Novo Tempo

Ciência e Criacionismo

Leite de mosca

A mosca tsé-tsé produz um único ovo por vez e a larva fica incubada no útero, onde é alimentada pela mãe com uma substância parecida com leite. Estudando essa mosca, pesquisadores ficaram surpresos ao perceber que o leite dela contém uma enzima chamada esfingomielinase, ou SMase, importante também na lactação dos mamíferos. Segundo Joshua Benoit, entomólogo da Universidade de Yale, isso significa que a mosca tsé-tsé pode ser usada em estudos sobre problemas de lactação em humanos. Benoit e os colegas dele publicaram a descoberta no periódico científico The Biology of Reproduction.

Em seres humanos, a deficiência de SMase pode causar a doença de Niemann-Pick, distúrbio neurológico que pode ser fatal em crianças pequenas, daí a importância das pesquisas sobre essa enzima compartilhada por pessoas e moscas.

Se apenas a deficiência de SMase pode ser fatal para as crianças, como conceber, do ponto de vista darwinista, a ideia de que todo o mecanismo da lactação e o ajuste fino das propriedades do leite materno em relação às necessidades do bebê pudesse ter evoluído aos poucos, passo a passo? Se apenas uma enzima faz toda essa falta, o que dizer de tudo o mais?

Mas o detalhe importante nessa pesquisa ainda não é esse. Seres humanos e moscas, definitivamente, não são “parentes” próximos na suposta árvore evolutiva. Ok. Então como explicar que seres vivos tão distantes tenham “evoluído” as mesmas enzimas e mecanismo semelhante de lactação?

Na verdade, isso é comum na natureza: o voo, a despeito de toda a complexidade envolvida no processo, “evoluiu” em seres tão diferentes quanto mamíferos, répteis, aves e insetos; a visão, igualmente, “evoluiu” de modo muito semelhante em criaturas como lulas e seres humanos; e assim por diante. Esse fato fala mais a favor do design inteligente (das digitais do Criador) ou da macroevolução cega?

Michelson Borges

A redundância das semanais

Mais uma vez uma semanal brasileira volta à carga contra o teísmo (leia-se religião judaico-cristã) dando vez e voz a um ateu raivoso. No revezamento redundante de sempre (perdoe-me a redundância), a vez foi da revista Época, com a entrevista “Deus se tornou redundante”. E o pregador, digo, entrevistado escolhido pela Época foi o cosmologista ateu Lawrence Krauss, de 57 anos, autor, entre outros, do livro Um Universo a Partir do Nada (ainda inédito no Brasil, mas, a julgar pelo padrão comportamental das grandes editoras nacionais, isso será por pouco tempo). O entrevistador é o jornalista Peter Moon, e isso já me diz muita coisa. Em 1999 – nunca me esqueço e guardo a revista até hoje – Moon, numa matéria publicada na IstoÉ, escreveu que acreditar na semana da criação e em Adão e Eva é crer numa “bobagem sem tamanho”. Portanto, a entrevista da revista Época desta semana é mais uma conversa entre amigos ateus do que uma análise de ideias e questionamento crítico. Fica na cara que as perguntas são como bolas posicionadas no pé do atacante, bastando-lhe apenas chutar em direção ao gol.

Krauss começa fazendo uma afirmação pela metade. Diz que Copérnico, Galileu e Newton “substituíram o milagre metafísico pela realidade física”, dando a entender que isso havia contribuído para deixar Deus desnecessário. Mas Krauss ignora ou omite a informação de que esses primeiros cientistas e muitos outros eram profundamente religiosos e faziam ciência (na verdade, a inventaram) com o intuito de entender como Deus havia criado o Universo. Newton atribuía a perfeição do cosmos ao Pantocrator, ou seja, ao Todo-Poderoso Criador.

Para Krauss, “a cosmologia do século 20 chegou ao ponto em que podemos falar sobre a criação e a evolução de todo o Universo, um tema que não é mais do domínio exclusivo da teologia”. O ufanismo (ou cientificismo) é tanto que o cientista afirma, também, que a ciência finalmente é capaz de explicar como o Universo surgiu. Será? Então, por que, logo em seguida, ele admite: “Sabemos que não temos todas as respostas para os mistérios da natureza. Sabemos que não temos todas as respostas e que as respostas que temos não são verdades definitivas.” Bem, se é assim, por que devo crer que seja verdade o que ele diz sobre a origem do Universo e sobre Deus? Com tamanho índice de incerteza, não se torna temerário – para não dizer arrogante – afirmar que “Deus se tornou redundante” ou que “os milagres se tornaram obsoletos”?

Krauss e Moon não querem crer no Criador, embora falem em “criação” do Universo. Mas criação a partir do quê? Para ser coerente, o naturalista ateu deve responder: a partir do nada. Mas o nada, para um cosmologista, não se trata de absolutamente nada, e aí está a contradição. Krauss diz que, “a partir do nada, o Universo teria evoluído por meio de processos naturais que levaram à formação de átomos, moléculas, estrelas, planetas, galáxias e vida”. Alguém precisa dizer para ele que processos naturais não criam ordem a partir do caos e são incapazes de originar informação complexa e específica necessária para o surgimento da vida. Mas deixemos isso para os biólogos. Voltemos ao “nada”.

Krauss e os demais cientistas naturalistas sabem que nada provém do nada. Por isso mesmo eles definem “nada” de maneira diferente do senso comum. Como explica Krauss, “o vácuo espacial não é vazio”, “nele partículas pipocam a partir do nada e desaparecem instantaneamente”. É o que alguns chamam de “vácuo quântico”, ou seja, é tudo, menos “nada”. Assim, a questão permanece: De onde vêm essas partículas supostamente precursoras da matéria e da vida? Se antes do Universo havia alguma coisa (partículas), que tipo de “nada” é esse? O fato é que, à semelhança do título Deus, um Delírio, de Dawkins, o título do livro de Krauss é pura propaganda enganosa. Sim, porque nem ele mesmo crê no nada absoluto.

