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A Caminhada Cristã – Lição 1 – Amor


Amor

VERSO PARA MEMORIZAR: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor” (1 Coríntios 13:13).

 

Não deixa de ser natural que uma lição que trata dos conceitos-chave da fé cristã comece com o assunto do amor. O apóstolo Paulo assinala que por mais que sejam importantes a fé, esperança e outros elementos do cristianismo, tudo começa com o amor. Sem amor, como ele disse, não somos “nada” (1Co 13:2).

Cerca de cinco sé­­culos antes do nascimento de Cristo, o filósofo grego Sófocles disse: “Uma palavra nos livra de todo o peso e dor da vida. Essa palavra é o amor.” Embora essas palavras sejam verdadeiras, esse sábio grego ainda ignorava a profundidade do amor que seria proclamado e exemplificado por nosso Salvador.

Deus é amor. Embora Deus seja muito mais, e haja feito muito mais, e ainda haverá de fazer – tudo é uma manifestação de Seu amor. Esse amor é confortante e, ao mesmo tempo, difícil de ser compreendido. O amor de Deus ultrapassa em muito o que normalmente se rotula como amor, que, às vezes, é meramente um sentimento superficial ou obsessão passageira, frequentemente misturada com egoísmo e cobiça. Deus não só tem amor ou mostra amor. Ele é o amor.

A semana em resumo: O amor de Deus pela humanidade foi revelado de inúmeras formas, sendo a maior delas a cruz. Como seguidores de Jesus, respondemos ao Seu amor amando os outros como Cristo nos amou.Nesta semana, vamos estudar esses dois tipos de revelação.

 

Domingo, 29 de março Amor – A matéria-prima da vida

Precisamos comer e beber a fim de nos manter vivos. Sem líquido para beber ou sem alimento, logo haveremos de perecer. Mas, para viver no verdadeiro sentido da palavra, também precisamos de amor. A vida sem amor é um tipo sub-humano de existência. Existe em nós uma necessidade inata de receber amor. Precisamos do amor dos pais. Precisamos do amor da família e dos amigos. Precisamos ser parte de uma comunidade amorosa. Mas, na mesma medida em que precisamos receber amor, precisamos também dar amor. Não seremos verdadeiramente humanos se não pudermos amar. Mas vamos ser claros: O verdadeiro amor não começa conosco. A capacidade de amar é criada em nós pelo Criador (Veja Gn 1:26 e Jo 3:16).

 

1. Qual é a importância do amor na vida do seguidor de Cristo? Mt 22:37–39; 1Co 13:1-3; 1Jo 3:14

Por representar o caráter de Deus, é o atributo que mais evidencia que somos filhos de Deus.

 “Amar a Deus e ao próximo, destes dois mandamentos dependem toda a lei.”

  “Ainda que eu fale, faça, der… se não tiver amor, de nada vale…”

 “Aquele que não ama permanece na morte.”

 

O amor de Deus sempre vem antes do nosso amor. Pode-se dizer muito sobre o amor, mas este é o ponto crucial. O verdadeiro “amor não é um impulso, mas um princípio divino, um poder permanente. O coração não consagrado não o pode criar nem produzir. Ele é achado somente no coração em que Jesus reina. ‘Nós amamos porque Ele nos amou primeiro’ (1Jo 4:19). No coração renovado pela graça divina, o amor é o princípio que regula a ação” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 551).

O famoso escritor britânico C.S. Lewis usa as expressões “amor dom” e “amor necessidade” para diferenciar entre o amor de Deus e as formas de amor humano. Enquanto Deus quer nosso amor além de tudo o mais, Ele não precisa de nosso amor assim como nós precisamos do amor dEle e de nossos semelhantes. Precisamos “começar com o verdadeiro começo, com o amor como a energia divina. Esse amor primitivo é o amor-dom. Em Deus, não existe fome que precisa ser satisfeita, só a abundância que deseja dar” (C.S. Lewis, The Four Loves [Os Quatro Amores], p. 121). Nosso amor humano precisa ser transformado pelo amor divino, de forma que – mesmo continuando a desejar o amor dos outros – demos amor de maneira verdadeiramente semelhante à de Cristo.

