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Chernobyl é Aqui


chernobyl é aqui

A radioatividade sempre me fascinou. Ficava boquiaberta lendo relatos ou vendo filmes e documentários sobre o acidente nuclear em Chernobyl, as bombas de Hiroshima e Nagasaki, as descobertas científicas de Marie Curie ou a contaminação por césio-137, em Goiânia, na década de 80. Esse fascínio se traduzia em medo sempre que me vinha à mente a hipótese do meu corpo sofrer algum nível preocupante de exposição à radiação. A ideia de ter milhões de partículas subatômicas ou ondas eletromagnéticas atravessando meu corpo sem que eu suspeite, a não ser mais tarde quando os enjoos ou o câncer chegassem, nunca me deixou muito confortável. Também creio que tal ideia não seja confortadora a você. É curioso, porém, como gostamos de andar em zonas fronteiriças com o pecado crendo não haver maiores problemas.

Nos tempos de Jesus, havia os que achavam que pecado era como uma questão de cálculo aritmético. Se você calculasse muito bem sua posição, poderia circular por entre zonas fronteiriças sem qualquer dano. Quanto a isso, Jesus disse:

Também ouvistes que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás rigorosamente para com o Senhor os teus juramentos. Eu, porém, vos digo: de modo algum jureis; nem pelo céu, por ser o trono de Deus; nem pela terra, por ser estrado de seus pés; nem por Jerusalém, por ser cidade do grande Rei; nem jures pela tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto. Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno. (Mt 5.33-37).

Quem Jesus estava condenando com essas palavras? Devassos e gente possuidora de má fama? Não. Jesus condena aqui homens completamente escrupulosos, que se empenhavam em cumprir rigorosamente os juramentos que faziam para com Deus. Cumprir isso, porém, era em certo sentido, mais simples do que parecia, bastava não adicionar o nome de Deus em certos juramentos. Tais pessoas recorriam ao que podemos denominar de “juramento evasivo”.

“Os judeus dividiam os juramentos em duas classes: aqueles que obrigavam de maneira absoluta e os que só o faziam de maneira relativa. Qualquer juramento que contivera o nome de Deus obrigava de maneira absoluta, os juramentos em que se evitava o nome de Deus não criavam uma obrigação absoluta. O resultado era que se alguém jurava pelo nome de Deus podia esperar-se dele que estivesse dizendo uma verdade, ou que cumprisse sua promessa; mas se jurava pela Terra, ou pelo céu, ou por Jerusalém, ou por sua própria cabeça, sentia-se na liberdade de romper seu juramento. Como resultado, construiu-se uma verdadeira arte de jurar evitando o nome de Deus.”¹

Eles achavam que, ao deixarem de mencionar a Deus diretamente nos juramentos que não estavam dispostos a cumprir, isso automaticamente os deixaria desobrigados do que haviam jurado, visto que não envolveram Deus em seu voto. Assim, crendo tirar Deus “da jogada”, eles juravam, por exemplo, pelo céu, pela terra, por Jerusalém ou por suas próprias cabeças. A palavra deles não valia coisa alguma, pois estava sempre cheia de joguetes e “pegadinhas” como essa. Jesus argumenta que tal artifício de nada adianta, pois o céu é o trono de Deus, a terra é o estrado dos Seus pés, Jerusalém é a cidade do grande Deus, e nem a nossa própria cabeça nos pertence, pois sequer podemos ordenar a um mísero fio de cabelo que embranqueça ou escureça. O que Jesus estava dizendo era: tudo pertence a Deus; não existe tal coisa como algo em nossa vida em que Ele não esteja envolvido.