Moon, que não é bobo, desvia o assunto delicado e parte para a metafísica, ao perguntar: “Aconteceu apenas uma vez? O pipocar de partículas [note que o jornalista já assume essa hipótese como fato] não poderia ter criado outros universos?” Bola no pé, novamente. Resposta de Krauss: “Sim, tudo leva a crer [olha a fé aí!] que é o caso, embora não tenhamos como provar. Podemos viver num ‘multiverso’. Nosso Universo pode ser apenas um entre infinitos outros.” Ora, posso dizer, então, que podemos viver num único Universo criado por Deus, e há muito mais evidências nessa direção do que a favor do tal “multiverso” totalmente hipotético. Mas por que essa hipótese é interessante para o naturalista? Simples: é muito difícil (senão impossível) explicar tamanha ordem (princípio antrópico) num universo que sugere design, desde o âmbito macro até o micro; num universo que parecia já estar esperando por nós. Mas, se houvesse milhões de universos, a resposta naturalista seria mais ou menos esta: “Numa infinidade de universos surgidos ao acaso, pelo menos em um deles a vida apareceu. Por quê? Não sabemos, mas se estamos aqui, é porque surgiu.” O argumento é circular (tautológico) e bem conveniente, elaborado para fugir à constatação de que um Universo foi criado para funcionar como funciona e manter a vida.

Krauss também acusa os religiosos de nunca tocar na questão da “criação de Deus”. Os religiosos nunca deixam de admitir o mistério. Mas uma coisa é certa: eles não precisam explicar a criação de Deus. O silogismo para essa questão é o seguinte: (1) tudo o que teve um começo teve uma causa; (2) o Universo teve um começo (Krauss e Moon admitem isso); portanto (3) o Universo teve uma causa. Deus, segundo a Bíblia, não teve começo e não tem fim, portanto, não precisa de e não tem uma causa.

Outra conclusão de Krauss, a partir de sua visão de mundo: “Justamente porque a vida é efêmera, todos nós deveríamos tirar o máximo proveito do breve momento que desfrutamos sob o Sol.” Trata-se, na verdade, da máxima: “Comamos e bebamos, porque amanhã morreremos.” Quanto significado para a vida! Viemos do nada, vamos para o nada e devemos aproveitar (leia-se “pão e circo”) nossos poucos e sofridos anos de existência…

Mas eis que tudo se torna claro quando lemos a respeito da concepção que Krauss mantém sobre Deus: “Prefiro viver num universo onde a vida é breve e preciosa a noutro onde o sentido da vida nos é ditado por um Saddam Hussein dos céus! [...] Não posso provar sem sombra de dúvidas que Deus não existe, mas posso afirmar que preferiria muitos mais viver num universo em que ele não exista.”

Eu também preferiria não viver num universo regido por um Deus ditador, mas não é esse o Deus apresentado pela Bíblia, quando devidamente estudada. Krauss crê num espantalho e orienta sua cosmovisão a partir disso. Ele se diz ateu, mas odeia Deus! Só com terapia para resolver um problema desses. Certa vez, Charles Chaplin disse: “Por simples bom senso, não acredito em Deus; em nenhum.” Não concordo com ele, evidentemente, mas uma coisa é certa: Chaplin era coerente. Não é o caso de Krauss. Ele crê num deus; num deus idealizado que ele odeia. Vai que o problema é a relação dele com o pai… (Armand Nicholi explica isso em seu ótimo livro).

“Deus se tornou irrelevante para a humanidade?”, é a última pergunta/bola no pé feita por Moon. E Krauss não perde o “passe”, aproveitando para reafirmar sua crença: “Se existisse um Deus, ele certamente teria deixado de se preocupar com os desígnios do cosmos logo depois de cria-lo, há 13,7 bilhões de anos, pois tudo o que aconteceu desde então pode ser explicado pela ciência. Não, Deus talvez não seja irrelevante. Ele é redundante.”

Por que devo crer nas conclusões de um cientista irado com um deus estereotipado, que admite que a ciência não tem respostas para tudo e que acredita em hipóteses metafísicas sem confirmação empírica?

Se revistas como Época e Veja fossem passarelas, por elas só desfilariam “modelos” defensores do ateísmo, e isso vem de longa data. E não adianta sugerir entrevistas com pensadores teístas, como já fiz tantas vezes. A passarela já tem dono e a redundância tende a continuar.

Michelson Borges

Em tempo: Por que as revistas Época e Veja não publicam entrevista com um ateu como este (clique aqui para saber um pouco sobre o livro dele), que ousa pensar de maneira diferente do mainstream científico/filosófico/editorial? Por que as grandes editoras nacionais não publicam livros desse tipo, mas adoram publicar qualquer rascunho de gente como Richard Dawkins? Compromisso com o naturalismo filosófico que posa de verdade? Interesse unicamente nos lucros advindos de uma literatura polêmica carente de reflexões profundas?

Cérebro: “simplicidade” e organização

Estudo publicado recentemente pela revista Science mostra que o cérebro humano não tem “lados” nem realiza tarefas de forma isolada. Ele é todo interconectado e não existem áreas específicas responsáveis por funções específicas, como sempre nos foi ensinado. Segundo os pesquisadores, os sinais que percorrem o cérebro se ordenam em uma estrutura tridimensional, como uma “grade curvada”. Portanto, longe de ser um emaranhado de fios, o cérebro é mais bem descrito como uma rede interligada.

Como os cientistas darwinistas sempre procuram interpretar suas descobertas à luz da teoria de Darwin, o Dr. Van Wedeen, autor do estudo, disse: “A velha imagem do cérebro como um emaranhado com milhares de fios separados e desconectados não fazia sentido do ponto de vista evolutivo. Como a seleção natural levaria cada um desses fios a configurações mais eficientes e vantajosas? A grande simplicidade dessa estrutura em grade é o motivo pelo qual [o cérebro] consegue acomodar as mudanças aleatórias e graduais da evolução.”

Complexidade e simplicidade, na verdade, apontam para planejamento elegante e inteligente. Por outro lado, o uso da palavra “simplicidade” não é a melhor opção, quando se fala em cérebro. Os darwinistas são tão versáteis em suas “explicações”, que chegam ao ponto de admitir, agora, que antes “a velha imagem do cérebro como um emaranhado com milhares de fios separados e desconectados não fazia sentido do ponto de vista evolutivo”. Mas não diziam isso antes. Como podem agora afirmar que a ordenada estrutura tridimensional do cérebro seja fruto de “mudanças aleatórias e graduais da evolução”? Aleatoriedade gerando ordem? Em que lugar do Universo isso ocorre? Essa pesquisa de Wedeen revela o padrão de sempre: fatos que apontam para o design inteligente e interpretação dos fatos “forçando a barra” para acomodá-los ao naturalismo filosófico.

