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Misericórdia e não Sacrifício


misericordia e nao sacrificioUm dos trechos mais polêmicos do Evangelho de Mateus está no capítulo 9. Certa vez, quando Jesus saiu de Cafarnaum, viu assentado na coletoria um homem chamado Mateus (Mt 9.9). O Messias disse “siga-me”. A narrativa conta   que Mateus levantou-se e o seguiu.

O que torna esse relato polêmico é que os cobradores de impostos não eram o tipo de pessoa que um Rabi judeu chamaria para ser seu discípulo. Na Palestina do século I, os romanos taxavam tudo que podia das suas colônias e, para isso, empregavam cobradores judeus. Dessa forma, esses coletores passavam a ser odiados por duas razões principais: (a) eles trabalhavam com dinheiro que traziam inscrições e imagens pagãs e que eram destinados a uma potência pagã, isto é, Roma; (b) eles tinham a fama de ser desonestos. Por isso, os judeus os classificavam como “pecadores”, mesmo termo usado para prostitutas, ladrões, entre outras classes de baixa reputação e com pecados “óbvios”.

O que causa ainda mais surpresa no relato é que Jesus se torna hóspede de alguns cobradores de impostos e pecadores e come com eles (v. 10). Na Palestina, partilhar uma refeição juntos era (e ainda é) sinônimo de amizade, de demonstrar favor e aceitação. No entanto, questionava os fariseus para os discípulos, como pode alguém que ensinava altos padrões morais (Mt 5-7) participar de um banquete com pessoas que transgrediam, do “pior” modo possível, a lei de Moisés (Mt 9.11)?

            A resposta de Jesus dividi-se em três partes. Ele começa ironizando: “não são os que têm saúde que precisam de médicos, mas sim os doentes”. Quem são as pessoas saudáveis nesse relato? Os fariseus, aparentemente. Eles eram pessoas justas a seus próprios olhos. Eram o tipo de pessoa que não apenas fazia o que a Lei de Moisés pedia, mas além do que ela pedia. A Lei pedia que se jejuasse uma vez ao ano, no Dia da Expiação, ou em outras cerimônias especiais (Lv 16.29,31; Nm 29.7); alguns fariseus jejuavam duas vezes por semana (Lc 18.12). A Lei pedia dízimo do salário (Dt 14.22,23); alguns fariseus davam dízimo de tudo que possuíam (Lc 18.12).

Quem são os doentes? Os publicanos e pecadores que reconhecem a necessidade de um médico para suas almas; os marginalizados socialmente e espiritualmente que, por terem consciência da não observância da Lei de Moisés, sabiam que eram pecadores e que precisavam de cura.

            Jesus ordena os fariseus a “irem aprender” o que as Escrituras querem dizer com “Misericórdia quero, e não sacrifício”. “Ide aprendei” era uma fórmula rabínica comum empregada para fazer com que os alunos se voltassem para as Escrituras a fim de aprender algo. No lugar da autoexaltação, Jesus convida os fariseus a tomarem o lugar de um aluno comum: “irem aprender” o que está escrito em Oséias 6.6. E o que eles deveriam aprender?

A refeição de Jesus com os publicanos, pecadores e outras pessoas “inaceitáveis” é um ato de misericórdia da parte de Deus; é algo que agrada mais ao Senhor que às ofertas sacrificais. O termo misericórdia é a tradução do hebraico hesed. Significa aliança em amor, isto é, fidelidade acima do que o outro faça. Deus deseja que demonstremos amor e fidelidade a outras pessoas independente de quem sejam elas, do que nos demorarmos em sacrifícios, como jejuns e oração.

Por fim, Jesus completa o sentido de sua afirmação anterior dizendo “não vim chamar os justos, mas pecadores” (v. 12c). O Messias foi enviado não para os que são autossuficientes e sem necessidade, mas para os que precisam. Jesus oferece um tipo de cura para o coração humano que apenas aqueles que reconhecem sua doença podem ir atrás do médico a fim de receberem o remédio.

Bruno de Ribeiro

Referências

MOUNCE, Robert. Novo comentário bíblico contemporâneo: Mateus. São Paulo: Vida, 1996.

WRIGHT, NT. Eu creio, e agora? Por que o caráter cristão importa. Viçosa: Ultimato, 2012.


