis, não haveria por trás deles um Projetista, um Legislador? De onde “surgiram” essas leis que regem o Universo? E como a realidade poderia existir antes dessas leis? Teriam essas leis “criado” a si mesmas?] É uma noção bem diferente de um ser que está lá em cima metendo o dedo na vida das pessoas e fazendo milagres [Mlodinow deixa escapar seu (pre)conceito equivocado de Deus – muito comum também entre os neoateus como Richard Dawkins et al. Segundo a Bíblia, Deus não fica “metendo o dedo” na vida das pessoas. Ele atua para o bem eterno delas apenas quando é convidado. Mlodinow parece querer acreditar num Deus, mas não O conhece suficientemente para fazê-lo]. A Física busca explicações simples para descrever o mundo que experimentamos.

Deus não seria uma explicação bem mais simples do que a complexa Teoria das Supercordas, por exemplo?

Seria ótimo se a explicação de tudo fosse Deus. Albert Einstein disse que os cientistas tentam fazer tudo da maneira mais simples possível, mas não de maneira simplória. [E quem disse que acreditar no Deus bíblico torna as pessoas simplórias? Grandes contribuições científicas do passado – e também no presente – foram dadas por cientistas teístas.] Essa explicação – de que Deus está por trás de tudo – não serve, por exemplo, para descrever a velocidade com que um objeto vai cair de um prédio e prever sua trajetória [para isso existe a ciência e a racionalidade; por isso temos um cérebro planejado de tal forma que nos possibilita compreender a realidade que nos cerca]. Se servisse, aí sim seria uma explicação simples, mas isso não quer dizer absolutamente nada. Descartamos esse tipo de noção. A civilização não teria ido muito longe pensando dessa forma. [A ciência nasceu pensando mais ou menos dessa forma...]

O senhor fala como se a Teoria das Supercordas, amplamente discutida no livro, já tivesse sido verificada na prática, o que não é o caso. Qual distinção faz?

Ninguém mostrou que a Teoria das Supercordas não é verificável [e ninguém também “mostrou” que Deus não existe...]. Dizemos, contudo, que não sabemos como vamos verificá-la [quanta incerteza!]. Concordo que quanto mais tempo se passa sem que uma teoria seja provada, o desinteresse cresce e os cientistas se ocupam com outros temas. Exigimos que as teorias sejam verificáveis, mas não precisa ser hoje [e, mesmo assim, continuam crendo nessas teorias não verificáveis e desprezando as muitas evidências da confiabilidade da Bíblia e da existência de Deus – cf. Romanos 1:20, 21]. Algumas demoram mesmo. Einstein levou 11 anos para formular a Teoria Geral da Relatividade.

A afirmação sobre a existência de múltiplos universos pode ter o mesmo impacto que a descoberta de que a Terra não é o centro do Universo?

Antigamente era natural pensar que tudo no Universo estava a serviço dos seres humanos. A Revolução Copérnica (de Nicolau Copérnico, astrônomo que formulou, no século XVI, a teoria de que o Sol é o centro do Sistema Solar, contrariando a crença vigente de que esse posto pertencia à Terra [lembrando que essa crença vigente se devia à filosofia aristotélica e não à Bíblia, como alguns pensam]) nos trouxe a noção de que a Terra não está no centro de tudo. Similarmente, a Revolução Darwiniana nos disse que a humanidade não é a essência da vida [darwinistas sempre gostam de fazer essa associação Copérnico/Darwin, mas se esquecem de que ambos nunca negaram Deus; Copérnico era profundamente religioso e Darwin se tornou agnóstico, não ateu]. Se a Revolução dos Multiversos for verdadeira, nem o nosso universo é o centro: existe uma infinita variedade de coisas acontecendo, e não há locais ou seres favorecidos. [Mais uma vez entra em cena a fé na ciência, já que a teoria dos multiversos ainda se trata de pura especulação.]

No fim do livro, o senhor e Hawking afirmam que a Filosofia está morta. Como assim?

Cheguei a comentar com Stephen que não deveríamos publicar isso. Originalmente, a frase foi formulada de outra maneira. Algo como: “como ferramenta para aprender sobre o mundo físico, a Filosofia está morta”. Ele concordou, mas disse que assim não causaria impacto. Decerto houve impacto, mas isso também nos atingiu, dado o número de filósofos que ficaram furiosos. O que queríamos dizer é que há muitos e muitos séculos os efeitos naturais não tinham uma explicação razoável, apesar de estar pautados pela Filosofia. Hoje, os instrumentos da Filosofia não permitem que sondas sejam enviadas ao espaço, que novas tecnologias sejam criadas para melhorar a vida das pessoas. Com a Física podemos observar o mundo, formular uma teoria, montar um experimento e fazer previsões. As teorias são verificáveis, e milagres, não. Foi nesse sentido que afirmamos que a filosofia estaria morta. [E os multiversos e as supercordas que não podem ser verificados? Filosofia? E o próprio naturalismo que serve de base ideológica para muitos cientistas? É também filosofia? Estaria morto? Sabemos que não.] [...]

Nota: Discordo de Mlodinow quando afirma que a crença em Deus acaba limitando as pesquisas. Na verdade, como já disse, os primeiros cientistas deram grande contribuição ao avanço da ciência justamente porque queriam entender o mundo criado por Deus. A curiosidade é um dom que nos foi dado pelo Criador e o intelecto deve ser aplicado tanto à pesquisa científica quanto teológica. Para mim, Isaac Newton foi um dos melhores exemplos disso. Curiosamente, enquanto Mlodinow de certa forma nega a existência do Deus judaico-cristão, continua crendo em teorias ainda não comprovadas experimental e observacionalmente: as teorias das supercordas e dos multiversos. Isso é que eu chamo de fé seletiva.

Michelson Borges

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