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Em entrevista, Bernardinho fala do esporte como ferramenta educacional

Divulgação/Instituto Compartilhar

Nesta época de Copa, as atenções se voltam para o esporte mais popular do mundo. Todavia, é bom destacar que, além do futebol, os brasileiros também são bons em outras modalidades esportivas, que, nem sempre, ganham tanta repercussão na mídia.

Segundo dados de pesquisa publicada no site da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), o vôlei é o segundo esporte mais praticado no Brasil. A mesma pesquisa revela que os jovens são os que mais gostam dessa modalidade esportiva, principalmente os da faixa etária de 12 a 18 anos.

Para falar sobre a importância do esporte na educação, o Portal da Educação Adventista entrevistou o técnico da Seleção Brasileira de Voleibol Masculino: Bernardo Rocha de Rezende (Bernardinho).

Entre a carreira de economista e o vôlei, Bernardinho escolheu o esporte, e, com certeza, não se arrependeu da decisão feita, pois as vitórias ao longo do tempo comprovam a boa escolha. Como jogador, ele fez parte da “geração prata”. A partir da década de 1980, o vôlei masculino brasileiro obteve resultados importantes, como a conquista da medalha de prata no Campeonato Mundial de 1982 e nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984.

Bernardinho iniciou a carreira como técnico assistente em 1988. Seis anos depois, assumiu o comando da Seleção Brasileira de Voleibol Feminino, fazendo uma verdadeira revolução, que resultou na conquista de vários títulos em campeonatos sul-americanos, Grand Prix e Mundiais.

Em 2000, ele assumiu o cargo de técnico da Seleção Brasileira de Voleibol Masculino, ganhadora de muitos títulos importantes. Dentre as principais conquistas históricas, destacam-se: a vitória nos Mundiais de 2002 (Buenos Aires) e de 2006 (Tóquio) e o ouro nas Olimpíadas de Atenas, em 2004. Em julho do ano passado, a equipe alcançou o octacampeonato, em Belgrado, capital da Sérvia.

Além de ser uma personalidade de sucesso no esporte, Bernardinho também é um dos palestrantes mais requisitados no meio empresarial. O livro de sua autoria Transformando Suor em Ouro é um best-seller com mais de 300 mil exemplares vendidos. 

Engajado em causas sociais, em 2003, fundou o Instituto Compartilhar, entidade que, sem fins lucrativos, atende mais de 5.000 crianças e adolescentes – em cinco Estados brasileiros – por meio de projetos socioesportivos e educacionais.

Acompanhe a seguir a entrevista concedida por e-mail ao Portal. Nela, o técnico da Seleção de Vôlei explica como o esporte pode ser usado como ferramenta motivadora e de superação. 

Qual a importância do esporte como ferramenta educacional e de inclusão social?
O esporte atrai e motiva o indivíduo, já que representa um desafio e proporciona a sensação gratificante da superação, da aprendizagem de uma modalidade e da superação dos limites do próprio corpo. Claro que a visibilidade nos meios de comunicação também motiva. No sentido pedagógico, o esporte estimula a convivência com outras pessoas e transmite valores como: respeito, cooperação, amizade, comprometimento, ética, entre outros. Além disso, é também uma alternativa de lazer que preenche o espaço livre de crianças e adolescentes com uma atividade produtiva e saudável.

Como o esporte pode ajudar na transmissão de  valores?
A prática esportiva em si proporciona a vivência de muitos valores. O esporte mostra qual deve ser a postura do indivíduo em face da vitória e da derrota; como deve ser o trabalho em equipe; como se deve lidar com as diferenças a partir do respeito a si mesmo e aos outros. Ele motiva, desafia, permite questionamento e superação.  Quando desenvolvido dentro de uma metodologia adequada e bem conduzido por um professor de educação física, preparado e com visão educacional, o esporte passa a ser um instrumento de motivação para que os alunos se interessem em aprender uma modalidade e, no decorrer das atividades, apreendam valores fundamentais para a formação do cidadão, que também se manifestam na prática esportiva, como cooperação, respeito, responsabilidade, autonomia e disciplina, entre outros.

Em sua opinião, o esporte é pouco explorado no âmbito da educação?
Acho que existe uma falta de políticas públicas efetivas voltadas ao esporte educacional. Não existe uma política efetiva que comece com os fundamentos da atividade esportiva, cuja orientação se dá nas escolas. Precisamos incentivar o esporte e melhor relacioná-lo ao estudo formal. Também é necessário valorizar melhor o profissional de educação física e dar melhores condições para que as atividades nas escolas aconteçam dentro de um padrão satisfatório, com materiais esportivos e espaços de qualidade. É importante a apreensão dos fatores positivos da atividade esportiva, que vão além das características competitivas. O esporte de alto nível deve ser mais bem divulgado entre os mais jovens para tornar as principais modalidades mais conhecidas. Ele pode e deve ser estimulado junto com as demais manifestações esportivas.

Visto que cada esporte tem suas particularidades, como o vôlei pode contribuir no desenvolvimento de várias características decisivas para a vida adulta?
O vôlei é o esporte mais coletivo, pois o atleta só pode dar um toque na bola, tendo que passá-la, obrigatoriamente, para seu companheiro. A sua ação, portanto, será fundamental para o sucesso da ação seguinte e para o resultado final daquela jogada. Essa dependência facilita o trabalho em equipe, o companheirismo e o respeito.

Como você vê a prática de esportes no âmbito da educação física ensinada nas escolas?
Não acompanho especificamente esta área, mas o que vemos é que  nossos projetos em escolas públicas  poderiam ser mais bem trabalhados. A valorização do profissional de educação física e melhores condições de aula certamente motivarão o professor e os alunos. Outro ponto importante a ser considerado é a necessidade de diversificação das atividades oferecidas nas aulas, as quais, em alguns casos, resumem-se no futebol para os meninos e na queimada para as meninas.  Isso aumentaria a possibilidade de a criança poder se identificar com uma modalidade e querer praticá-la no futuro.

Com relação à  importância da prática de esportes, que mensagem você gostaria de expressar para os navegantes do Portal da Educação Adventista?
Acho que o mais importante é poder levar, com a prática esportiva, os valores de cidadania, que são fundamentais na formação humana. E isto independe da classe social. Para muitas crianças de comunidades menos favorecidas, trazemos esperança e perspectivas. Devolvemos a elas a capacidade de sonhar. Elas vêm de um mundo de carência. O esporte pode propagar uma série de valores importantes, como o desenvolvimento da autoconfiança. Porém, a todas as crianças e adolescentes, o que o esporte permite é o desenvolvimento do senso de esforço pessoal, necessário para a obtenção da vitória nos mais variados aspectos da vida. No caso do vôlei, especificamente, elas têm a oportunidade de trabalhar o espírito de equipe, gerar amizades e de compreender o respeito ao próximo, fatores que, sem dúvida, farão delas cidadãos conscientes e responsáveis.

Entrevista de Olivandro Maia para o portal www.educacaoadventista.org.br

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