Algo semelhante ocorreu no ano passado, quando uma pesquisa apontou que o cérebro humano está diminuindo. Segundo Brian Hare, cientista da Universidade de Duke, um cérebro menor, diferentemente do que se pensava, pode ser sinal de mais inteligência e, claro, evolução. Assim, torna-se quase impossível refutar uma teoria cujos defensores têm alto grau de adaptabilidade às circunstâncias e aos fatos novos. Se o cérebro humano estivesse aumentando de tamanho, os darwinistas diriam sem pestanejar que o ser humano está ficando mais inteligente. Mas, como está diminuindo, eles dizem que o ser humano está ficando mais… inteligente!

Lembre-se de que são os criacionistas que afirmam desde sempre que o ser humano no passado foi mais inteligente, mais forte e maior. Além da maior caixa craniana de nossos ancestrais, as obras arquitetônicas monumentais inigualáveis de civilizações antigas são outro atestado de nossa origem superior.

Michelson Borges

Mistério da mitose é desvendado

O processo de mitose celular tem sido estudado intensamente por mais de 50 anos e fascinado os cientistas durante todo esse tempo. Uma das grandes questões relacionadas a esse assunto sempre foi esta: Que eventos internos fazem com que os cromossomos se alinhem em um eixo central? Recentemente, o cientista Tomomi Kiyomitsu ajudou a resolver esse quebra-cabeça.

Usando microscopia fluorescente, os cientistas conseguem, hoje, ver a maravilha que acontece dentro das células durante a mitose. Proteínas ramificadas em forma de microtúbulos se posicionam num dos polos da célula e se ligam aos cromossomos duplicados. Essa estrutura distribui fisicamente os cromossomos com a ajuda de outros mecanismos celulares. Sem a ajuda desses mecanismos, portanto, a coisa não funcionaria. Lembre-se disso.

A mitose é um processo extremamente preciso – e tem que ser, afinal, ganhar ou perder um cromossomo (apenas um!) durante a divisão celular pode levar à morte da célula, a distúrbios de crescimento ou até ao câncer. O que Kiyomitsu observou foi que, quando o eixo oscilava entre o centro da célula, a proteína dineína se alinhava no córtex celular no lado contrário do fuso. Se o fuso se movia para a esquerda, a dineína ia para a direita, e assim por diante. Para Kiyomitsu, a chave para o mistério do alinhamento é a dineína, que é conhecida como a proteína que “leva” as cargas moleculares pelos microtúbulos. A dineína está ancorada ao córtex celular por um complexo que inclui outras proteínas. Em lugar de se mover pelos microtúbulos astrais, ela age como um “guindaste” no polo do eixo.

Kiyomitsu descobriu que quando o eixo dos cromossomos chega muito perto do córtex celular, um sinal enviado por uma proteína chega ao polo do eixo e “rebate” a dineína até o outro polo. Essas oscilações diminuem até que o eixo se forme no centro da célula. “A orientação do eixo é importante para manter o balanço entre as células-tronco e as maduras durante o desenvolvimento. Se esse processo ficar desregulado, já sabemos que pode contribuir para o surgimento de um câncer, mesmo que os cromossomos estejam divididos de maneira correta”, explica Kiyomitsu.

Gostaria de propor outro mistério para os cientistas: O que ou quem teria criado esse intrincado mecanismo da mitose? Se esse processo fosse menos elaborado do que é (a ponto de seu mau funcionamento levar a distúrbios de crescimento, câncer e à morte), como conceber a ideia de que tenha “surgido” com toda essa complexidade irredutível necessária para que a “primeira célula” pudesse se multiplicar sem desandar a fórmula da vida logo no seu início? E antes de a dineína “surgir”, o que agiria como “guindaste” no polo do eixo da célula? Mas a dineína está ancorada ao córtex celular por um complexo que inclui outras proteínas; além disso, deve existir outra proteína específica para enviar o sinal para a dineína a fim de que ela corrija as oscilações que, sem todo esse ajuste fino, levariam à morte da célula. Como tudo isso teria surgido? Por que, com tantas probabilidades em contrário, a vida “deu certo” e continua existindo?

Pelo visto, o mistério ainda não foi desvendado (pelos darwinistas, claro).

Michelson Borges

A Era Glacial segundo o criacionismo

Produções cinematográficas como a animação “A Era do Gelo” dão sua parcela de contribuição para solidificar a ideia de que os períodos glaciais teriam durado centenas de milhares de anos. De fato, existem evidências de que há muitos anos as geleiras cobriram grandes áreas da América do Norte e do noroeste da Europa, mas teriam durado tanto tempo? Foram várias glaciações (a maioria dos geólogos crê que foram quatro) ou foi apenas uma?

Causa da glaciação – Segundo o Dr. James Gibson, diretor do Geoscience Research Institute, uma das melhores sugestões para a causa da glaciação é a de Michael Oard. Oard propõe que o oceano estava ainda aquecido imediatamente após o dilúvio (devido à liberação das águas sob pressão das “fontes do grande abismo” [Gênesis 7:11]). Isso significa que muita água se evaporaria e produziria precipitação, produzindo grandes quantidades de neve nas regiões mais próximas aos polos. Atividades vulcânicas (que lançam muita poeira na atmosfera) mantiveram os verões frios, aumentando a precipitação e impedindo o derretimento da neve e do gelo. Quando o chão ficou coberto de neve, passou a refletir mais a radiação solar. Isso teria esfriado ainda mais o ar acelerando o processo. Depois de várias centenas de anos, o oceano se esfriou o suficiente para diminuir a precipitação de mais neve. A atividade vulcânica declinou também, permitindo que os verões se tornassem mais quentes, provocando o derretimento do gelo.

