No fim a recompensa

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18-casal_idoso-bTEMPO DE REFLETIR 169 – 18 de junho de 2014

Palavras que todas as mulheres gostariam de ouvir um dia.

Vem sentar-se junto a mim. O dia declina e é também o entardecer de nossa vida: tu bem mereces estes breves momentos de repouso. Vem, senta-se bem junto a mim. Nossos filhos estão agora encaminhados e partiram para lugares diferentes; estamos de novo sozinhos como no começo de nossa vida.

Lembra-te querida? Nada tínhamos no início, tudo estava por fazer. E pusemo-nos ao trabalho… bem árduo. Foi preciso coragem e muita perseverança. Foi preciso amor, e o amor não é o que se imagina quando se principia. Não são somente os beijos que se troca, aquelas meigas palavras que se murmura aos ouvidos, ou manter-se estreitamente abraçados um contra o outro. A vida é longa, o dia das núpcias é um dia somente; é somente em seguida, tu te lembras, é somente em seguida que começou a vida.

Urge fazer e se desfaz; é preciso refazer e se desfaz ainda. Vêm os filhos, é preciso alimentá-los, vesti-los, educá-los; é um nunca acabar. Adoeciam por vezes, e eu te via em pé a noite inteira. Eu trabalhava do amanhecer ao cair da noite.

Há momentos em que a gente desespera; os anos se sucedem e continua-se no mesmo lugar, parecendo-nos até que retrocedemos.
Tu te recordas de todos aqueles instantes? Tantas preocupações, tantas confusões. Mas tu foste sempre a mesma. Mantemo-nos fiéis um ao outro e assim pude apoiar-me em ti e tu te apoiaste em mim. Tivemos a sorte de estar juntos; ambos lançamo-nos ao trabalho, resistimos e mantivemo-nos firmes.

O verdadeiro amor não é aquele que se pensa. O verdadeiro amor não dura um dia, mas sempre. Significa ajudar-se, compreender-se. E pouco a pouco vemos que tudo se organiza. Os filhos cresceram, encaminharam-se bem. Demos-lhes o exemplo. Consolidamos o alicerce da casa. Se todas as casas forem sólidas, o país será sólido também.

Por isso, chega-te mais perto e olha: quando o céu se tinge de rosa como nesta tarde e uma névoa transparente ergue-se e penetra por entre os galhos das árvores, é sinal que chegou o tempo da colheita e de saborear os frutos. Mantém-te bem junto a mim, fiquemos calados; não precisamos nada mais dizer um ao outro. Só temos necessidade de estar juntos e deixar descer a noite do contentamento do dever cumprido.

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-> Autor: Autoria desconhecida
-> Música: Maricéu e Fernando Iglesias, “Deus me escolheu prá você”
-> Narração: Amilton Menezes

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