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Sarça, Sandálias e Significado


Sarça, Sandálias e SignificadoAs formas de culto e seu significado, o medo de uma incursão do mundanismo através dos novos estilos de adoração e a mudança na cosmovisão com relação às formas e à autoridade têm levantado muitas questões quando o assunto é o culto público. Nesse contexto, a passagem de Êxodo 3:4-5 é paradigmática quando o assunto é a liturgia e as formas de adoração. Podemos extrair desse texto alguns princípios que podem nos ajudar a examinar essas questões desde o ponto de vista bíblico.

Em primeiro lugar, Êxodo 3:4-5 ensina que o que santifica um lugar é a presença de Deus[1]. Não havia nada de inerentemente santo na sarça que ardia e nos seus arredores, mas a manifestação divina ali mudou a maneira como Moisés deveria relacionar-se com esse ambiente. Uma das maiores barreiras para a reverência no culto é a perda imperceptível do senso da presença de Deus no culto.

É claro que Deus está em todos os lugares, um atributo divino que a teologia chama de onipresença. Contudo, Deus escolhe manifestar-se em determinados lugares e de determinadas maneiras de acordo com a Sua soberania e em resposta à petição de Seus filhos, mesmo que essa presença nem sempre seja perceptível (cf. 2Cr 7:1; Mt 18:20). Se é verdade que Deus está perto para ouvir minha oração em qualquer lugar, é mais do que certo que quando um grupo de Seus filhos se une em oração e adoração, pedindo Sua presença, Ele ali estará para receber-lhes as homenagens.

Contudo, crer que Deus está presente num culto púbico exige fé. Muitas pessoas, mesmo que inconscientemente, não entendem que vão à igreja para encontrar-se de maneira especial com Deus. Para muitos, ir à igreja é apenas um costume ou uma incumbência a ser cumprida para que ninguém fique inquirindo por sua ausência. Quão diferente seria nossa atitude durante o culto se realmente, pela fé, nossos olhos não repousassem mais meramente nos músicos, nos dirigentes e no pregador, mas sim no Deus que prometeu estar presente quando Seus filhos se reunissem.

Um segundo aspecto da experiência de Moisés é a tensão entre a imanência e a transcendência de Deus. Estes dois termos refletem, grosso modo, duas maneiras de entender a presença de Deus em relação a suas criaturas. A imanência enfatiza a proximidade da divindade; já a transcendência focaliza a diferença e o distanciamento entre Criador e criatura. Na sarça, Deus estava perto de Moisés, mas Sua santidade exigia um certo distanciamento atitudinal do profeta.

No culto público, essas duas realidades podem ser exploradas, mas por seu próprio formato e propósito, ele enfatiza mais a transcendência de Deus do que Sua imanência. A liturgia, assim, nos ajuda a sempre lembrar que Deus está conosco, contudo não é um de nós. Nele, Sua grandeza e glória são enfatizados mais do quaisquer outros dos Seus atributos. Nossa intimidade com Deus pode nos dar a falsa impressão de que estamos no mesmo nível da Divindade. Precisamos ser constantemente lembrados de que Deus é muito grande para nossa compreensão (1Rs 8:27) e é aí que reside nossa segurança: Ele é muito maior do que nós!

Por fim, há o gesto de Moisés, solicitado por Deus, de tirar as sandálias dos pés. Tirar as sandálias dos pés era um gesto comum de reverência usado pelos sacerdotes antes de adentrarem os recintos considerados sagrados. Nenhuma impureza deveria ser trazida para dentro do santuário, qualquer que ela fosse[2]. O gesto tinha dois significados básicos: respeito e humildade[3].

Hoje, é claro, tirar as sandálias não tem mais o mesmo significado que tinha para o ambiente cultural no qual a Bíblia foi escrita. Mas na cultura ocidental brasileira no geral, outros gestos transmitem as mesmas ideias: ficar em silêncio, ajoelhar-se, curvar a cabeça, tirar o chapéu/boné etc. Estes gestos variam a depender da cultura, da sociedade e do lugar onde se está inserido. Quaisquer que sejam os gestos, porém, a ideia é que na presença de Deus precisamos manter uma postura de respeito e humildade ao reconhecermos quem Ele é e quem nós somos.

Quando eu vou ao culto público, qual é a minha atitude? Vou à igreja para ver o espetáculo, o pregador, o músico, ou vou prestar adoração ao Senhor junto com aqueles que também o reverenciam? Meus gestos, minha postura, meu corpo e minha mente estão voltados para Deus ou para aquilo que está ao meu redor ou, até mesmo, longe de mim? Uma ressignificação do que seja a liturgia pode revitalizar o culto em minha comunidade local, independente do seu estilo litúrgico. Um reconhecimento real da presença de Deus no culto público pode fazer arder novamente nosso coração enquanto adoramos com aqueles que O reconhecem como Criador e Redentor.

Clacir Virmes Junior

[1] De acordo com Nahum M. Sarna (Exodus. Philadelphia: Jewish Publication Society, 1991. p. 15), a noção de que certos lugares eram inerentemente sagrados é uma concepção pagã alheia ao pensamento bíblico. É a presença de Deus que santifica temporariamente determinado lugar.

[2] MATTHEWS, Victor Harold; CHAVALAS, Mark W.; WALTON, John H. The IVP Bible background commentary: Old Testament. ed. eletrônica. Downers Grove: InterVarsity Press, 2000.

[3] SARNA, 1991, p.  15.


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  • Chauffhaillher Murdock em 11 de setembro de 2015 11:55

    Parabéns!!é muito interessante esses estudos…gostei e estou gostando…que Deus continue dando mais e mais sabedoria a todos vcs…um abraço a todos vcs queridos…



  • Jandyra Falcao em 12 de setembro de 2015 10:39

    Por uma situação especial assisti pela primeira vez o vosso programa. E fiquei encantada com a maneira, a forma, os assuntos e como vcs expõem tais. Por favor continuem trazendo ao público um manjar de sabedoria divina, traduzido em uma abordagem super inteligente. Que Deus vos abençoe por vossa capacidade deposta nas mãos dEle para uma obra perfeita. Abraços Jandyra Falcao



  • MARLENE BARROS DOS SANTOS em 26 de janeiro de 2017 18:23

    GOSTEI MUITO,POIS ERA A RESPOSTA DO QUE ESTAVA PRECISANDO,APESAR DE TER SIDO RAPIDA MAS FOI OBJETIVA,MAS SE TIVESSE MAIS RESULTADO DESSA MATERIA MUITO IRIA ME SATISFAZER PARA MAIOR PROFUNDIDADE DESSE TEMA.PARABENS!



  • FRANCISCA DE FATIMA MAACARIO DA COSTA em 25 de agosto de 2017 15:31

    GOSTO MUITO DE TODA NOVO TEMPO, SOU ADVENTISTA HA 17 ANOS E ALGUNS MESES. AMO TODOS OS PROGRAMA. E TODOS OS SERVOS DE DEUS QUE FAZEM OS PROGRAMA. JESUS ABENÇOEM HOJE E SEMPRE.



  • Emanoel em 30 de setembro de 2017 06:05

    Gostei muito



  • Bárbara em 11 de novembro de 2017 14:10

    Gostei muito da mensagem,aprendi!!