 

Por sua experiência, qual é a diferença entre o amor humano e o de Deus? Que tipo de amor humano exemplifica melhor o amor de Deus? Como o amor de Deus se manifesta melhor em nossa vida?  

Segunda, 30 de março   O Deus do Antigo Testamento – Um Deus de amor

Freqüentemente, dizem que o amor de Deus só é claramente manifestado no Novo Testamento, enquanto o “Deus do Antigo Testamento” é um Deus de justiça e ira. Mas um ­­­­cuidadoso estudo de toda a Bíblia mostra que Deus não tem essa dupla personalidade. Muito embora o amor de Deus seja mais plenamente manifestado em Cristo (retratado no Novo Testamento), o Deus dos tempos do Antigo Testamento é igualmente um Deus de amor supremo. Deus não muda (Tg 1:17). Ele não evolui gradualmente de um Deus de ira ou de justiça para um Deus de amor. O amor de Deus é eterno. As palavras ao Seu povo no Antigo Testamento se aplicam a todos os tempos: “Com amor eterno Eu te amei” (Jr 31:3).

2. Examine algumas evidências importantes do amor de Deus nos tempos do Antigo Testamento referidas abaixo, e acrescente outras evidências claras de Seu amor encontradas em outros lugares do Antigo Testamento.

Ø  a. O amor de Deus na criação (Gn 1:26-31; 2:21-25).

– Deus proveu tudo o que o homem necessitava para seu bem-estar.

 

Ø  b. Pro­­cu­­rando uma solução para o problema do pecado (Gn 3:15; 22:8; Is 53).

– Embora tivéssemos pecado, Deus proveu a solução.

Ø  c. O dom do sábado (Êx 31:12-17)

– Provisão de Deus para nosso descanso.

Ø  d. O contínuo dom de profecia (Am 3:7).

– Orientação de Deus para guiar Seu povo.

 

Algumas histórias e declarações do Antigo Testamento são, pelo menos à primeira vista, difíceis de se entender. É verdade que lemos sobre mortandade e guerra. Mas nunca se esqueça de que Deus é retratado constantemente como o Deus da aliança, que atrai o povo a Si mesmo e não o abandona, apesar de Seus filhos O haverem abandonado vez após outra.

 

O que você responde quando lhe fazem perguntas sobre as guerras e as mortandades no Antigo Testamento? Como você concilia as ordens divinas para eliminar nações inteiras (por exemplo, quando Israel tomou posse da terra de Canaã) com o conceito de um Deus de amor?

 

Terça, 31 de março         O Deus do Novo Testamento – Um Deus de amor

Por que Jesus Cristo veio ao mundo? Por que Ele teve que sofrer e Lhe foi necessário morrer em uma cruz? E como Ele virá novamente a fim de restaurar este mundo à sua pureza original? Não haveria outra solução? E se não, por que está demorando tanto para resolver o problema do pecado? Não estamos em posição de responder a essas perguntas. Em Sua sabedoria infinita, Deus “arquitetou” um plano para lidar com o problema do pecado da melhor maneira possível. Sendo um Deus santo, Ele não poderia ignorar a rebelião contra Sua lei perfeita; sendo amor, Ele não poderia simplesmente Se afastar e deixar Suas criaturas a perecer sem fazer o máximo para salvá-las.

“A santidade de Deus é Sua pureza majestosa que não pode tolerar o mal moral. O amor de Deus é Seu afetuoso e bondoso abraço para com o pecador. A santidade de Deus indica Sua separação do que é imundo e profano. O amor de Deus é Sua vontade de Se identificar com os que são imundos a fim de ajudá-los. … [Mas] a ira de Deus é temporária, considerando que Seu amor é eterno” (Donald G. Bloesch, God the Almighty: Power, Wisdom, Holiness, Love [O Deus Todo-poderoso: Poder, Sabedoria, Santidade, Amor], p. 140-143).

