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Categoria: Lições da Bíblia

Lições da Bíblia Especial


lição 1

VERSO PARA MEMORIZAR:

“O temor do Senhor é o princípio do saber, mas os loucos desprezam a sabedoria e o ensino” (Pv 1:7).

Leituras da Semana:Pv 1–3; Gn 1:1; Êx 19:16; 20:20; Pv 11:30; 13:12; 15:4

Desde o Éden, a raiz da tragédia humana está nas escolhas erradas. “O homem perdeu tudo porque preferiu ouvir o enganador em lugar dAquele que é a verdade, o Único que tem o entendimento. Por misturar o mal com o bem, sua mente se tornou confusa” (Ellen G. White, Educação, p. 25).

O livro de Provérbios tem o objetivo de nos ajudar a fazer escolhas certas, escolher o caminho de Deus, não o do enganador. O pai ou a mãe, falando com seu filho, não só o advertem contra escolhas erradas, mas o incentivam a fazer as certas.
Isso é muito importante porque as escolhas que fazemos são, literalmente, questões de vida e morte.

Os três primeiros capítulos de Provérbios ilustram esse método de educação. Depois de explicar o propósito do livro: “aprender a sabedoria” (Pv 1:2); e estabelecer o lema do livro: “O temor do Senhor é o princípio do saber” (Pv 1:7; comparar com Pv 9:10), de forma alternada, o autor nos adverte a não ouvir a insensatez, e nos exorta a responder ao chamado da sabedoria celestial.

Domingo – O princípio da sabedoria

Em Provérbios 1:1-6, o título “Provérbios de Salomão, filho de Davi” (Pv 1:1) estabelece uma ligação entre esse provérbio e 1 Reis 3:5-14. Em 1 Reis (como no livro de Provérbios), Salomão é apresentado como um filho buscando a sabedoria de Deus.

Além de se referirem a Salomão como “filho de Davi”, os dois textos utilizam importantes palavras em comum: “entendimento”, “sabedoria” e “juízo”. Esses paralelos não somente confirmam que Salomão é o autor do livro, mas mostram também que o livro de Provérbios lida com a busca humana pela sabedoria divina.

1. Leia Provérbios 1:7. O que é sabedoria? O que é “o temor do Senhor”? Qual é a relação entre esses dois conceitos?

“Sabedoria” é definida como experiência religiosa. Está relacionada ao temor do Senhor. Esse importante conceito da religião hebraica é essencial para o livro de Provérbios. Ele não apenas ocorre repetidamente, mas também molda todo o livro (Pv 1:7; 31:30).

O temor do Senhor nada tem que ver com o medo supersticioso e infantil da punição divina. Em vez disso, deve ser entendido como a intensa consciência da presença pessoal de Deus em todos os momentos e em todos os lugares. O temor do Senhor havia caracterizado a reação do povo à revelação de Deus no Sinai (Êx 19:16; 20:20), assim como explicou seu compromisso de ser fiel e amar a Deus em resposta à aliança do Senhor com Israel (Dt 10:12).

Em suma, temer a Deus significa ser fiel a Ele e amá-Lo. A expressão “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Pv 9:10) significa que a sabedoria tem origem nesse “temor”. A palavra hebraica para “princípio” (reshit) nos leva à primeira palavra introduzindo a história da criação (Gn 1:1). A primeira lição de sabedoria, então, lida com a compreensão de que Deus é nosso Criador, Aquele que nos dá vida e respiração, e que está sempre presente, um Deus de amor, justiça e redenção (Jo 3:16; Sl 89:14; Hb 9:12).

Somos instruídos a amar a Deus e também a temê-Lo. Como esses dois conceitos se relacionam à sua experiência com o Senhor?

Segunda-feira – Verdadeira educação

2. Leia Provérbios 1:8-19. Quais são as duas formas de “educação” apresentadas nesses versos? Qual é a mensagem básica deles, para os que temem ao Senhor?