Em seu livro O Mundo Já Foi Melhor, Harry J. Baerg acrescenta: “De acordo com as estatísticas realizadas por William J. Humphrey, professor de Física e Meteorologia, três ou quatro vezes o número de vulcões ativos, bloqueando a passagem do calor solar, poderiam reduzir a temperatura média da atmosfera o suficiente para trazer outra era glacial” (p. 66). E existem evidências de que no passado, em certo momento da história, houve muito mais atividade vulcânica (confira as pesquisas do geólogo Nahor Neves de Souza Jr., explicadas em seu livro Uma Breve História da Terra).

Outro requisito importante para uma glaciação é a umidade abundante. “Deve haver uma enorme precipitação de neve para a formação dos vastos campos. Quando a terra emergiu vagarosamente das águas do dilúvio, grandes lagos foram represados atrás de barreiras de material empilhado. Elas devem ter proporcionado parte da umidade necessária para a formação de nuvens de neve. Os oceanos circundando as áreas glaciadas supriram, sem dúvida, o resto. A temperatura fria das primeiras geleiras e a ação dos ventos tenderiam a precipitar a umidade das nuvens carregadas” (O Mundo Já Foi Melhor, p. 67, 68).

Mas como entender as evidências de que teria havido mais de uma glaciação? Segundo Baerg, a atividade vulcânica que teria causado a glaciação excessiva deve ter variado consideravelmente e o gelo poderia ter avançado e recuado várias vezes, não ocupando milhões de anos, necessariamente. Geólogos criacionistas acreditam que o gelo cobriu grande parte das regiões apenas uma vez, e que a evidência atribuída às outras eras é fruto do trabalho das águas durante o dilúvio. “Alguns glaciologistas creem que talvez as glaciações tivessem sido somente fases de avanço e retração de geleiras durante uma época glacial única” (Jean Flori e Henri Rasolofomasoandro, Em Busca das Origens, p. 274).

Duração da glaciação – No modelo de Oard, a Era Glacial pode ter durado menos de mil anos. “Devemos ter em mente”, escreve Baerg, “que não houve necessidade de milhões de anos para se desenvolver uma era glacial. Todos os fenômenos ligados ao gelo poderiam ter ocorrido em um espaço de tempo relativamente curto. Não precisamos pensar que foram necessários milhões de anos para acumular o gelo das geleiras, uma vez que, em poucos meses durante o inverno, grandes porções de terra são cobertas. [...] A formação e o desaparecimento dos lençóis de gelo devem ter ocorrido entre o tempo do dilúvio e o começo da história registrada” (O Mundo Já Foi Melhor, p. 70). E, conforme lembram Flori e Rasolofomasoandro, “a pequena glaciação do século 18 fez oscilar o limite do gelo em torno de alguns milhares de quilômetros, de norte a sul. A oscilação foi verificada no intervalo de tão-somente 150 anos” (Em Busca das Origens, p. 275).

Embora a Bíblia não registre claramente um evento como a glaciação (e esse nem é o propósito dela, ser um documento geológico), o texto de Jó 38:22 pode indicar um clima mais frio no princípio da história bíblica.

Michelson Borges

Por que duvidam da evolução?

No dia 22 de janeiro, a Folha de S. Paulo publicou um artigo do físico Marcelo Gleiser, intitulado “Por que duvidam da evolução?”. Gleiser começa apresentando dados de uma pesquisa do Gallup segundo a qual apenas 39% dos americanos “acreditam na teoria da evolução”. Em seguida, ele afirma: “Quanto mais crente, maior a desconfiança em relação à teoria de Darwin.” Mas o contrário também é verdadeiro: quanto mais ateu, maior a aceitação do darwinismo como fato, possivelmente porque o darwinismo (se corretamente compreendido) se trata de uma teoria naturalista ateia – mesmo que alguns religiosos tentem se convencer do contrário, ou seja, de que seria possível hibridizar evolucionismo com a Bíblia. Criacionistas bem informados não têm receio de ler a vasta literatura evolucionista e ateia disponível no mercado; curiosamente, são poucos os evolucionistas com quem tenho conversado que admitem ter lido um ou dois bons livros criacionistas. A verdade não precisa temer o confronto e o pesquisador sincero deve estar disposto a seguir as evidências levem aonde levar.

Gleiser continua argumentando: “Por outro lado, a evidência em favor da evolução também é indiscutível. Ela está no registro fóssil, datado usando a emissão de partículas de núcleos atômicos radioativos.” Verdade? O registro fóssil mostra que as inúmeras formas transicionais que deveriam existir simplesmente não existem; mostra também que a vida simplesmente “explode” com toda a sua complexidade no chamado período Cambriano; e mostra que a superposição de camadas se deu de maneira rápida e catastrófica, já que os extratos geológicos são plano-paralelos sem evidência na área de contato entre eles de erosão ou exposição às intempéries.

“Rochas de erupções vulcânicas (ígneas) enterradas perto de um fóssil contêm material radioativo”, prossegue o físico. “O mais comum é o urânio-235, que decai em chumbo-207.” Mas por que Gleiser não se pergunta: Por que datar um fóssil a partir de uma rocha vulcânica enterrada com ele? Quem disse que a tal rocha tem a mesma idade do fóssil? E quem disse que o processo de decaimento do urânio-235 até o chumbo-207 se deu de maneira constante no tempo, intocado, de tal forma que possamos assumir que a taxa de decaimento nunca variou? Quem disse que podemos confiar nas estimativas com respeito às quantidades dos elementos pai e filho na amostra de rocha? E a atividade vulcânica, não teria promovido alterações nos relógios radioativos? “Por que duvidam da evolução?”, pergunta o título do artigo; por esse e outros muitos motivos.

Mas os clichês evolucionistas não terminam aí e Gleiser desta vez enverada pela biologia: “A evidência em favor da evolução aparece também na resistência que bactérias podem desenvolver contra antibióticos.” Mais uma vez esse argumento das bactérias… “Por que duvidar da evolução?”, pergunta Gleiser; porque seus defensores vivem trombeteando exemplos de microevolução – aceitos pelos criacionistas – como se fossem exemplo de macroevolução; porque os evolucionistas acreditam que uma baleia evoluir de uma ameba é a mesma coisa que uma bactéria adquirir resistência a antibióticos, muito embora continue sendo bactéria.