3. O que os textos do Novo Testamento a seguir nos dizem sobre o amor de Deus?

a. O fato de Deus oferecer Seu Filho (Jo 3:16)   Deus amou e deu…

b. O fato de o Filho Se dar (Fp 2:5-8) – – Morreu na cruz.

c. O dom do Espírito Santo (Jo 14:15-18; At 2:1-4) –  

d. A disponibilidade dos dons espirituais (Ef 4:11-13) –   

e. A certeza da salvação (1Jo 3:1-3) – Haveremos de vê-lo

f. Um futuro eterno em um ambiente de amor (2Pe 3:13) – Novo Céu e nova Terra.

 

4. Como você resumiria a mensagem do Novo Testamento sobre o amor de Deus?

– Amor tão grande a ponto de oferecer Seu Filho.

 

Como as mensagens dos três anjos de Apocalipse 14:6-12 se enquadram com o tema global do Novo Testamento sobre o amor divino? Ellen White fala da mensagem do terceiro anjo como as boas-novas da justificação pela fé “em verdade”. Como essa declaração se enquadra no tema do amor de Deus pela humanidade?

 

Quarta,  1 de abril     Resposta de amor

A realidade trágica deste mundo é a existência de egoísmo, ambição cega, ódio, competição, corrupção e guerra. Quando os cidadãos deste mundo se deixam guiar, consciente ou inconscientemente, pelos princípios do príncipe das trevas, o amor não tem oportunidade de vicejar. Certa vez, Madre Teresa disse: “Se você julgar as pessoas, não terá tempo para amá-las.”

 

5. Que princípio devemos discernir ao estudar os mandamentos que Deus nos deu? Esse princípio operou de alguma forma diferente desde que Cristo veio a este mundo? Dt 6:5, 6; Mt 22:37-40

O amor de Deus precisa se refletir em nosso caráter.

– Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma e de toda a tua força. De todo o teu entendimento e ao próximo como a ti mesmo.

– Amai aos vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem.

 

Se fomos verdadeiramente transformados por Jesus Cristo, Seu amor pautará nosso relacionamento com os outros. Mesmo que não gostemos de algumas pessoas, somos chamados a amar a todos, até mesmo nosso maior inimigo. Isso beneficiará não só as pessoas com quem nos associarmos, mas se provará também uma enorme bênção para nós mesmos. Dê amor e aceitação incondicional às pessoas que encontrar e veja o que acontece.

 

6. Como o amor deve permear o que fazemos e dizemos? Mt 5:44; 25:31-46; 1Pe 1:22

– Se somos filhos de Deus, devemos refletir Seu caráter.

– Sempre que fizestes a um desses pequeninos, a mim o fizestes.

– Tendo em vista o amor fraternal, não fingido.

– Amai-vos de coração, uns aos outros, ardentemente.

 

Se os membros da igreja se desfizerem de toda adoração própria e receberem no coração o mesmo amor a Deus e de uns para com os outros que o­cu­­pava o coração de Cristo, nosso Pai celestial manifestará constantemente Seu poder por meio deles. Que Seu povo seja unido pelos laços do amor divino. Então, o mundo verá o mira­cu­­loso poder de Deus e reconhecerá que Ele é o poder e ajudador de Seu povo que guarda os mandamentos” (Comentários de Ellen G. White, SDA Bible Commentary, v. 7, p. 940).

 

Você é naturalmente amoroso ou naturalmente egoísta e egocêntrico? Que passos práticos você pode dar para rejeitar o amor a si mesmo e manifestar amor pelos outros?

 

Quinta,  2 de abril                 O Amor Personificado

 

Jesus Cristo é nosso modelo máximo. Se quisermos saber como deve ser nosso amor, só precisamos olhar para o nosso Salvador. NEle vemos o exemplo perfeito. Falando humanamente, Cristo teria toda razão para não gostar de algumas pessoas, ou até odiá-las. Os líderes espirituais invejavam tanto Seu sucesso que O hostilizavam constantemente e, finalmente, decidiram eliminá-Lo. Por que Ele haveria de amar essas pessoas? Houve ocasiões em que Sua própria família deixou de apoiá-Lo. Frequentemente, Seus discípulos disputavam entre si e se ausentavam quando sua presença teria sido mais valiosa. Como Ele poderia amá-los naqueles momentos em que eles O abandonavam totalmente?