Como na época de Jesus, muitos tentam racionalizar o pecado e o fazem a cada vez que ficam na borda do precipício pensando: “Será que é pecado fazer X? E se for X – Y? E se for X – Y + Z?”. Tais pessoas tratam o pecado como um lugar fixo semelhante a um poço escavado no solo, no qual basta que tenhamos um bom equilíbrio e podemos nos manter lindamente nas bordas. O problema não é que se você ficar muito tempo à beira do precipício uma hora você poderá cair. O problema é que submeter-se a ficar calculando seus passos a fim de andar nos limites do aceitável sem cair, significa apenas que você já caiu, só não sabe disso. Significa que você não entendeu nada do evangelho. Não é o amor a Deus, e a busca constante por fazer aquilo que mais glorifique a Ele, a força que nos move. O medo de pecar torna-se um fim em si mesmo e chega o momento em que passamos a fazer cálculos, racionalizações e joguinhos semânticos tal como os judeus do tempo de Cristo.

Antes de se manifestar em atos, o pecado é uma condição da natureza humana caída (Jr 17.9; Mc 7.21-23; Mt 23.25; Lc 11.39; Jl 2.13; Rm 7.14-25; Ef 2.1-6.). Enquanto ficamos tentando regulamentar o exterior, a Bíblia nos diz que os cidadãos do reino terão, antes, uma nova disposição interior mental (Mt 23.26). É uma questão de como está a sua mente. “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, perfeita e agradável vontade de Deus” (Rm 12.2). Você não estará experimentando a vontade de Deus enquanto estiver preocupado em saber até onde pode ir sem pecar, e não ocorrer uma renovação em sua mente. Essa preocupação trata o pecado como algo perigoso, sim, porém exterior. Contudo, a zona radioativa do pecado nunca possui localização geográfica definida. Você pode achar que está em zona segura, mas ter ondas eletromagnéticas nocivas atravessando seu corpo sem que você se dê conta.

“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Pv 4.23). Não importa se o ato exterior não está errado. Se o seu coração está errado, tudo o que provier dele também estará. Por mais aceitáveis e assépticos que sejam seus atos exteriores, se o seu raciocínio consiste em: “Qual a fronteira da vontade de Deus com o pecado?” seu coração está errado, o precipício já se abriu em baixo de seus pés sem esperar que você fosse caminhar na borda. Não é como se Chernobyl ficasse a centenas de milhares de quilômetros, na antiga União Soviética. Você pode estar em uma área aparentemente segura, e, contudo, Chernobyl, irradiando partículas subatômicas letais, pode estar bem aí, pode ser agora. Tudo dependerá da disposição da sua mente. Em que base sua mente tem raciocinado? Na de simplesmente não fazer o mal, ou na base do fazer o bem? Na base do “qual é o limite?”, ou na base do “o que dará mais glória a Deus?”.

Olho vivo quanto a Chernobyl, mas não precisa temê-la. Raciocine com base nas bordas da zona de segurança, tema as bordas, e você já caiu. Contudo, transforme sua mente e raciocine com base em Cristo, tema a Cristo, e cada dia mais haverá menos espaço em sua mente para o temor de outras coisas.

Vanedja Cândido

 

¹BARCLAY, William. Mateo. (versão PDF) La Aurora: Buenos Aires, 1984, p. 171-172.


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  • Ruth Alencar em 28 de setembro de 2015 13:43

    Muito obrigada por tão inspirada e instrutiva mensagem.



  • FABIO HENRIQUE MACEDO MENDONCA em 21 de outubro de 2015 04:06

    Que texto maravilhoso. Esta é a essência da Lei da Deus gravado em nossos corações, em nossas mentes. A mente é o termômetro da Alma. Mente sã, exterior são. Mente enferma pelo pecado, Alma propícia à ele.



  • ROSILIS BARROS DE SOUZA em 18 de janeiro de 2016 15:33

    Admiro a forma didática dos pastores apresentarem os temas propostos. Tenho aprendido muito, por isso sinto-me motivada a assistir o Hiperlinkados que é um dos meus programas preferidos..Parabéns a essa dupla genial!!!!!!!



  • Neusa Consolmagno em 18 de abril de 2016 11:26

    Estou encantada com todos esses programas! eu os assisto e compartilho com meus filhos e netos, e tambem na minha pagina no face! Obrigada, que Deus os abencoe grandemente por esse trabalho de voces, inspirado por Ele!