“Quanto mais se usam antibióticos, maior a chance de que mutações gerem bactérias resistentes [e é só isso, Gleiser]. Esse tipo de adaptação por pressão seletiva pode ser investigado no laboratório, sujeitando populações de bactérias a certas drogas e monitorando modificações no seu código genético.” Perfeito, e o mesmo tipo de investigação vem sendo feita há cem anos com as drosophila. Resultado? Clique aqui para conferir. Resumo da ópera: mutações promovem modificação ou perda de informação. Não se conhece um processo natural que traga à existência, do nada, informação complexa e específica necessária para a existência de vida, mesmo a mais “simples”.

Então Gleiser volta à pergunta do artigo: “Pergunto-me por que a evolução causa tanto problema para tanta gente. Será que é tão ofensivo assim termos tido um ancestral em comum com outros primatas, como os chimpanzés?” Note como é típico este argumento evolucionista: as pedras parecem ter milhões de anos; as bactérias adquirem resistência a antibióticos; portanto, somos descendentes de um ancestral comum dos macacos e humanos (ancestral esse totalmente hipotético); isso é que é argumento non sequitur, mas o físico parece não perceber.

“Por que a evolução causa tanto problema para tanta gente”? Bem, na verdade, causa problema para aqueles que têm coragem de duvidar dela; para aqueles que, embora sejam chamados de “crentes”, resistem a crer numa teoria cuja fundamentação teórica é a filosofia naturalista, essa, sim, impossível de ser submetida ao método científico; causa problema para aqueles que pensam que a sociedade é democrática e que temos liberdade de expressão e, por isso, decidem manifestar sua discordância do establishment científico/educacional/político.

Então vem a comparação descabida: “Essa desconfiança do conhecimento científico é muito estranha, dada a nossa dependência dele no século 21. (De onde vêm os antibióticos e iPhones?)” Com todo respeito, mas isso é jogo sujo! Como Gleiser pode misturar tecnologias desenvolvidas por seres inteligentes e as hipóteses macroevolutivas naturalistas da biologia evolucionista? O que iPhones têm a ver com o suposto ancestral comum e com fósseis interpretados sob a lente darwinista?! Criacionistas não desconfiam do conhecimento científico – como Gleiser tenta induzir. Desconfiam, sim, de hipóteses metafísicas que tentam se passar por ciência experimental. Isaac Newton, Galileu Galilei e outros grandes cientistas do passado ajudaram a criar o método científico e não precisaram da evolução para fazer boa ciência. Agora quem pergunta sou eu: Por que endeusar essa hipótese e ficar tão chocado com aqueles que querem submetê-la à crítica? Não é exatamente assim que a ciência avança?

“O problema parece estar ligado ao Deus-dos-Vãos, a noção de que quanto mais aprendemos sobre o mundo, menos Deus é necessário [clique aqui para ler uma parábola relacionada com essa ideia]. Os que interpretam a Bíblia literalmente [lá vem o físico dizer como se deve interpretar a Bíblia...] veem nisso uma perda de rumo. Se Deus não criou Adão e Eva e se não nos tornamos mortais após a ‘queda do Paraíso’, como lidar com a morte? Uma teologia que insiste em contrapor a fé ao conhecimento científico só leva a um maior obscurantismo. Mesmo que não acredite em Deus [deu para perceber], imagino que existam outras formas de encontrar Deus ou outros caminhos em busca de uma espiritualidade maior na vida.”

Termino parafraseando o que Gleiser disse no parágrafo anterior: uma teoria que insiste em contrapor a filosofia naturalista (que posa de método e confunde tecnologia com ciência) ao conhecimento científico só leva a um maior obscurantismo. E querem saber, Gleiser e Folha? Cada vez que leio um texto como esse duvido ainda mais da evolução.

Michelson Borges

Animal “primitivo” tinha olho de alta precisão

Segundo matéria publicada pela Folha de S. Paulo, fósseis recém-descobertos revelam que o primeiro superpredador da história da Terra “contava com olhos à frente de seu tempo para localizar presas no oceano”. O Anomalocaris (ou “camarão anômalo”) tinha olhos dotados de pelo menos 16 mil lentes de formato hexagonal (provavelmente eram bem mais). Esses olhos eram mais poderosos do que os da maioria de seus parentes vivos hoje, embora ele tenha vivido há supostos 515 milhões de anos, quando, segundo a teoria da evolução, ainda nem havia animais terrestres. Fósseis bem preservados dos olhos do Anomalocaris nunca tinham sido encontrados, até essa descoberta na ilha Kangaroo, na Austrália. As peças foram analisadas pela equipe de John Paterson, da Universidade da Nova Inglaterra. “O material é tão bom que permite a visualização individual dos omatídios, as pequenas lentes que, juntas, perfazem o olho composto”, diz a reportagem da Folha.

Para os pesquisadores evolucionistas, o fato de os olhos do “camarão anômalo” se parecerem com os dos insetos revelaria ancestralidade comum com os artrópodes. Isso é especulação. O fato é que “a visão aguçada reforça outros elementos da anatomia da criatura – cauda e nadadeiras poderosas, corpo hidrodinâmico e apêndices bucais – que sugerem um predador ágil e feroz. Para os paleontólogos australianos, ele devia nadar em águas rasas e claras, nas quais sua visão seria útil”.

A revista científica Nature, na qual a descrição dos olhos do Anomalocaris foi publicada, colocou o invertebrado extinto na sua capa e ainda fez piada na manchete. Citando a célebre resposta do Lobo Mau à pergunta de Chapeuzinho Vermelho, a publicação diz que os olhos grandes do Anomalocaris “são para te ver melhor”.

A matéria da Nature (e a repercussão dada em outras publicações como a Folha) é paradoxal. Como os darwinistas têm coragem de chamar “primitivo” um ser vivo cuja complexidade supera a dos seus “parentes atuais”? E mais: Como, num tempo evolutivamente tão recuado, pode ter existido um tipo de olho tão extremamente complexo? (É bom lembrar que o Anomalocaris faz parte da enigmática explosão cambriana.) É mais uma evidência de que complexidade específica pode ser observada de alto a baixo na coluna geológica, deitando por terra a ideia de “ancestrais primitivos” que teriam dado origem a seres mais complexos à medida que se avança pelo tempo (um dos “deuses” da evolução).