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  • FABIO HENRIQUE MACEDO MENDONCA em 21 de outubro de 2015 03:44

    Este texto nos faz lembrar de Zaqueu, que muitos dizem ser um “pecador” no pior sentido da expressão (como alguém que vive em pecado), quando, na verdade Zaqueu se levanta em sua defesa contra as murmurações do povo. O que prova que o povo que seguia Jesus também era preconceituoso com os Cobradores de Impostos por causa da função que ocupavam e também os consideravam desonestos. Mas, a pergunta que sempre fica no ar é: Em algum momento a Bíblia acusa Zaqueu de ser desonesto ou traidor do povo Judeus por causa da função que ele ocupava. No entanto, muitos pregadores, se levantam no altar das Igrejas para falar mentiras de Zaqueu. Zaqueu, ao receber a proposta de Jesus para se hospedar e comer na casa dele, se sentia honrado, se sentiu agraciado. Mas, imediatamente o povo disse: Senhor, tu irás entrar na casa de um homem pecador. Como bom judeu, Zaqueu sabia muito bem o significado da palavra pecado (transgressão da Lei). E sabendo disso, Zaqueu se levanta em sua defesa, para que Jesus não desistisse dele e de pousar em sua casa, nem de comer com ele. Zaqueu alega, perante Jesus e perante a multidão preconceituosa e infamante, que era uma pessoa caridosa (DOU METADE DOS MEUS BENS AOS POBRES) (Deuteronômios 15:11) e SE porventura ele, sem intenção dolosa, tinha causado algum prejuízo a pessoa que foi tributada, ele, enquanto servidor honesto que era, devolvia o valor do tributo cobrado indevidamente de forma QUADRUPLICADA (mais uma vez se mostrou cumpridor da Lei de Deus – conforme Exodo 22:1). O texto é claro ao mostrar que Zaqueu se sentia ofendido do povo de Israel pensar coisas desonestas sobre ele, e ficou temeroso ainda mais, ao pensar que Jesus poderia te-lo abandonado e desistido de pousar na casa dela por causa das DIFAMAÇÕES DA MULTIDÃO SOBRE A SUA PESSOA. Mas, Jesus, que é conhecedor do coração humano, disse: HOJE VEIO SALVAÇÃO A ESTA CASA. Então, eu pergunto, a que casa veio a salvação, senão para a CASA DE ISRAEL. Jesus não está falando da casa de Zaqueu, Jesus está se referindo a multidão que murmurou injustamente contra Zaqueu, pois, aquele que eles pensavam ser um homem desonesto, mostrou ser uma pessoa justa e cumpridora da Lei de Deus. Todos precisam de arrependimento, mas, naquela hora, não era Zaqueu que precisa de arrependimento, mas sim a Multidão, que murmurou de Zaqueu sem conhece-lo, baseando-se em boatos e estigmas coletivos de cunho preconceituoso e generalista. E Jesus disse mais a respeito de Zaqueu: Jesus apontou para Zaqueu e olhando para a multidão disse: Este é Filho de Abraão. OU seja, vejam, este é um homem de fé, as suas obras demonstram isso (Tiago 2:18). E no final Jesus anda diz que que VEIO BUSCAR E SALVAR O QUE HAVIA PERDIDO. Aquele multidão que tinha forte preconceito estava perdida e precisa ser salva por Jesus, porque julgavam segundo opiniões humanas e por sentimentos de ódio dos líderes Judeus, e não pelo que a pessoa realmente era. A palavra “defraudado” usada no texto por Zaqueu foi mal traduzida, o correta seria: “figo denunciante ou informante”, denotando alguém que é acusado falsamente. Zaqueu era acusado falsamente pelas pessoas e sofria muito por isso. O real significado da palavra “sicofantina” está na cultura da Grécia, onde era proibida a exportaçao de figos, e para isso haviam pessoas que informavam ao Governo Grego sobre pessoas que estavam transportando figos fora do país, assim, a pessoa acabava sendo presa; ocorre, que, muitas vezes, para prejudicar a pessoa injustamente, o informante do governo plantava figos nas bagagens de uma pessoa a qual ele odiava e denunciava que ele estava traficando figos para fora do país para ve-lo preso. Esta era a situação de Zaqueu, ele havia assumido uma reputação que não era dele, mas que era fruto da consciência coletiva.



  • Joyce A em 13 de março de 2016 16:56

    Gostei da explicação;