A educação é, antes de tudo, uma questão de família, e a verdadeira educação vem, em primeiro lugar, dos pais. Nesses versos, essa educação é chamada de “instrução” e até mesmo de doutrina [ou “lei”]. A palavra hebraica para lei, torah, significa “direção”. Os pais devem conduzir os filhos na direção certa. Em contraste com isso, o outro tipo de “educação” não é identificado nem recebe um nome.

É simplesmente reconhecido como a voz dos pecadores, que leva na direção errada. Além disso, as palavras “meu filho”, que não devem ser tomadas no sentido exclusivo de gênero, são repetidas muitas vezes, enfatizando a instrução dos pais.
O pai ou a mãe são claramente identificados no singular e estão pessoalmente envolvidos, enquanto do outro lado está um grupo anônimo, apresentado no plural: os “pecadores”.

“Em Sua sabedoria o Senhor determinou que a família fosse o maior entre todos os fatores educativos. É no lar que a educação da criança deve ter início. Ali está sua primeira escola. Ali, tendo seus pais como instrutores, a criança terá que aprender as lições que a devem guiar por toda a vida […] As influências educativas do lar são uma força decidida para o bem ou para o mal. […] Se a criança não é instruída corretamente ali, Satanás a educará por meio de fatores de sua escolha” (Ellen G. White, O Lar Adventista, p. 182).

O melhor argumento em favor da educação familiar são seus resultados, as qualidades interiores do caráter, que são como ornamentos na cabeça e no pescoço. Na cultura do Oriente Médio, pulseiras e colares preciosos eram transmitidos de pais para filhos como uma herança de valor. No entanto, a educação é mais importante do que as riquezas materiais. O tempo passado com os filhos será de muito maior valor para eles do que o tempo gasto em nossos negócios. Além disso, a referência ao pescoço e à cabeça, que são a aparência do indivíduo, sugere que a educação molda sua personalidade. No caminho dos insensatos ou pecadores, somente os pés (Pv 1:15) são mencionados, como se o filho desobediente tivesse perdido sua identidade.

Como podemos aprender a resistir às tentações que a cultura, a sociedade, os amigos e até mesmo a família podem lançar em nosso caminho?

Terça – O chamado da sabedoria

3. Leia Provérbios 1:20, 21. Como a sabedoria é apresentada nessa passagem? Qual é a mensagem para nós?

Enquanto os pecadores armam ciladas e ficam à espreita (Pv 1:11, 18), “a sabedoria clama em alta voz nas ruas” (Pv 1:20, NVI), “do alto dos muros clama” (Pv 1:21) e “profere as suas palavras” (Pv 1:21). Ali a sabedoria é personificada, e sua oferta é apresentada ao homem e à mulher na rua. Que enfrentam os desafios da vida. Em meio ao barulho e competição de tantos produtos e tantos vendedores, o chamado da sabedoria deve ser feito em voz alta; caso contrário, ela não seria ouvida diante do clamor de tantas outras vozes.

4. Leia Provérbios 1:22-32. Qual é o resultado de se rejeitar a sabedoria?

A razão pela qual as pessoas rejeitam a sabedoria nada tem que ver com a própria sabedoria, mas com o caráter dos que a rejeitam. Esses são descritos como arrogantes e desdenhosos (Pv 1:25; comparar com v. 30), como se fossem mais sábios.
A implicação é que a sabedoria é para os sinceros e simples. Porém, os que a rejeitam são tolos e insensatos, porque aborrecem o conhecimento (Pv 1:22; comparar com v. 29).

Os que rejeitam a sabedoria colherão o fruto de sua rejeição. Tendo se recusado a escolher o temor do Senhor, terão que se contentar consigo mesmos: eles “se fartarão de suas próprias maquinações” (Pv 1:31, NVI). Quando rejeitamos a sabedoria do Alto, muitas vezes acabamos ficando com as fábulas e mentiras que fabricamos para nós mesmos, ou as fábulas e mentiras que outros fabricam para nós e que aceitamos tão prontamente. Dessa forma, substituímos Deus pelos ídolos.