Além disso, Jesus manifestava Seu amor em parti­­cular diante dos que não obtinham uma atenção muito positiva dos líderes espirituais de Seus dias: as mulheres (inclusive as prostitutas), os portadores de lepra, os samaritanos, os membros das forças de o­cupação e os coletores de impostos.

 

7. Veja alguns exemplos concretos em que Jesus mostrou amor desinteressado em cir­­cunstâncias em que a maioria das pessoas teria achado difícil fazer isso.

a. Lc 17:12-19 – amava até os leprosos. – 10 leprosos – só um agradece – o samaritano.

b. Jo 13:1-17 – Amou a Judas

c. Jo 19:25-27 – Na cruz, Jesus se lembrou da mãe e encarregou a João de cuidar dela.

 

8. Como a manifestação do amor divino no ministério de Jesus deve afetar nosso discipulado? 2Co 5:14; Fp 2:2

– Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram.

– Completai o meu gozo, para que sintais o mesmo, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, sentindo uma mesma coisa.

O amor de Cristo nos constrange, diz o apóstolo Paulo (2Co 5:14). A nossa tradução é um tanto incompleta, pois a construção grega original pode ser traduzida tanto como o amor que vem de Cristo como também o amor que temos por Cristo. Os dois significados são gramaticalmente apropriados e também são teologicamente corretos. Quando entendermos algo da magnitude do amor de Cristo, isso produzirá uma resposta amorosa, e nos dará o desejo intenso de compartilhar com outros esse amor.

 

Jesus também amava os que eram menosprezados pela maioria das outras pessoas e geralmente eram consideradas desagradáveis. Ele saía do caminho para lhes mostrar amor. Como demonstro amor pelos sem-teto, pelos que vivem à margem da sociedade e pelos que, de alguma forma, não representam os valores que defendo?

 

Sexta, 3 de abril                     Estudo adicional

 

Ellen G. White: Caminho a Cristo, p. 9-16: “O ­­cuidado de Deus”. Leia também O Desejado de Todas as Nações, p. 741-757:O Calvário”, e p. 758-768: “Está Consumado” que trata dos momentos finais da vida terrestre de Cristo.

Perguntas para reflexão

1. Não se pode escapar à pergunta “por quê?”: Se Deus é amor, por que existe tanto sofrimento? Não é só o grau de sofrimento que leva as pessoas a questionar o amor de Deus, mas também o fato de que tantas coisas parecem afetar pessoas inocentes, e tantas coisas parecem totalmente insensatas. Como nós, cristãos adventistas do sétimo dia, podemos lidar com essa realidade? Como nossa compreensão do grande conflito pode nos ajudar a entender esse assunto difícil?

2. Como se pode amar um pai que abusa de seus filhos, um serial killer ou alguém totalmente egoísta? Como Jesus amava os que eram indignos de amor?

3. Como alguém pode continuar a amar se não há resposta a esse amor? Novamente, como Jesus pôde amar aqueles que nunca O amariam, por sua vez?

4. Quem são os marginalizados, os menosprezados e os ultrajados em sua sociedade? Que tipo de ministério sua igreja tem para alcançar essas pessoas? O que seria necessário para que você mesmo e sua igreja se envolvessem nesse trabalho?

5. Em sentido real, o verdadeiro amor exige a morte para o eu, a vontade de pôr o eu de lado em favor de outros. Que escolhas temos que fazer a fim de experimentar essa morte?

6. Além da cruz, por quais outros modos podemos ver o amor de Deus pela humanidade?

Resumo: Deus é amor. Essa característica é a base para tudo o que Deus é e faz. Esse Deus amoroso já está revelado no Antigo Testamento, mas Seu amor é visto em sua máxima exposição no dom de Seu Filho, Jesus Cristo, para nossa salvação. Esse amor divino encontra resposta no amor do cristão. Se professamos ser discípulos de nosso Senhor Jesus Cristo, nossa vida deve ser marcada por amor incondicional para com nosso Criador e amor desinteressado pelos outros.


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