Tudo o que os darwinistas conseguem ver é a semelhança entre o olho do Anomalocaris e o das moscas, por exemplo, como se isso indicasse ancestralidade e não a assinatura do Designer. O mesmo ocorre com lulas e seres humanos, cujos olhos são muito semelhantes, mas ninguém sugere ancestralidade direta entre ambos.

Quando se avança tanto assim no passado (levando em conta a escala de tempo evolucionista), fica a pergunta: Como pode ter havido tempo suficiente para a evolução de seres tão complexos? Eles simplesmente surgem de repente no registro fóssil? O mesmo ocorre com a água viva (confira) e com o trilobita (confira).

Os olhos grandes do Anomalocaris deveriam abrir os olhos de quem faz vista grossa para as evidências.

Michelson Borges

Leia também: “Encontrado animal marinho com olhos de cristal” e “O pior cego é o que não quer ver”

Computador de dois mil anos

Que pensamentos lhe ocorreriam, caso você encontrasse um mecanismo antiquíssimo, com mais de dois mil anos de idade, capaz de fazer cálculos astronômicos precisos; um verdadeiro computador? Esse dispositivo existe e é conhecido como Mecanismo de Anticítera. Resultado da engenhosidade dos gregos antigos, era mais sofisticado tecnologicamente do que qualquer outro mecanismo inventado por qualquer outra civilização pelo menos nos mil anos seguintes. Pesquisadores utilizaram tecnologias de imagem e de tomografia em raio x de alta resolução para estudar os fragmentos remanescentes do mecanismo. O que descobriram? Que o computador grego permitia acompanhar os movimentos da Lua – inclusive recriando sua órbita irregular –, do Sol, de alguns planetas e até prever eclipses.

O Mecanismo de Anticítera foi descoberto em 1901 por um grupo de mergulhadores que apanhavam esponjas próximo à ilha de Anticítera. As peças foram retiradas de um naufrágio a 42 metros de profundidade, ocorrido em 65 a.C.

O achado consistia em um engenhoso arranjo com pelo menos 30 engrenagens de alta precisão, todas feitas de bronze. As peças ficavam dentro de uma caixa coberta com inscrições. Reconstruções tridimensionais feitas em computador sugerem como o dispositivo pode ter funcionado.

“Trata-se de um dispositivo extraordinário, o único do tipo. Além da precisão para fazer cálculos astronômicos, tinha um lindo desenho. A maneira como as partes mecânicas foi projetada é de cair o queixo. Quem quer que o tenha construído, o fez extremamente bem”, disse Mike Edmunds, da Universidade de Cardiff.

Esse achado me faz pensar pelo menos duas coisas: (1) As civilizações antigas não tinham nada de “primitivas” e apontam para a origem superior da nossa espécie (lembre-se também das magníficas pirâmides e outras obras monumentais e inigualáveis). (2) Por que os pesquisadores concluíram logo de cara que o Mecanismo de Anticítera foi construído com engenhosidade? Não poderia ele ser o resultado do ajuntamento casual de metais ao longo de milhões de anos? Por que não? Então, por que os evolucionistas não titubeiam em atribuir à seleção natural e a mutações aleatórias (portanto, ao acaso) a existência de mecanismos infinitamente mais complexos do que os computadores mais modernos? Não consigo entender a “lógica” deles.

Note o que afirmou Edmunds: “[O dispositivo extraordinário tem um] lindo desenho. A maneira como as partes mecânicas foi projetada é de cair o queixo. Quem quer que o tenha construído, o fez extremamente bem.” Então pense nas células, no DNA, na quinesina, no olho e no cérebro humano, no flagelo bacteriano, nas bursas, na placenta, etc., etc., etc. Quem quer que os tenha construído também os fez extremamente bem.

Michelson Borges

Oito (péssimos) exemplos da evolução em ação

[Meus comentários seguem entre colchetes. – MB] A evolução é uma das maiores descobertas científicas de todos os tempos [por que será, então, que não existe sequer um prêmio Nobel em biologia evolutiva?]. Frequentemente, biólogos têm achados surpreendentes [sic]: há tantas evidências a favor da evolução, que argumentar contra ela é como negar que há uma lua no céu [essa foi de doer!]. Confira oito exemplos, entre muitos, da evolução em ação [então, vejamos o que eles têm de melhor a oferecer]:

1. Mariposa. Originalmente, a grande maioria das mariposas da espécie Biston betularia tinha uma coloração clara, que era uma boa camuflagem contra predadores. Antes da revolução industrial, uma variante escura da mariposa contava como 2% da espécie. Depois da revolução industrial, 95% das mariposas passaram a ter coloração escura. A melhor explicação para essa mudança é que as mariposas claras perderam sua vantagem de camuflagem conforme as superfícies claras foram escurecidas pela poluição, e elas foram comidas por pássaros com mais frequência. Esse é um exemplo de uma grande mudança em uma espécie, causada por mutações levando à variação e seleção natural. [Inacreditável como ainda usam esse exemplo já desmascarado como fraude. E olha que é o exemplo número um da lista! Mesmo que se conceda uma chance aos evolucionistas que ainda usam as mariposas de Manchester como exemplo de evolução, que exemplo é esse? De simples variação ou “microevolução” ou, melhor ainda, diversificação de baixo nível. As mariposas, a despeito da mudança na coloração (flutuação), continuam sendo mariposas. E ambas as cores ainda existem.]

2. Lagarto australiano. Especiação, a formação de uma nova espécie de uma espécie ancestral, envolve muitas mutações levando a mudanças significativas. Uma espécie de skink, Saiphos equalis, é um lagarto da Austrália que parece estar submetido à mudança de por ovos para dar à luz um filhote vivo. Uma vez que esses skinks podem tanto pôr ovos quanto dar à luz, os cientistas tiveram uma boa oportunidade de estudar as adaptações necessárias para o nascimento vivo.

