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Os Malacandrianos e Nós


malacandrianosA cultura pop está cheia de histórias sobre alienígenas que, por uma razão ou outra, vieram ao nosso planeta. Alguns se adaptaram ao nosso modo de vida, outros vieram para destruir e dominar a raça humana. Há filmes, histórias em quadrinhos, livros e outras mídias às voltas com o tema. Talvez o mais famoso exemplo seja Clark Kent, cujo alter ego (ou seria o contrário?) veste-se de azul com uma capa vermelha e voa pelos céus do planeta Terra e pelo universo defendendo a raça humana da qual ele nem mesmo faz parte.

Uma das histórias que inverte esse tema de cabeça para baixo é a que encontramos no livro Além do planeta silencioso, escrito por C. S. Lewis. Ali um ser humano, o filólogo Elwin Ransom, é raptado e levado para Malacandra, um dos planetas do Campo do Arbol. Naquele lugar, Ransom se depara com três raças alienígenas: os hrossa, os séroni e os pfifltriggi. Durante sua estada em Malacandra, Ransom passa algum tempo entre os hrossa e faz uma série de perguntas para Hyoi, o hross que o encontrou perambulando pelo planeta. Ali, Ransom se vê como o alienígena entre os habitantes do aparentemente inóspito planeta e vê sua própria humanidade sendo questionada.

Numa das conversas entre Ransom e Hyoi, o filólogo questiona seu amigo hross sobre quem domina sobre quem em Malacandra. Quem manda no pedaço: os hrossa, os séroni ou os pfifltriggi? Hyoi não consegue responder à pergunta. Ransom pergunta o que aconteceria se uma das raças, por alguma razão, não fornecesse comida para a outra. Haveria guerra? Hyoi responde: “Por que não daríamos comida às outras raças do nosso planeta? Maleldil (o deus de Malacandra) não faz crescer comida o suficiente para todos?”

Por fim, Ransom percebe que num planeta distante, três raças inteligentes vivem em perfeita harmonia, enquanto em seu planeta natal, chamado pelos malacandrianos de Thulcandra, o “planeta silencioso”, uma única raça inteligente não consegue conviver com outros de sua própria espécie. Ransom descobre que, realmente, há algo muito errado com a raça humana.

Lewis está contando uma parábola sobre a condição humana e seu relacionamento com Deus e com o próximo. Em Malacandra (Marte), um dos planetas do Campo do Arbol (Sistema Solar), três raças hnau (inteligentes) criadas por Maleldil (Jesus) vivem bem entre si, enquanto em Thulcandra (Terra) a única raça dominante do planeta está prestes a entrar em guerra (o livro foi lançado pela primeira vez em 1938). Ransom descobre que os malacandrianos são verdadeiramente “humanos” e que os humanos são por vezes muito diferentes do que deveriam ter sido.

“Por fim começou a lhe ocorrer que não eram eles, os hrossa, que eram um enigma, mas sua própria espécie. Que os hrossa tivessem esse tipo de instinto era ligeiramente surpreendente; mas como era possível que os instintos dos hrossa se assemelhassem tanto aos ideais não atingidos daquela espécie tão remota, o Homem, cujos instintos eram diferentes em termos tão deploráveis?”[1]

Cada cristão é chamado para ser um “alienígena” neste mundo. Não somos daqui; somos nascidos do Espírito (Jo 3:6) e agora vivemos de acordo com o Espírito (Gl 5:16) e produzimos frutos muito diferentes daqueles que o mundo ao nosso redor produz (Gl 5:19-23). Na história de Além do planeta silencioso, Ransom passa o tempo todo tentando descobrir uma maneira de voltar para a Terra. Ao contrário, o cristão é chamado para viver no mundo aqueles ideais que o pecado obliterou no ser humano (Jo 17:14-15).

A maior marca de nossa “extraterrestrialidade” é o amor. Ele é o primeiro fruto do Espírito (Gl 5:22), é o mandamento mais direto de Jesus (Jo 15:17) e é a marca identificadora de Seus discípulos (Jo 13:35). Nós não precisamos ir a Malacandra para aprender estas coisas. Nós podemos ser alienígenas aqui e agora. Basta aprendermos do maior Alienígena que já existiu, Maleldil, o Jovem, e aprender com Ele como amar os outros hnau aqui mesmo em Thulcandra.

[1] LEWIS, C. S. Além do planeta silencioso: trilogia cósmica. Tradução de Waldéa Barcellos. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010. p. 99-100.

Clacir Virmes Junior


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