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Câmbio Religioso


cambio religioso

A expressão pode parecer paradoxal, mas é real. Embora, o termo “câmbio” geralmente esteja associado ao mercado financeiro, ele, infelizmente, tem ganhado cada vez mais espaço no contexto religioso.

Verdadeiras casas de câmbio estão comercializando a fé e etiquetando a um alto preço aquilo que Deus nos prometeu e entregou cavalheirescamente de graça. A benção ou o favor de Deus (para não falar da salvação) se tornou o capital de muitos templos evangélicos que pode ser acumulado mediante custosos investimentos, desde monetários (dízimos, ofertas e pactos no boleto ou no cartão) como também ritualísticos (penitências, jejuns, vigílias, campanhas, etc).

Para esses cambistas da fé, o jejum também entrou na barganha. Geralmente, ele vem acompanhado de cara amarrada (a mesma que acompanha quem troca real por dólar), fisionomia de penitente e postura de sofredor. Tem que dar um ar de sacrifício para ser mais piedoso.

Longe de mim dizer que o jejum seja errado. Ele é bíblico. Davi jejuou enquanto seu filho estava doente. Daniel jejuou em contrição pela situação de seu povo. Ester conclamou a nação judaica a um jejum antes de se apresentar ao rei. E Jesus passou quarenta dias no deserto em jejum após o seu batismo.

Neemias também retratou o jejum no seguinte episódio:

‘Ora, no dia vinte e quatro desse mês, se ajuntaram os filhos de Israel em jejum, vestidos de sacos e com terra sobre as cabeças. E os da linhagem de Israel se apartaram de todos os estrangeiros, puseram-se em pé e confessaram os seus pecados e as iniquidades de seus pais. E, levantando-se no seu lugar, leram no livro da lei do Senhor seu Deus, uma quarta parte do dia; e outra quarta parte fizeram confissão, e adoraram ao Senhor seu Deus. Então Jesuá, Bani, Cadmiel, Sebanias, Buni, Serebias, Bani e Quenâni se puseram em pé sobre os degraus dos levitas, e clamaram em alta voz ao Senhor seu Deus.’ (Neemias 9:1-4).

Mas a motivação em todos esses casos fez a diferença. O jejum não é usado para chamar a atenção de Deus, garantir seu favor ou aplacar a sua ira. Ele tem seu valor quando é pedagógico e aponta para algo que precisa acontecer não em Deus, mas em nós.

“Voltem para mim com todo coração, jejuando, chorando e se lamentando. Em sinal de arrependimento, não rasguem as roupas, mas sim o coração.” (Joel 2:12-13).

Ou como colocou a escritora norte-americana Elle White:

“Não em ociosas lamentações, em simples humilhação do corpo e multidão de sacrifícios, está o verdadeiro espírito de devoção, mas revela-se na entrega do próprio eu em voluntário serviço para Deus e o homem”. – {DTN 189.3}

Esse negócio de usar o jejum ou qualquer outro acessório religioso como mérito diante de Deus ou moeda de troca por seu favor é fazer de Deus um chantagista moral, uma divindade pagã com “d” minúsculo.

A singularidade do Deus do cristianismo é sua graça. Seu favor irrestrito àqueles que não merecem. Em todas as religiões pagãs, os altares são símbolos do que o homem tem de melhor a oferecer aos deuses. No cristianismo, o verdadeiro altar tem forma de cruz e, nele, Deus é o ofertante. Ele deu o que tinha de melhor – sua própria vida. Isso se chama graça. E o resto que vier da nossa parte só tem o direito de ser chamado de gratidão.

Charlys Siqueira


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