Ironicamente, os que desprezam a religião, zombando daqueles a quem julgam simples e ingênuos, frequentemente são supersticiosos à sua própria maneira, valorizando as coisas mais inúteis e transitórias que jamais podem satisfazer as necessidades mais básicas do coração.

Leia Provérbios 1:33. Dado o contexto anterior, que promessa e esperança encontramos nesse verso? Essa promessa se cumpriu em nossa própria experiência?

Quarta – O benefício da sabedoria

5. Leia Provérbios 2:1-5. Quais são as condições para a compreensão do “temor do Senhor”? Quais escolhas temos que fazer nesse assunto?

Três vezes o discurso é introduzido com a conjunção “se”, marcando três estágios na progressão da educação. O primeiro “se” introduz o estágio passivo de ouvir, isto é, simplesmente ser receptivos e atentos às palavras da sabedoria (Pv 2:1, 2). O segundo “se” introduz a resposta ativa de clamar e pedir sabedoria (Pv 2:3). O terceiro “se” introduz envolvimento apaixonado em procurar a sabedoria como buscaríamos “tesouros escondidos” (Pv 2:4).

6. Leia Provérbios 2:6-9. Quais são as condições para a compreensão da justiça? Qual é a responsabilidade de Deus na aquisição da sabedoria?

Note que a frase “o Senhor dá”, no verso 6, responde à frase “acharás o conhecimento de Deus”, no verso 5. A sabedoria, como a salvação, é um dom de Deus. Assim como o primeiro parágrafo descreve o processo humano, esse parágrafo descreve a obra divina: Ele dá a sabedoria, reserva a sabedoria, guarda e preserva o caminho do sábio.

7. Leia Provérbios 2:10-22. O que acontece quando a sabedoria finalmente encontra lugar no coração?

O momento em que a sabedoria entra no coração (Pv 2:10) marca o estágio final da conversão. Não somente teremos prazer no conhecimento do Senhor, mas isso será uma experiência agradável ao nosso coração (Pv 2:10). Seremos também salvos do caminho do mal (Pv 2:12), da sedução do mal (Pv 2:16), e andaremos no caminho dos justos (Pv 2:20).

8. Leia Provérbios 2:13, 17. Qual é o primeiro passo da perversidade, e aonde ela nos leva?

Embora sejamos pecadores, não temos que cair no mal. Os que são retratados como estando no caminho errado devem ter primeiro deixado o caminho certo. A maldade é entendida antes de tudo como falta de fidelidade. O pecado começa sutil e inocentemente, entretanto, em pouco tempo o pecador não apenas age perversamente, mas passa a gostar disso.

Imagine que você gostasse de fazer o mal. E se você considerasse o mal bem? O que isso diria sobre você? O que precisa mudar em sua percepção?

Quinta – Não se esqueça!

9. Leia Provérbios 3:7. Qual é o perigo de ser sábio aos próprios olhos?

Ser sábio aos próprios olhos leva à ilusão de que a pessoa não precisa de Deus para ser sábia. Essa é uma situação sem esperança. “Maior esperança há no insensato do que nele” (Pv 26:12). Mais uma vez, a sabedoria é descrita como um compromisso religioso. Ser sábio significa guardar os mandamentos de Deus (Pv 3:1), manifestar “o amor e fidelidade” (Pv 3:3, NVI) e confiar no Senhor (Pv 3:5). Sabedoria implica um relacionamento íntimo com Deus. Observe a repetida referência ao coração (Pv 3:1, 3, 5), a sede da nossa resposta pessoal à influência de Deus. O coração foi mencionado em Provérbios 2:10 como o lugar em que a sabedoria deve entrar.

