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Categoria: Tempo de Refletir

Irmão Saulo


“Então Ananias foi, entrou na casa, pôs as mãos sobre Saulo e disse: ‘Irmão Saulo'” (Atos 9:17).

Fernando Pessoa disse: “O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.”

Um momento inesquecível na vida de Paulo foi aquele em que ele recebeu a visita de Ananias, três dias depois de sua conversão. Ao receber a incumbência de conversar com Saulo, Ananias reagiu como qualquer um de nós reagiria. Tinha suas reservas. “É isso mesmo, Senhor, que Tu queres? Ele perseguiu o Teu povo e lançou homens e mulheres na prisão!”

Como seria sua aproximação e qual seria o tom de sua conversa com a pessoa responsável pela morte de muitos dos seus amigos, pessoas que haviam estado lado a lado com você na igreja, cantando hinos e participando do culto?

De sua parte, Paulo se perguntava: “Como vou ser recebido pela comunidade cristã? Será que vão me deixar em quarentena para ter certeza do que aconteceu comigo?”

Saulo estava orando, enquanto aguardava a visita de alguém dentre os cristãos. De repente, sem esperar, sentiu uma mão tocando-lhe o ombro. Em seguida, ouviu palavras que jamais ouvira antes: “Irmão Saulo.”

Como perseguidor, ele não merecia tais boas-vindas. Ele também não esperava ser abraçado pelas pessoas a quem perseguira. Portanto, ele nunca se esqueceu daquele gesto e daquelas palavras.

Ao tocar Paulo no ombro, Ananias estava dizendo: “Eu o aceito. Estou com você. Vai dar tudo certo. Não se preocupe.”

Henry Drummond escreveu certa vez: “Quantos pródigos são mantidos fora do reino pelo caráter frio, desagradável daqueles que professam estar dentro.”

O evangelho nos resgata do medo de ser rejeitados. Jesus foi mestre na arte da aceitação. Somos convidados a demonstrar essa aceitação no olhar, no tom de voz, no sorriso, no toque, no aperto de mão. Hoje, como extensão de Seu ministério, a igreja deve dar boas-vindas aos Saulos, Zaqueus, Madalenas e mendigos do caminho, pois Ananias seguiu o exemplo do Mestre.

Com essas duas palavras e com seu gesto de aceitação, Ananias estava plantando no coração de Paulo a semente da graça de Deus.

No fim de sua vida, Paulo escreveu: “Essa afirmação é fiel e digna de toda aceitação: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o pior'” (1Tm 1:15).

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