Embriões skink envoltos em um ovo têm uma fonte extra de cálcio que os skinks nascidos vivos não têm. Essa diferença nutricional é compensada pela mãe, que secreta cálcio extra para os jovens detidos dentro dela. Isso parece ser o primeiro passo no caminho para o desenvolvimento de um sistema como a placenta dos mamíferos.

Skinks que vivem na costa tendem a pôr ovos, provavelmente porque o clima quente é previsível e suficiente para o desenvolvimento embrionário. Skinks que vivem nas montanhas mais frias tendem a dar à luz filhotes vivos, já que o corpo da mãe proporciona uma temperatura mais estável.

É de se prever que essas duas populações, em algum momento, se separem em diferentes espécies, e cada população se torne fixa na sua estratégia reprodutiva. Isso levanta uma pergunta comum em criacionistas: se o homem evoluiu do macaco, por que ainda há macacos? No caso dos skinks, seriam duas espécies formadas: uma que põe ovos e uma que tem parto. Cada uma delas seria mais adequada para seu habitat. Cada um é adaptado ao seu nicho. [Mas ainda continuam sendo skinks, não é mesmo? Comparar a gestação interna dos skinks com a placenta dos mamíferos também é forçar a barra, pois a placenta é exemplo de complexidade irredutível. Confira aqui. E mais: criacionistas bem informados sabem que os evolucionistas bem informados não sustentam a hipótese de que o ser humano teria evoluído do macaco.]

3. Mexilhões e caranguejos. Evolução acontece muitas vezes em conjunto: um predador desenvolve um método de caça melhorado, e quaisquer mutações que aumentem a capacidade de sobrevivência serão selecionadas para levar a uma mudança na população de presas.

Nós não temos que esperar um predador evoluir para observar uma mudança, no entanto, já que os humanos transportam espécies por todo o mundo, e assim podemos observar interações entre novas espécies.

O caranguejo da costa asiática (Hemigrapsus sanguineus) é uma espécie invasora na Nova Inglaterra, que se alimenta do mexilhão azul nativo. Recentemente, foi observado que os mexilhões, quando detectam caranguejos asiáticos, desenvolvem escudos mais grossos para impedir os caranguejos de comê-los.

Esse comportamento é difícil para os mexilhões, e por isso é fortemente regulamentado. O fator evolutivo aqui é que apenas os mexilhões de regiões onde os caranguejos asiáticos são endêmicos engrossam suas costas. Os de outras regiões não detectam os caranguejos como uma ameaça. [Note que os exemplos continuam sendo de diversificação de baixo nível, com mudanças em características mínimas. Assumir que o acúmulo dessas mudanças ao longo de supostos milhões de anos tornaria o mexilhão uma lagosta, isso, sim, é especulação macroevolutiva.]

4. Lagartixa italiana. Em 1971, dez lagartixas italianas (Podarcis sicula) foram introduzidas na ilha de Pod Mrčaru, a partir de uma ilha vizinha. Elas foram deixadas lá ao longo de décadas, para serem comparadas com a colônia de onde foram tiradas.

As lagartixas de Pod Mrčaru prosperaram e se adaptaram à nova ilha. Elas mudaram de uma dieta principalmente insetívora a uma pesada em vegetação. Essa mudança de dieta parece ter impulsionado outras mudanças dramáticas nos animais.

A cabeça das lagartixas de Pod Mrčaru são maiores, e tem uma força de mordida muito maior [isso é mudança “dramática”?]. Essas são adaptações-chave para lidar com as folhas que mascam. O sinal mais emocionante [!] da evolução é o desenvolvimento de músculos usados para separar porções do intestino. Eles servem para diminuir a passagem do alimento através do intestino e dar tempo para as bactérias quebrarem o material vegetal para a absorção. Este é um desenvolvimento inteiramente novo na lagartixa italiana, e uma grande adaptação. [Escrevi sobre a Podarcis sicula aqui.]

5. Sapo-cururu. O sapo-cururu na Austrália é provavelmente uma das espécies invasoras mais famosas do mundo. Ele faz imenso dano à agricultura e às espécies nativas. A Austrália é grande, e leva tempo para uma espécie invasora se espalhar. Os sapos na frente dessa onda de invasão provavelmente são os melhores adaptados para se espalhar mais rápido. Quando os sapos na frente da onda de invasão foram estudados, os pesquisadores descobriram que eles eram maiores, mais resistentes, tinham pernas mais longas que permitiam maior velocidade, e eram mais ativos. Como resultado desses tipos de adaptações, a taxa em que os sapos-cururu se espalham tem aumentado desde que eles foram introduzidos. [Diversificação de baixo nível.]

6. Tentilhões. Lembra das observações de Darwin sobre a adaptação entre os tentilhões das ilhas Galápagos? Esses tentilhões ainda estão ajudando a evolução a ser entendida. Peter e Rosemary Grant estudaram os tentilhões em uma das ilhas Galápagos, e observaram a mudança evolutiva causada pela concorrência direta de duas espécies rivais.

A espécie Geospiza fortis estava bem estabelecida na ilha de Daphne, e tinha sido estudada em profundidade. Seu bico era perfeitamente adequado para quebrar nozes grandes. Em 1982, a espécie maior Geospiza magnirostris, de uma ilha vizinha, chegou. Esses tentilhões maiores poderiam afastar os tentilhões médios de sua terra natal e comer todas as nozes de grande porte. Durante o período de estudo, os tentilhões médios da ilha de Daphne desenvolveram bicos menores e mais adequados para nozes menores, ignoradas pelos tentilhões invasores. [Esse exemplo é clássico e, mais uma vez, se refere a características mínimas como formato e tamanho do bico e cor da plumagem. Desde que Darwin pisou em Galápagos, os tentilhões continuam sendo tentilhões.]

7. Borboleta lua-azul. Estudar a evolução pode levar décadas, mas ocasionalmente a mudança acontece incrivelmente rápido. A borboleta lua-azul (Hypolimnas bolina), das ilhas Samoa, estava sendo atacada por um parasita que destruía seus embriões do sexo masculino. Isso levou a um desequilíbrio entre os sexos, até que os machos representaram apenas 1% da população da borboleta. No entanto, dentro de dez gerações (cerca de um ano), o sexo masculino voltou a contar por 40% da população. Isso não é porque o parasita desapareceu; ele ainda estava presente, mas não era mais letal aos embriões do sexo masculino.