10. Leia Provérbios 3:13-18. Que recompensa vem com o dom da sabedoria?

A sabedoria é associada à vida e à saúde (Pv 3:2, 8, 16, 18, 22). Uma das imagens mais sugestivas é a da “árvore de vida” (Pv 3:18), uma promessa repetida várias vezes no livro (Pv 11:30; 13:12; 15:4). Essa metáfora faz alusão ao Jardim do Éden.
A promessa não significa que a aquisição da sabedoria proporcionará vida eterna. Em vez disso, a ideia é que a qualidade de vida com Deus, que nossos primeiros pais desfrutaram no Éden, até certa medida pode ser recuperada. Quando vivemos com Deus, obtemos alguma ideia e alguns sinais do Éden; aprendemos a esperar a prometida recuperação desse reino perdido (ver Dn 7:18).

11. Leia Provérbios 3:19, 20. Por que necessitamos tanto da sabedoria?

A súbita referência à história da criação parece estar fora de lugar nesse contexto. No entanto, o uso da sabedoria na criação reforça o argumento do verso 18, que associa a sabedoria com a árvore da vida. Se Deus usou a sabedoria para criar os céus e a Terra, ela não é uma questão trivial. Seu alcance é cósmico, indo além dos limites de nossa existência terrestre. Sabedoria diz respeito também à nossa vida eterna. Essa lição está implícita na referência à árvore da vida, que lembra o Jardim do Éden. Essa perspectiva também está contida na promessa que conclui nossa passagem: “Os sábios herdarão honra” (Pv 3:35).

Sexta – Estudo adicional

Leia, de Ellen G. White, Parábolas de Jesus, p. 111-114: “O Maior Tesouro”; Mensagens aos Jovens, p. 334: “Uma Bênção no Lar”; Educação, p. 197, 198: “Estudo de Fisiologia”; Comentário Bíblico Adventista, v. 3, p. 1309-1311.

“Os jovens necessitam compreender a profunda verdade que constitui a base da declaração bíblica de que em Deus está ‘o manancial da vida’ (Sl 36:9). Não somente é Ele o Originador de todas as coisas, mas é a vida de tudo que vive. É Sua vida que recebemos na luz solar, no ar puro e agradável, no alimento que constrói nosso corpo e nos sustenta a força. É pela Sua vida que existimos, hora após hora, momento após momento. A menos que estejam pervertidos pelo pecado, todos os Seus dons tendem a dar vida, saúde e alegria” (Ellen G. White, Educação, p. 197, 198).

“Muitos têm a impressão de que a devoção a Deus seja prejudicial à saúde e à radiante felicidade nas relações sociais da vida. Porém, os que andam no caminho da sabedoria e da santidade descobrem que ‘a piedade para tudo é proveitosa, porque tem a promessa da vida que agora é e da que há de ser’ (1Tm 4:8). Estão vivos para a satisfação real dos prazeres da vida” (Comentários de Ellen G. White no Comentário Bíblico Adventista, v. 3, p. 1310).

Perguntas para reflexão

1. Qual é a diferença entre sabedoria e conhecimento? É possível ter muito conhecimento e não ter sabedoria? Quem não conhece pessoalmente, ou pelo menos sabe a respeito de pessoas muito bem instruídas que parecem não ter sabedoria?
2. Pense mais na ideia do “temor do Senhor”. Se “no amor não existe medo” (1Jo 4:18), como podemos temer o Senhor e ainda amá-Lo? Como conciliar a tensão entre a justiça e o amor no “temor do Senhor”?
3. Por que ser “sábio aos […] próprios olhos” é uma condição tão perigosa, especialmente quando consideramos quanto é corrupto o coração humano, e como é fácil racionalizar praticamente qualquer comportamento que quisermos? Pense nos que já racionalizaram os piores comportamentos. Como podemos evitar fazer a mesma coisa?

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