Esse caso mostra como uma mutação que dá uma vantagem pode rapidamente se espalhar por toda uma população. Qualquer macho com a capacidade de sobreviver à infecção seria capaz de acasalar com um grande número de fêmeas, devido à escassez de outros machos, e espalhar sua imunidade através de seus genes. [Isso também mostra como uma mutação (que às vezes pode ser benéfica) que se espalha rapidamente por uma população, mesmo a de animais que podem ter várias gerações em pouco tempo, apenas lhes confere vantagens pela sobrevivência, como ocorre com as bactérias que adquirem resistência a antibióticos, por exemplo. Mas as borboletas e as bactérias continuam, depois de tantas gerações, sendo borboletas e bactérias. Diversificação de baixo nível.]

8. Evolução em laboratório. Conforme cresce uma enorme variedade de patógenos resistentes aos medicamentos, aprendemos que a evolução é mais fácil de ser observada em espécies que trocam rápido de geração. Desde 1988, no laboratório de Richard Lenski, a evolução de uma linhagem ancestral única para doze populações de E. coli foi estudada. Desde então, mais de 50 mil gerações de E. coli vieram e se foram, e as diferenças entre as populações, e entre cada população e a estirpe ancestral, foram documentadas.

Com amostras de cada população tiradas regularmente, as mudanças genéticas acumuladas puderam ser acompanhadas com facilidade. Ao longo do tempo, as bactérias se tornaram muito mais eficientes em crescer nas condições utilizadas no laboratório. O estudo forneceu evidências de como a evolução realmente ocorre [depende do que se entende por evolução]. Uma das populações desenvolveu a capacidade de utilizar o citrato como nutriente, algo de outra maneira desconhecido em populações E. coli em condições semelhantes. [Clique aqui para ler o que postei anteriormente sobre as experiências de Lenski.]

[Espero que você tenha notado que, dependendo do uso que se faz da palavra “evolução”, um criacionista pode até se considerar “evolucionista”. Sim, porque os melhores exemplos que os darwinistas têm de evolução se referem apenas à diversificação de baixo nível (“microevolução”). Como não existem exemplos de macroevolução nem evidências de que mutações genéticas teriam originado novos planos corporais e/ou órgãos funcionais, os defensores da macroevolução precisam interpretar os fósseis e elaborar suas “árvores da vida” evolutivas ficcionais. Num diálogo com darwinistas, a primeira coisa que se deve deixar clara é o conceito de evolução a que se está referindo. Caso contrário, ambos – criacionistas e evolucionistas – poderão estar falando da mesma coisa e concordando com ela (no caso, da microevolução) ou de algo totalmente diferente e não científico (no caso, a macroevolução). – MB]

(Hypescience)

Em tempo: Sou formado em Comunicação Social – Jornalismo (por isso, aprecio discutir o problema da origem da informação complexa) e tenho mestrado em Teologia (o que me fornece “ferramentas” e motivação para discutir os aspectos filosófico-teológicos das origens e a metafísica entranhada no evolucionismo moderno). Respeito profissionais como os biólogos, que certamente poderiam tecer comentários bem mais aprofundados com respeito à postagem acima e muitas outras. Mas discordo de alguns biólogos naturalistas que têm me criticado no Twitter, em fóruns e alhures, afirmando que não posso falar de biologia por não ser biólogo. Curiosamente, alguns desses biólogos mantêm blogs nos quais pregam o ateísmo e se aventuram em assuntos teológicos. A esses – para os quais defendo o direito de discutirem o que quiserem – quero lembrar de que estou em boa companhia: Darwin era teólogo, não biólogo.

Michelson Borges

Dilúvio: águas de cima e de baixo

Cientistas encontraram embaixo da Ásia oriental uma reserva de água do tamanho do Oceano Ártico (clique aqui para conferir). Outras evidências de grandes massas de água subterrâneas já foram descobertas no passado (confira). A descoberta do sismólogo Michael Wysession, da Washington University, em St. Louis, e de um aluno dele, Jesse Lawrence, será publicada em detalhes pela American Geophysical Union. O livro bíblico de Gênesis (7:11) afirma que “no ano seiscentos da vida de Noé, no mês segundo, aos dezessete dias do mês, naquele mesmo dia, se romperam todas as fontes do grande abismo, e as janelas dos céus se abriram”. A descoberta de Wysession, Lawrence e outros parece explicar a água proveniente do “grande abismo”. Mas o que dizer das “janelas do céu”? Alguns criacionistas teorizam que havia um dossel atmosférico de vapor d’água que teria condensado e se precipitado sobre a Terra. Mas seria possível adicionar outro elemento a essa inundação que veio do alto: os meteoritos.

“Cometas podem carregar muita água e o impacto de um em nosso planeta pode ter trazido uma grande quantidade, mas não toda ela, dizem especialistas” (fonte). Assim, uma intensa chuva de meteoritos (e há muitas evidências desse grande bombardeamento aqui, na Lua e em outros planetas, como Marte) poderia adicionar grandes quantidades de água, aumentando a inundação que cobriu todos os montes “que havia debaixo de todo o céu” (Gênesis 7:19; e é bom lembrar que, antes da tectonia de placas e do vulcanismo, os montes não eram tão altos como hoje). Além disso, o impacto dos meteoritos poderia causar megatsunamis e mesmo romper a crosta terrestre, liberando imensas quantidades de lava (também há muitas evidências desses gigantescos derrames) e água sob pressão (as fontes do abismo).

Curiosamente, os cientistas (darwinistas/naturalistas) aceitam a possibilidade de ter havido um dilúvio em Marte (os meteoritos cheios d’água poderiam explicar isso lá também), embora a água pareça ter desparecido do planeta vermelho. Mas se negam a aceitar a ocorrência do dilúvio aqui na Terra. Por quê? Seria por que essa história é mais bem descrita num livro antigo chamado Bíblia, rejeitado como fonte de informações científicas? Seria bom que eles soubessem que a Bíblia não contradiz as observações geológicas.

Michelson Borges

Leia também: “Inner Earth may hold more water than the seas” e “A participação dos cometas na grande inundação”